O ARREPENDIMENTO DO EX MARIDO

O ARREPENDIMENTO DO EX MARIDO PT

Romance
Última atualização: 2026-04-09
Coruja literária   Atualizado agora
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Índice

O amor não deveria ser uma sentença, mas no meu caso, ele foi o martelo que bateu o juiz. Eu me apaixonei pelo ex-namorado da minha irmã. Não foi planejado, não foi uma traição arquitetada nas sombras. Ele tinha sido abandonado por ela, deixado em pedaços no chão, e eu... eu fui a única que estendeu a mão. Foi impossível resistir àquela dor que espelhava a minha própria solidão. Dois meses depois, o resultado do exame de farmácia brilhou nas minhas mãos como uma condenação: grávida. O apoio que eu esperava da minha família se transformou em um tribunal de execução. Meu próprio pai me expulsou de casa com o olhar carregado de nojo. Eu me casei com ele sob o peso da obrigação. E vivi sete anos em um deserto. Ricardo nunca me amou, ele estava fisicamente ali, mas sua alma parecia estacionada na porta, esperando o retorno daquela que o destruiu. e então eu pedi o divórcio. Mas o destino pregou sua última peça: nosso pai morreu. Justo agora, quando o caminho dele estava livre. E ela voltou. Clarisse apareceu como se nunca tivesse partido, pronta para tomar tudo o que ela considera dela por direito, inclusive o homem que eu chamei de marido. Nosso divórcio era para ser simples. Um aperto de mãos, uma assinatura e o fim. Mas algo mudou. Por que ele me persegue agora? Por que me olha como se estivesse me vendo pela primeira vez em quase uma década? Se ele sempre a quis, por que agora não fica com ela? ....

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Capítulo 1

capítulo 01

PALOMA:

Sete anos cabem em quatro folhas de papel A4.

Eu olhava para o documento sobre a mesa de carvalho escura de Ricardo e sentia o peso de cada dia, de cada hora em que respirei o mesmo ar que ele, esperando por um olhar que nunca veio.

O papel do divórcio estava ali, branco, frio e assinado. A tinta da rubrica dele ainda parecia fresca, mas a decisão, eu sabia, fora tomada no instante em que ele colocou a aliança no meu dedo, sete anos atrás. Ele nunca esteve lá.

E ele nunca esteve lá, não de verdade.

Eu passei a vida mendigando afeto, como quem junta migalhas debaixo de uma mesa farta onde eu nunca fui convidada a me sentar.

Primeiro foi minha mãe, que sempre olhou para Clarisse com o brilho que eu desejava para mim.

Depois meu tio, o homem que chamei de pai, que me deu tudo o que o dinheiro podia comprar, mas me negou o perdão quando eu mais precisei.

E, por fim, Ricardo.

Ricardo, o homem que eu amei com cada fibra do meu ser e que me retribuiu com uma cortesia gelada.

Esperava sentada a oportunidade de entrar para falar com ele.

Qualquer outra esposa entraria sem precisar ser anunciada, mas eu não...

Sempre houve um muro entre nós, não importava o que eu fizesse para quebrar.

A porta do escritório se abriu e Letícia, a secretária saiu de lá com o sorriso vitorioso nos lábios.

Ela era melhor amiga de Clarice e fazia questão de me humilhar em cada oportunidade, uma extensão do veneno da minha prima dentro da minha própria vida.

Ricardo sabia disso, eu implorei para que ele é admitisse, contei sobre as palavras ácidas mas ele apenas permitia. Para ele o meu desconforto era irrelevante diante da eficiência dela.

— Ricardo, você tem visita.

Ela disse assim que me viu com uma intimidade que me cortou como navalha.

Entrei na sala sentindo o ar rarefeito. Ricardo estava sentado atrás da mesa, a postura impecável, o rosto esculpido em gelo.

Ele me olhou com aquela frieza de quem nunca me desejou, apenas me suportou por uma questão de honra.

Casamos por causa do nosso filho, Henry.

Ele foi um "homem honrado" que assumiu a mulher que engravidou em um momento de carência, mas nunca me perdoou por não ser a mulher que ele realmente queria.

— Aqui está...

eu disse, colocando o papel assinado diante dele.

— É o nosso divórcio, eu assinei.

Ele me olhou, seus olhos verdes tão potentes e imponentes eram como duas barras de gelo.

— Não precisava vim até aqui pra deixar isso, o advogado traria pra mim ou devia ter entregado a Letícia.

— quando assinei o papel do nosso casamento, eu fiz com você Ricardo, eu só queria deixar diretamente para você.

— Claro, você não perderia a oportunidade de vim me atrapalhar, no meu trabalho.

Enchi o peito de ar, estava tão cansada disso.

— Eu, não vou mais atrapalhar seu trabalho.

