Mundo de ficçãoIniciar sessãoPara a recepcionista Érika Johnson aquele era mais um fim de expediente como qualquer outro onde ela iria finalizar o relatório, despedir os últimos alunos de Jiujitsu e finalmente partir, mas o que poderia ser diferente naquela tarde tão comum? Os alunos começaram a chegar às 12:00 cumprimentando-a e seguindo para o tatame onde o sensei os aguardava. Érika sorria, mantendo-se sempre atrás do balcão; tudo muito normal... Até o último aluno entrar sem cumprimentar, sem quimono e atrasado. O tempo parou enquanto ele passava. Os olhares se cruzaram. Algo dentro dela reagiu a presença silenciosa e atraente daquele homem. O coração palpitou e algo se movimentou ansiosamente em seu interior. Depois de anos sem sentir nenhum sinal de atração por alguém, traumatizada pela separação do casamento infeliz, ela mal podia acreditar que estava acontecendo... Alex Bahamonde estava em um nível de estresse absurdo e depois de enfrentar o maldito trânsito de Phoenix, o mau humor aumentou. Não é que odiasse a cidade, mas definitivamente preferia o campo e, com toda certeza, sentia-se melhor na companhia de animais que seres humanos; contudo, havia combinado com o melhor amigo e não faltaria ao treino que prometeu participar. Logo teria de retornar a fazenda e retomar a agenda de viagens que seguiria à risca para fazer novas parcerias e continuar faturando. Estava no topo e queria permanecer. Após uma eternidade para encontrar vaga no estacionamento e mais outro século para subir os degraus da academia cujo elevador estava em manutenção, sua bateria social gritava 0%. Contrariado, chegou ao tatame com a carranca e cansaço que quase não o permitia a boa etiqueta e educação; exceto pela mulher do outro lado do balcão que pareceu não entender ou simplesmente não aceitar seu recado mudo, cumprimentando-o com um sorriso meigo e gentil demais para ser ignorado.
Ler maisSentada a mesa da cozinha com o pai, Érika observava os filhos. Mari conversava com Victória, a filha mais nova de Reymond com Side – a atual madastra, e a única que conseguiu permanecer ao lado de seu pai. Para Érika não foi difícil entender o motivo; estava nítido que Reymond havia assumido a responsabilidade, uma vez que a mulher era 30 anos mais jovem, e chegou a engravidar. Vitória era um ano mais Jovem que Mari. Juntando as peças, Érika entendeu tudo... A mulher estava bêbada e ao servir uma sopa, quase derramou o líquido fervente no centro da mesa de madeira. Reymond olhou para Side com desaprovação e, claramente constrangido e aborrecido, levantou-se é tomou as rédeas da situação. Stefan pigarreou e também procurou ajudar, enquanto Érika já se movia, arrumando mais louças na mesa e seguindo para o fogareiro a lenha, onde se prontificou a ajudar a estranha que além de bêbada, também era sua atual madrasta. Ainda constrangida, Érika pediu licença ao pai para ajudar com
Érika Foi como se uma ferida estivesse aberta em todas nós. Meu pai quase cometeu assassinato com duplo homicídio, e o pai dos criminosos, o senhor Catitu, ajudou na caçada que terminou com o Ney preso e o irmão mais velho dele foragido. A polícia procurou por 3 longos meses e quando o encontraram, deixaram meu pai bater nele até quase matá-lo. Enila, sentiu nojo de si mesma quando soube do ocorrido e, como a boa egoísta que era, ficou com pena de si mesma por ter se relacionado com um pedófilo; claro que ela estava no direito, mas o que me emputeceu foi o fato de ela sequer pensar na situação psicoemocional de Nayla e de meu pai. Nayla precisou ir para o hospital, para ser submetida a tratamento ginecológico e deixar que mais pessoas a tocassem, mesmo que para cuidar dela. Minha irmã ficou destruída. Meu pai... Bom, a vergonha e a tristeza o consumiram por meses... Ele não conseguia olhar para Nayla sem chorar. Sem mais estruturas, ele voltou com a Fernanda e ela não per
O tempo foi passando e nós estávamos crescendo. Meu pai ainda manteve o relacionamento com a Fernanda por pelo menos cinco anos, e nesse tempo, muita coisa aconteceu... Quando completei meu 12 anos, Nayla estava com quase 10 e esse foi um dos capítulos mais tristes de nossas vidas. Nós voltamos para a estação, Enila começou a trabalhar e continuava estudando a noite, Nayla e eu seguíamos indo para a escola e ajudando meu pai nas terras, e Fernanda continuava fazendo as “visitas”, tentando uma reaproximação que meu pai permitiu, porém, não aceitou que convivêssemos todos juntos novamente. Meus irmãos também passaram a frequentar mais a casa de meu pai. Gideon e Stefan realmente se preocupavam conosco, mas Evan sempre foi mais interesseiro, e por isso avançava o filho “perfeito”, que de perfeito não tinha nada, chegando até mesmo a se tornar amiguinho de Fernanda e cia. Foi nessa época que ela se vingou de mim... Aconteceu em 2002. Enila estava em seu segundo relacionamento desde
Érika Meu pai sempre foi um tolo quando o assunto é coração. Sei que 98, 9% da maioria da população terrestre, principalmente feminina – e portanto, neste caso, eu também, com certeza – é; mas meu pai se supera, pelo menos quando ele realmente gosta de alguém. Fernanda foi a segunda mulher a ensinar para ele que a manipulação xibiulandia pode ser muito eficiente, porque minha mãe foi a primeira e depois dela, meu pai nunca mais deixou de fazer cócegas nos pés de Cristo, de tão alto que a galhada chega. Sim, quanto a isso, sou mesmo cruel. Não poupo comentários sarcásticos porque também fui corneada, mas não permiti que isso afetasse meus filhos além do que o pai deles pudesse infligir. Disso eu me orgulho muito, porque nunca deixei e nem deixarei de ouvir meus filhos quanto ao que eles sentem, e se porventura – muito remotamente – eu vier a me relacionar com alguém, essa pessoa precisa saber que meus filhos são ouvidos e que eu sou observadora ao ponto de passar por cima de me





Último capítulo