O hospital tinha um cheiro de éter e finais inevitáveis. Eu estava ali, a poucos metros da minha mãe e do meu irmão, mas a distância entre nós não era medida em passos, e sim em abismos de silêncio e rancor. Eu via o desespero de Maik, o modo como ele socava a parede e depois cobria o rosto com as mãos, destruído pela perda do homem que ele idolatrava. Via minha mãe, Márcia, encolhida em uma cadeira, o rosto pálido e as mãos trêmulas. Meu coração gritava para que eu corresse até eles. Eu queria envolver Maik em um abraço de irmã mais velha, queria segurar a mão da minha mãe e dizer que, apesar de tudo, eu também estava sangrando. Mas eu não era bem-vinda. Cada vez que meus olhos encontravam os deles, eu sentia a repulsa. Para eles, eu era a mancha na história da família, a intrusa que causara desgosto ao patriarca até o seu último suspiro. Fiquei no canto, as costas encostadas na parede fria, sem conseguir derramar uma única lágrima. Meus olhos estavam secos, petrificados p
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