Girei os calcanhares pra sair daquela sala, daquela empresa e de perto daquele homem que nunca conheci de verdade, esperando nunca mais precisar cruzar aquela porta.

Mas sua voz chamou mais uma vez minha atenção.

— Onde está o Henry?

ele perguntou, sem sequer comentar sobre o fim oficial do nosso casamento.

— Na escola.

— Não precisa ir buscá-lo. Eu vou pegá-lo para passar o fim de semana comigo.

Senti um aperto no peito. Henry era minha única âncora, o único amor que não era feito de restos.

— Ricardo, ele tem uma rotina. Você pode pegá-lo amanhã à tarde, me deixe ao menos prepará-lo...

— Nosso acordo foi de guarda compartilhada, Paloma.

ele me interrompeu, a voz desprovida de qualquer emoção.

— Eu não preciso de autorização para ver meu filho. Já deixei metade de tudo o que é meu para você, você assinou o acordo. Não dificulte as coisas.

— Por favor...

minha voz falhou.

— Me deixe pegá-lo na escola hoje. Eu o ajeito em casa e você o busca à noite. Só hoje.

Ele suspirou, olhando para o relógio como se eu fosse um compromisso atrasado.

— Está bem. Às dezenove horas eu passo lá. Já terminou? Tenho muita coisa para resolver.

Saí dali derrotada, me sentindo minúscula.

Por tanto tempo eu tentei me acostumar com aquele jeito dele, me acostumar com a sua frieza, entender que era só aquilo que ele tinha oferecer para mim, já que ele era tão diferente para os outros.

Por muito tempo tentei fazer aquilo ser suficiente, porque eu amava, mas hoje vejo quanto eu fui tola.

Dirigi até a escola em um transe de dor.

Quando Henry apareceu, com seu sorriso largo e os olhinhos brilhando, meu mundo parou de sangrar por um segundo.

— Mamãe!

O abracei com todo meu amor.

— vamos passar no parque hoje? Você prometeu.

Coloquei ele no carro, fivelando seu cinto, o pequeno me olhou curioso.

— Mamãe, por que você não vai com o papai?

— A gente já conversou sobre isso, amor. Eu e seu pai não estamos mais juntos.

— Então ele não vai mais morar mais com a gente?

— Não, meu bem. Ele vai morar na casa dos vovôs por enquanto. Obedeça a ele, está bem?

O silêncio do meu filho doeu mais que qualquer grito, porque eu sei que ele sentia.

Nenhuma separação é fácil pra criança e tudo que eu menos queria era que meu filho sentisse o que eu sempre senti na vida.

Fiz tudo como sempre faço, dei banho, a refeição, ajeitei a mochila pra ele levar com roupas e sua manta favorita.

Pouco depois, o som da buzina cortou o ar da tarde.

Ricardo havia chegado. Peguei a mochila de Henry e o levei até a porta. Eu me abaixei, ficando na altura dele, e beijei sua testa.

— Eu te amo.

sussurrei.

— Também te amo, mamãe. Muito?

ele perguntou, nossa rotina de todos os dias.

— Muito. I love forever.

— I love forever.

ele repetiu, sorrindo. Era o nosso código, a única coisa pura que me restava.

Ricardo desceu do carro. Henry correu para os seus braços. Tentei entregar a bolsa com as roupas favoritas do menino, mas Ricardo apenas balançou a cabeça.

— Não precisa de nada, Paloma. Eu já comprei tudo o que ele vai precisar lá.

Aquelas palavras foram como uma faca. Ele estava apagando meus rastros da vida do meu filho, provando que até na maternidade ele podia me tornar desnecessária.

— Que horas você o traz no domingo?

perguntei, tentando manter a voz firme.

— Eu vejo isso no domingo.

ele respondeu, fechando a porta do carro.

Enquanto ele acomodava Henry, meu celular tocou. Olhei a tela e meu coração parou. Maik. Meu irmão mais novo, que me desprezava há sete anos, o mesmo que Clarisse convenceu a me odiar.

O mesmo que quando foi expulsa de casa, desejou que eu me destruísse, tudo porque sua irmã favorita Não Era Eu.

Ele nunca me ligava, nunca.

Desde o dia em que foi taxada de traidora por amar... Ele me desprezou, me humilhou como todos os outros.

A dor no meu coração foi tanta, mas sabia que se ele estava me ligando é porque algo tinha acontecido.

Atendi em silêncio esperando sua voz.

— Paloma?

a voz dele estava embargada e eu senti um grande fisgar no meu coração.

— A mãe mandou te ligar. O pai... ele teve um ataque cardíaco. Ele está no hospital. Você precisa vir agora.

O aparelho escorregou da minha mão, batendo no asfalto.

O homem que me amou como filha e depois me jogou no exílio da sua indiferença estava morrendo.

...

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