Mundo de ficçãoIniciar sessãoArthur Volpi é um homem de negócios implacável. Conhecido como o "Inverno de Manhattan", ele construiu um império com mãos de gelo e uma alma que aprendeu a não sentir. Viúvo. Amargo. Vive sozinho em uma cobertura de vidro e aço, onde o silêncio é a única regra e o afeto é tratado como um erro estratégico. Sua única fraqueza tem seis anos e se chama Lara. Desde a tragédia que destruiu sua família, a filha de Arthur parou de falar. Enterrou a voz no mesmo lugar onde enterrou a mãe — e o pai, desesperado em silêncio, não sabe como alcançá-la. Elena Santos é o oposto de tudo o que Arthur tolera. Ela é sol. É caos. É música em uma casa que só conhece o eco. Estudante de psicologia com as contas atrasadas e um passado que ainda sangra, Elena aceita o emprego de babá como sua última esperança. Ela entra na mansão Volpi com uma missão: trazer a voz de Lara de volta. O que ela não esperava era despertar o monstro adormecido no coração de seu chefe. O que começa com olhares gélidos e ordens ríspidas logo se transforma em uma tensão sexual insuportável. Arthur tenta domá-la. Humilhá-la. Mantê-la a uma distância segura. Mas Elena é a única pessoa que não baixa os olhos diante da fúria dele. Entre jantares solitários e sussurros nos corredores da mansão, o desejo explode em um jogo perigoso de poder e submissão. Mas há um preço. Elena guarda um segredo que pode destruir o império de Arthur. E Arthur guarda uma escuridão que pode consumir a alma de Elena.
Ler maisO endereço era num bairro que eu só conhecia de novela. Sabe aqueles lugares que têm mais árvore do que gente? Pois é.
O portão abriu sem fazer barulho. SILÊNCIO. Na minha casa tudo range, tudo chia, tudo reclama. Ali parecia que até o ar tinha medo de fazer barulho. A casa era enorme. Mas não daquele jeito brega de novo-rico com coluna e leão de mármore. Era uma casa que sabia que era cara. Que não precisava provar nada pra ninguém. Muro alto, hera trepando, jardim perfeito. A porta de madeira parecia que custava mais do que tudo que eu já ganhei na vida. Uma mulher de uniforme abriu. Me olhou. Me mediu. Eu senti o olhar dela descendo, descendo, descendo até os meus sapatos de couro falso rachando na lateral. Eu queria sumir. Virar fumaça. — Oi, você deve ser Elena — ela disse. Voz eficiente. Como se estivesse lendo um manual. — Sim — minha voz saiu meio estrangulada. Que ódio. — O senhor Volpi está esperando. O corredor. Madeira lustrosa. Meu reflexo no chão. Meu Deus, como eu estava acabada? A minha única blusa social com a gola desfiada. Meu cabelo que eu tentei alisar mas já tava armado de novo. Eu parecia... eu parecia o que eu era. Uma intrusa. A sala. Meu coração disparou de novo. Sofá de couro bege que parecia uma nuvem. Tapete persa. Livros. Plantas enormes. Lareira — quem tem LAREIRA em São Paulo? Gente que não precisa se preocupar com o preço do gás, só pode. E ele. Sentado. Nem se levantou. Arthur Volpi. Camisa branca, manga dobrada, barba perfeita, olhos escuros que não pediam licença pra nada. Ele me olhou. Dos pés à cabeça. Vagarosamente. Como se eu fosse um documento que ele estava lendo antes de amassar e jogar fora. — Sente-se — disse. Nem era uma ordem. Era uma sentença. Sentei. Na beirada. O couro rangeu embaixo de mim e eu juro que quis morrer ali mesmo. — Me diga por que eu deveria contratar você — ele fez uma pausa, e os olhos dele DESCERAM pra minha gola desfiada, SIM, ELE VIU — e não as centenas de mulheres que se candidataram, e muito mais qualificadas que você. Um soco. Sabe quando alguém te dá um tapa e você fala "não doeu"? Dói, sim. Doeu pra caralho. — Senhor, eu sou muito proativa e... — Sabe por que estou fazendo essa entrevista pessoalmente? — ele me cortou. Nem deixou terminar. — Não, senhor — eu disse, com a voz já meio falhando. Raiva. Vergonha. Os dois misturados. — Porque meus filhos são tudo para mim. — Ele inclinou o corpo um pouco. Só um pouco. Mas foi o suficiente pra eu sentir o peso. — E você não me parece a pessoa ideal. Não me parece. QUEM ele pensa que é? Quem ele pensa que sou? Eu queria gritar. Queria falar que não sou só a minha roupa. Que não sou só a minha cara de cansada. Que eu estudei, que eu lutei, que eu sobrevivi a coisas que ele nem imagina. Mas eu precisava do emprego. Respirei. Fundo. Me segurei. — Senhor, se me der essa chance, eu prometo que vou me esforçar — minha voz TREMEU, droga, ela tremeu — eu preciso mesmo desse emprego. Eu preciso. Mostrei a carta. Mostrei o desespero. Ele viu. Os olhos dele brilharam alguma coisa. Não sei o quê. Tal pena? Talvez tédio? Não sei. Só sei que ele já tinha me descartado. — Entendi — ele disse, recostando. — Mas não vai ser possível. Você é inexperiente demais e muito