PALOMA: Sete anos cabem em quatro folhas de papel A4. Eu olhava para o documento sobre a mesa de carvalho escura de Ricardo e sentia o peso de cada dia, de cada hora em que respirei o mesmo ar que ele, esperando por um olhar que nunca veio. O papel do divórcio estava ali, branco, frio e assinado. A tinta da rubrica dele ainda parecia fresca, mas a decisão, eu sabia, fora tomada no instante em que ele colocou a aliança no meu dedo, sete anos atrás. Ele nunca esteve lá. E ele nunca esteve lá, não de verdade. Eu passei a vida mendigando afeto, como quem junta migalhas debaixo de uma mesa farta onde eu nunca fui convidada a me sentar. Primeiro foi minha mãe, que sempre olhou para Clarisse com o brilho que eu desejava para mim. Depois meu tio, o homem que chamei de pai, que me deu tudo o que o dinheiro podia comprar, mas me negou o perdão quando eu mais precisei. E, por fim, Ricardo. Ricardo, o homem que eu amei com cada fibra do meu ser e que me retribuiu com uma cortesia g
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