Mundo de ficçãoIniciar sessãoO amor não deveria ser uma sentença, mas no meu caso, ele foi o martelo que bateu o juiz. Eu me apaixonei pelo ex-namorado da minha irmã. Não foi planejado, não foi uma traição arquitetada nas sombras. Ele tinha sido abandonado por ela, deixado em pedaços no chão, e eu... eu fui a única que estendeu a mão. Foi impossível resistir àquela dor que espelhava a minha própria solidão. Dois meses depois, o resultado do exame de farmácia brilhou nas minhas mãos como uma condenação: grávida. O apoio que eu esperava da minha família se transformou em um tribunal de execução. Meu próprio pai me expulsou de casa com o olhar carregado de nojo. Eu me casei com ele sob o peso da obrigação. E vivi sete anos em um deserto. Ricardo nunca me amou, ele estava fisicamente ali, mas sua alma parecia estacionada na porta, esperando o retorno daquela que o destruiu. e então eu pedi o divórcio. Mas o destino pregou sua última peça: nosso pai morreu. Justo agora, quando o caminho dele estava livre. E ela voltou. Clarisse apareceu como se nunca tivesse partido, pronta para tomar tudo o que ela considera dela por direito, inclusive o homem que eu chamei de marido. Nosso divórcio era para ser simples. Um aperto de mãos, uma assinatura e o fim. Mas algo mudou. Por que ele me persegue agora? Por que me olha como se estivesse me vendo pela primeira vez em quase uma década? Se ele sempre a quis, por que agora não fica com ela? ....
Ler maisDIAS ANTIGOS...
PALOMA: A minha memória mais antiga da Clarisse não tem ódio. Tem cheiro de terra molhada e o som das nossas risadas no quintal da casa de praia dos fins de semana em família. Éramos primas, mas naquelas tardes, éramos quase gêmeas. Corríamos descalças, dividíamos bonecas com pernas riscadas de canetinha e jurávamos que seríamos melhores amigas para sempre. Clarisse era a líder, a mais ousada, e eu a seguia com a admiração cega de quem ainda não conhecia a malícia. Tudo mudou no ano em que o silêncio se instalou na minha casa. Meu pai partiu cedo, deixando um vazio que minha mãe, Márcia, não sabia como preencher sozinha. Do outro lado da família, a tragédia também batia à porta: a mãe de Clarisse, adoeceu e se foi em poucos meses. Eu tinha oito anos e o mundo, para mim, ainda era um lugar feito de certezas. Minha mãe, estava sentada no sofá, com as mãos entrelaçadas sobre os joelhos, uma expressão que eu não conseguia decifrar. Ela me chamou com um gesto suave. — Paloma, vem cá. Preciso conversar com você, meu amor. Sentei ao lado dela, sentindo o cheiro de sabão de coco das roupas dela. — O seu tio está precisando muito de nós agora. mamãe começou, a voz baixa e cuidadosa. — A Clarisse está muito sozinha, sofrendo demais sem a mãe dela. E eu... eu também não me sinto bem aqui sozinha desde que seu pai se foi. O seu tio sugeriu que a gente se mudasse para lá. Para sermos uma família só. Meus olhos brilharam. Na minha inocência de criança, aquilo parecia a solução para todos os problemas. — Vou morar com a Clarisse? No mesmo quarto? — No mesmo quarto. ela confirmou, forçando um sorriso que não chegava aos olhos. — Vamos cuidar um do outro. O tio vai ser como um pai para você também. A mudança foi rápida. Me kembro de chegar àquela casa grande, que cheirava a lustra-móveis e a uma tristeza que tentava se esconder nos cantos. Clarisse me recebeu na porta. Ela estava tão bonita, mesmo triste e com um vestido preto parecendo grande demais para ela, mas quando me viu, os olhos dela ganharam um brilho que me confortou. Corremos para o quarto, espalhamos nossas bonecas no tapete e, por algumas semanas, o plano da minha mãe pareceu perfeito. A gente brincava de "casinha". Eu era a mãe, ela era a filha, ou vice-versa. Não havia maldade. Mas o veneno começou a destilar de forma silenciosa. O meu tio, talvez para compensar a perda da esposa ou para tentar fazer com que eu me sentisse em casa, começou a ser extremamente carinhoso comigo. Ele trazia doces para as duas, mas sempre me dava o primeiro abraço quando chegava do trabalho. Ele sentava comigo para ajudar no dever de casa enquanto a Clarisse ficava num canto, observando com aqueles olhos que estavam deixando de ser de criança e se tornando de vigia. Uma noite, ele me colocou no colo e contou uma história, rindo de algo bobo que eu disse. Vi Clarisse pelo reflexo do espelho do corredor. Ela não entrou. Ela deu as costas e se trancou no nosso quarto. Fui atrás dela, batendo na porta com os nós dos dedos, a alma cheia de uma preocupação pura, infantil. — Clarisse? Abre a porta... O que você tem? Você tá triste por causa da sua mãe? Ouvi o som de algo sendo arremessado contra a madeira. Quando ela abriu a porta, o rosto estava vermelho, mas não era de choro comum. Era uma expressão de posse que eu nunca tinha visto. — Por que você não sai de perto dele? ela cuspiu as palavras, a voz trêmula. — O que foi? O tio só estava