jovem. Inexperiente. Muito jovem. Me levantei. Minhas pernas tremiam, mas eu não ia deixar ele ver. Ajeitei a bolsa no ombro. Puxei o cabelo. Olhei pra ele. — O senhor está certo — eu disse. Minha voz saiu limpa. Clara. Fria. A única coisa limpa em mim naquele momento. — Os seus filhos devem ser tudo para você. Por isso mesmo, eles mereciam alguém que soubesse olhar para uma pessoa sem julgá-la pelo que ela veste. Alguém que entendesse que a necessidade não é vergonha, e que juventude não é defeito. Mas o senhor não vai encontrar essa pessoa hoje. Virei as costas. Atravessei a sala. O tapete persa debaixo dos meus sapatos furados. A lareira fria. Os porta-retratos com os sorrisos das crianças. Eu não era a pessoa ideal. Nunca fui.ArthurEla tava ali.Sentada na bancada de mármore, perna aberta, a boca vermelha, o olhar desafiando. A calcinha no chão. O sutiã caído. O peito marcado de vermelho onde eu tinha mordido. E eu com a calça no meio da coxa, pau latejando de tesão, o cheiro dela no meu dedo, na boca, no peito.Sabia que se eu deixasse passar, ia me arrepender.— Cala a boca — mandei. Não era bravo. Era ordem.E entrei.O gemido dela foi abafado, mas eu ouvi. Senti.A carne quente, apertada, molhada — me engolindo por inteiro.Segurei com força na cintura dela e comecei a meter. Sem carinho, sem conversa. Só o som do meu quadril batendo no dela, a bancada rangendo, o corpo dela reagindo. Ela tentava manter o controle, mas eu vi a cara dela se perder.Segurei o cabelo dela. Puxei com força até o pescoço ficar bem exposto. Mordi ali. Deixei marca. Ela gemeu de novo.Ela queria fogo? Eu ia queimar ela inteira.Soltei o cabelo. Dei um tapa na cara dela. Seco. Estalado. O rosto virou, mas ela voltou com o olh
— Você quer isso? — perguntou, os olhos nos meus olhos.— Quero.— Mesmo sabendo que alguém pode entrar?— Melhor ainda.— Mesmo sabendo que eu posso te machucar?— Você não vai.Ele me beijou de novo. Mais fundo. A mão desceu para minha coxa, subiu por baixo do meu vestido, apertou minha carne. Eu me agarrei no cabelo dele, puxei, gemi dentro da boca dele.— Tira isso — ele pediu, puxando o vestido.Levantei os braços. Ele tirou. Meu corpo ficou nu da cintura para cima. Sutiã de renda preta — o único bonito que eu tinha. Ele olhou. Os seios, o tecido fino, os mamilos já duros.— Linda.— Para de falar isso.— É verdade.A boca dele desceu. Beijou meu pescoço. Mordeu de leve. Desceu para o meu peito. A língua molhada no tecido fino. O mamilo endurecendo mais. Eu joguei a cabeça para trás.— Arthur...— Falei para não usar meu nome.— Arthur... Arthur... Arthur...Ele mordeu. Puxou o sutiã para baixo com os dentes. Meu peito ficou exposto. A boca dele sugou. A língua circulou.Meu corp
ElenaO dia amanheceu quente.Não daquele jeito normal de São Paulo, com sol amarelo e céu azul. Era um calor pesado, de apertar o peito, de fazer a pele suar só de pensar em sair da cama. As crianças estavam na piscina desde as oito da manhã, o Léo gritando "OLHA, EU SEI MERGULHAR" e a Lara rindo baixo, coisa rara, que me aqueceu o coração.Eu estava sentada na grama, com um livro de psicologia aberto no colo, mas não lia nada. Meus olhos estavam ali, sim, mas minha cabeça estava em outro lugar. No escritório. Nele.Arthur não tinha saído de casa naquele dia. Ficou no escritório a manhã inteira, a porta trancada, as cortinas fechadas. Eu não sabia o que ele fazia ali dentro. Trabalhava? Pensava? Se arrependia da noite anterior? Se arrependia do beijo no corredor, da mão dele na minha coxa, do quase na cozinha?Eu queria subir. Queria bater na porta. Queria perguntar.Mas não podia. Era funcionária. Era babá. Era nova demais. Era inexperiente demais.Era.Era o quê? Apaixonada? Carent
A semana com Dona Marguerite foi... intensa.Não no sentido ruim. Ela não gritava, não batia porta, não fazia escândalo. Mas ela estava lá. O tempo todo. Sentada na poltrona da sala, tomando chá, observando. Como um juiz silencioso. Ou uma águia de cabelo branco.Ela observou eu dando café da manhã para as crianças. Observou eu cortando cenoura em formato de estrela. Observou eu lendo história antes de dormir, fazendo voz de monstro para o Léo rir, desenhando ao lado da Lara em completo silêncio.No terceiro dia, ela falou:— Você não desgruda do celular.— A senhora notou?— Noto tudo. É dom de mãe. E de avó.— Eu uso o celular para falar com minha amiga da faculdade. E com a minha orientadora. E para pesquisar receitas de cenoura em formato de estrela.— Hum.— A senhora não gosta?— Não gosto que babás fiquem no celular enquanto as crianças brincam.— Eu nunca fico. Elas dormem quando eu uso.— Dormem?— A Lara tem pesadelo. Acorda no meio da noite. Eu converso com ela. Depois volt





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