Mundo de ficçãoIniciar sessãoPALOMA:
O silêncio da minha casa era o único abraço que eu conseguia suportar. Assim que a porta se fechou, eu desabei. Sentei no tapete da sala, o mesmo que já presenciou tantas risadas, que recebeu meu pequeno menino nos primeiros passos, hoje era testemunha da maior dor da minha vida. Não conseguir segurar mais, soluçando um choro que estava preso há sete anos. Henry me rodeou com seus bracinhos, o rosto banhado em preocupação, ele não entendia a complexidade daquele ódio, mas sentindo cada grama da minha dor. — Desculpa, meu amor... me perdoa. eu sussurrava, beijando suas mãos pequenas. — Vai passar, eu prometo que vai passar. A mamãe só precisa de um tempo para respirar. — Vai ficar tudo bem... A campainha tocou suavemente. Limpei o rosto, tentando montar a máscara de força que eu não tinha. — você quer brincar um pouco? Eu subo já já pra dar um banho em você, você quer? — Hurrum. Ele acenou, beijei mais um vez sua cabeça. — Vai lá, vai.... Meu amor. Ele subiu as escadas. Respirei fundo e fui até a porta, abrir. Era minha tia. Ela entrou sem dizer nada, apenas me envolveu em um abraço que cheirava a infância e a segurança. — Chora, Paloma. Coloca tudo para fora. ela disse, me conduzindo até o sofá. — Eu perdi tudo... Tudo que eu tinha, tia Cassia. Ela me abraçou mais forte, me permitindo momentos de silêncio. — Você precisa se reerguer, querida. minha tia começou, com aquela voz madura que traz o peso da realidade. — Eu conhecia meu irmão. Se seu pai estivesse aqui, com a cabeça lúcida, nunca deixaria que fizessem esse circo com você. Sua mãe... ela está perdida no próprio egoísmo, j**a uma carga em você do passado que nem é seu, mas você não pode carregar a culpa dela. — Eu não traí ninguém, tia. minha voz saiu rouca. — Eles estavam separados quando aconteceu. Eu me apaixonei... eu era jovem e carente, e o Ricardo... era o porto seguro que eu desejava. Eu não pensei que, no dia seguinte, ele fosse me olhar com aquele nojo, como se eu fosse um erro. E aí eu engravidei. Eu nunca vou me arrepender do Henry, ele é a minha vida, mas eu estou exausta de ser a vilã de uma história onde todos erraram. — Eu sei, eu sei! Sua mãe me enoja por isso, por que ela passou anos amando o meu irmão, mas se envolveu com seu pai, dois irmãos e o seu nascimento, você entende que isso não é sobre você? Que isso é a familiaridade que ela tem com a Clarisse, de alegar um amor que ela mesmo abandonou. — Eu só quero esquecer tudo isso. Ela acenou compreendendo minha dor. — E o divórcio? Como ficaram as coisas? — Assinei. Ele vai dar continuidade. Vou ficar com a casa, o carro e uma parte do dinheiro. Eu não quero luxo, tia. Não quero nada que venha da "piedade" dele. Eu só quero o direito de recomeçar. Minha tia segurou minhas mãos, firme. — E você vai. Você é enfermeira, é competente e tem um coração que ninguém ali conseguiu corromper. O som de um motor potente estacionando na frente da casa interrompeu o momento. O meu corpo tencionou instantaneamente. Eu conhecia aquele som. Ricardo. — É ele... Limpei os olhos mais uma vez. — Eu vou permanecer na cidade, conte comigo pro que você precisar, não vai ficar desamparada. Acenei que sim com um sorriso grato. Assim que abri a porta. Ele estava lá, com a postura impecável de sempre, mas os olhos pareciam inquietos. — Amanhã eu volto, quando você estiver em casa. — Obrigado tia Cassia. — Não agradeça por isso, é o mínimo que fazemos quando honramos a família que construimos. Ela soltou aquelas palavras pra ele, e eu vi quando ele tencionou a mandíbula quando ela se afastou. Henry ouviu a voz do pai dele e veio para a sala, mas ao ver o pai, ele recuou, se escondendo atrás de mim. — Ei... Vem cá filho, eu vim ver como você está, vem aqui? Ricardo disse, tentando suavizar a voz. — Eu não quero ir! A voz do nosso filho me partiu o coração. — Você fez a mamãe chorar! Eu não gosto daquela mulher. Ricardo deu um passo à frente, o rosto obscurecido pela irritação. Ele olhou para mim com acusação. — Filho, pode preparar o banho? Han? Você lembra como faz? — Sim. — Então faz isso pra mamãe? As coisas que você ouviu, são conversas de adulto, pode esperar a mamãe no quarto? Ele acenou que sim subindo sem olhar pra trás. — O que você colocou na cabeça dele, Paloma? Você está usando o menino para se vingar de mim? Esperei não o vê totalmente pra olhar pro Ricardo de novo. Toda aquela tristeza estava se tornando raiva, uma armadura tão firme que me deixava petrificada por dentro. Oca. — Ele tem olhos, Ricardo! rebati, sentindo a raiva queimar a minha tristeza. — Ele estava lá. Viu tudo. A sua "amada" chamou nosso filho de moeda de troca na frente dele. Ela o humilhou para me atingir. — Clarisse não faria isso. Ela está sofrendo, está confusa... ele começou a defendê-la, como sempre fazia. Eu soltei uma risada amarga, balançando a cabeça. — É claro... a sua doce Clarisse nunca faria isso. Eu é que sou a mentirosa, não é? A mulher manipuladora que quer sua atenção a qualquer custo. Que usa o nosso filho pra ter sua atenção. É isso que você pensa de mim depois de sete anos? — Paloma, você está falando bobagens... — O nosso casamento acabou. O nosso filho, continua... E eu vou honrar com minha palavra, com nosso acordo, mas não preciso que você venha verificar se estou cuidando bem do meu filho quando você não está por perto. Funguei o líquido do nariz, devido ao choro, com toda certeza meus olhos estavam fundos, meu nariz rosado e uma fisionomia deplorável. Mas não me importei, ele nunca sentiria dor ao me ver assim, ele nunca se importou. — Vá viver sua felicidade com ela. Não se preocupe, eu não vou mais atrapalhar vocês. Não vou mais carregar o peso de ter "te seduzido", quando nós dois sabemos muito bem a verdade daquela noite. Por favor, vai embora. Apontei para a porta. Ricardo parecia paralisado, como se as minhas palavras tivessem finalmente perfurado a armadura dele. — Eu vou conversar com o nosso filho... continuei, baixando o tom. — Vou explicar que você é o pai dele e que ele deve te respeitar. Isso não vai mais acontecer. Mas hoje... hoje ele fica comigo, você já tem tudo que queria de volta Ricardo, só... Me deixe em paz, por favor. Vá para onde seu coração sempre esteve. Ele me olhou por um longo tempo, a boca entreaberta como se quisesse protestar, mas o peso da verdade era grande demais. — Pegarei ele na escola amanhã... Ele girou nos calcanhares e saiu, fechei a porta e encostei a testa na madeira fria. — Acabou... sussurrei, sentindo o coração dilacerado. — Nunca mais... Eu vou amar ninguém como amei você Ricardo... Nunca mais. ....