contando uma história... — Ele não pode fazer isso! ela gritou, dando um passo na minha direção, o peito subindo e descendo. — Ele é meu pai, Paloma! Meu! Você tem a sua mãe, você tem tudo... Por que você quer o meu pai também? — Eu não quero tirar ele de você... a minha mãe disse que seríamos uma família... — Mentira! ela berrou, fechando a porta na minha cara com tanta força que o quadro do corredor tremeu. Fiquei ali, parada no escuro, olhando para a madeira da porta. Pela primeira vez, senti um frio que não vinha do vento. Naquela noite, a Clarisse que dividia as bonecas comigo morreu. No lugar dela, nasceu uma menina que via a minha existência como uma ameaça. Eu era a intrusa que tinha trazido a mãe para ocupar o lugar da dela, e que agora "roubava" os abraços do pai que restava. Dali para frente, o "nós" deixou de existir. Começou a ser "eu contra ela", embora eu tenha demorado anos para entender que a guerra já tinha começado. .....— Você me deixou de lado, acolheu a Clarisse, me deixou sozinha, enquanto estava com ela! Eu me afastei, passando a mão no rosto, sentindo o mundo desabar. — Quando?! exigi saber, a mandíbula tão tensa que chegava a doer. — Ricardo, a gente está bem agora... — QUANDO?! Vociferei e ela parou tensa. — Quando a Clarisse esfregou na minha cara que você tinha tocado nela! ela disparou, a voz baixa, mas cortante. — Que você tinha transado com ela sem se importar com o que eu sentia! O sangue subiu para a minha cabeça. Eu olhei para ela, o corpo todo tremendo. — Você transou com ele? — Ricardo... ela tentou se aproximar, mas eu recuei como se o toque dela me queimasse. — VOCÊ DEIXOU ELE TE TOCAR! Eu perdi a cabeça de vez. O ódio que eu sentia pelo Roman se transformou em algo assassino. Eu não ia ficar ali ouvindo explicações. Eu ia acabar com aquele desgraçado. Virei as costas e fui em direção à porta. — Ricardo, volta aqui! ela gritou, corr
A luz da manhã começou a desenhar sombras suaves pelas paredes do quarto, mas o silêncio ali dentro era sagrado. Acordei primeiro, sentindo o peso do braço do Ricardo sobre a minha cintura e o calor da respiração dele na minha nuca. Por um momento, fiquei apenas ali, estática, deixando a ficha cair: a noite passada não foi um sonho. O caos, a entrega, a promessa de um casamento de verdade... tudo tinha acontecido. Me virei devagar, tentando não despertá-lo. Ele dormia com uma expressão que eu raramente via: relaxado, quase vulnerável. Sem aquela armadura de homem de negócios ou de marido amargo que ele vestiu por sete anos. Olhando para ele, entendi que não dava mais para adiar. Eu não podia entrar nesse novo capítulo carregando pontas soltas. Estiquei o braço e peguei meu celular na mesa de cabeceira. A tela brilhou, revelando algumas notificações, incluindo uma mensagem de boa noite do Roman. Meu peito apertou. Ele era a paz que eu achei que precisava, o porto s
Rosnou enterrando as mãos nos meus cabelos, os nós dos dedos brancos de tensão. Eu o possuía ali, fazendo ele delirar com cada movimento, cada sucção, lembrando a ele de que nenhuma outra mulher no mundo saberia o caminho do seu prazer como eu. Ricardo não aguentou ser apenas o espectador. Com um movimento brusco e possessivo, ele me puxou para cima, invertendo nossas posições. Ele prendeu meus pulsos acima da cabeça, entrelaçando nossos dedos com uma força que dizia "daqui você não sai mais". — Minha safada... ele sibilou, os olhos escuros de luxúria e entrega. Ele me tomou com uma estocada profunda, firme, que pareceu reorganizar tudo o que estava quebrado dentro de mim. Soltei um gemido longo, arqueando as costas, sentindo o preenchimento absoluto que só ele conseguia me dar. Não era apenas sexo, era o retorno ao lar. Era o tesão de dias, meses, anos de frustração explodindo em movimentos rítmicos e vorazes. E eu era tão... Louca por esse homem. O envolvi com
Comecei pelo cabelo. Soltei o coque impecável que ela tinha feito, sentindo os fios descerem pelos meus dedos, espalhando aquele cheiro que me deixava louco. Minha boca não saía do pescoço dela, sentindo cada pulsação acelerada. Levei minhas mãos até as costas dela, encontrando o fecho do vestido vermelho descendo o zíper devagar, sentindo o tecido de seda escorrer pela pele dela, revelando cada curva que eu tinha decorado em pensamento. — Ricardo... ela suspirou, as mãos subindo pelos meus ombros. Ela não ficou atrás. Paloma agarrou as lapelas do meu terno e o jogou no chão sem o menor cuidado. Depois, as mãos dela foram direto para a minha camisa, abrindo os botões um por um, com uma pressa que me incendiava. Eu fiquei só de camisa aberta, sentindo as mãos pequenas dela tocarem o meu peito nu, as unhas arranhando de leve, marcando o território dela. A saudade estava no talo. Meus olhos estavam devotos, focados em cada detalhe dela como se fosse uma aparição. Não ti





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