Mundo de ficçãoIniciar sessãoÍsis Soares sempre soube que o seu destino seria decidido pela tradição. Filha de uma das famílias mais influentes do país, ela aceita um casamento por contrato que uniria os impérios Soares e Lucchese. E, para sua surpresa, o noivo escolhido é Guilherme Lucchese — o homem por quem nutre uma paixão secreta há anos. Gentil, charmoso e aparentemente perfeito, Guilherme transforma o acordo em algo que Ísis acredita poder suportar… talvez até ser amada. Mas o destino destrói seus planos de forma cruel. Após a morte repentina de Juliano em um acidente de carro, Ísis ainda vive o luto quando recebe uma nova sentença: deverá se casar com Henrique Lucchese, o irmão mais velho do seu falecido noivo. Frio e distante, Henrique é tudo o que Juliano nunca foi. Um homem fechado e que sempre deixou claro ser contra aquela união. Agora, presos em um casamento forçado, os dois precisarão conviver sob o mesmo teto enquanto o ódio, a tensão e um desejo proibido começam a consumir cada limite entre eles. Entre mentiras, revelações perigosas e verdades capazes de destruir duas famílias poderosas, Ísis descobrirá que talvez o amor não estivesse destinado ao homem que ela idealizou… mas ao herdeiro substituto. Porque algumas paixões nascem do destino. Outras… do caos.
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Desde o momento em que acordei, havia algo diferente no ar, como se cada minuto do dia estivesse me empurrando inevitavelmente para um ponto sem volta. Esta noite meu destino seria decidido. E no meio de toda essa tensão e expectativas que não eram só minhas, eu carregava uma esperança misteriosa por já conhecer o nome por trás do acordo: Guilherme Lucchese. Guilherme não era um estranho para mim, mesmo sem termos realmente convivido, sem muitas conversas longas ou muita proximidade. Eu o via em eventos, sempre cercado de pessoas, sempre gentil e sorridente. Diferente dos outros ele não precisava chamar atenção, havia algo nele que se fazia ser notado. E eu gostava disso, e talvez tenha sido aí que tudo começou, na admiração e na curiosidade, além da sua beleza que atraia olhares por onde passava. Foi então que um sentimento cresceu em silêncio dentro de mim, uma paixão platônica e segura. Talvez eu tenha escolhido enxergar o que queria ou talvez eu tenha ignorado qualquer coisa que fugisse da imagem perfeita que criei dele. E no caminho para o jantar dessa noite, esse sentimento voltava com força. Porque no meio de tudo que eu não podia controlar, a ideia de que se fosse com ele, não seria tão ruim. Talvez de uma forma distorcida, seria até certo, mesmo que essa certeza fosse construída apenas por mim. E no auge dos meus 25 anos, eu sabia que o momento de me casar chegaria e não seria eu quem escolheria meu futuro marido. — Fique ereta. A voz da minha mãe veio suave, mas firme, enquanto seus dedos ajustavam mais uma vez a manga do meu vestido. — Está ótimo, mãe. — murmurei, sem muita paciência. Ela não respondeu, apenas continuou analisando cada detalhe meu como se estivesse revisando uma obra antes de ser exposta, ou melhor, negociada. — Agora sim. — disse, satisfeita, afastando as mãos devagar. Desviei o olhar para a janela, tentando me acalmar. O movimento do carro, as luzes da cidade passando rápidas e o silêncio carregado. — Preste atenção. — a voz do meu pai cortou o silêncio prática e direta como sempre. — A família Lucchese valoriza postura, discrição e segurança. — Eu sei. — Não é só sobre o que você diz — ele continuou. — É sobre como você se comporta. Como se posiciona. Como responderá. — Alberto… — minha mãe chamou, em um tom leve de advertência. Mas meu pai não parou. Claro que não. Era um negócio. — Eles precisam ver que você entende o que está em jogo, Ísis. — Eu sei disso pai. — assenti, apertando levemente o tecido do meu vestido. — Ótimo. — ele disse, satisfeito. — Porque essa união não pode falhar. — Não assuste a menina. — minha mãe interveio, colocando a mão sobre a minha, em um gesto que deveria ser reconfortante, mas não era. — Ela não é mais uma menina, Ângela. Ísis é uma mulher e está pronta. Se ser uma mulher e estar pronta era aceitar sem questionar, talvez ele estivesse certo. — Ísis, seja você mesma. — minha mãe me disse com suavidade. Aquilo soava bonito, mas não era exatamente verdade, não nesta noite. — Eu vou ser. — respondi com um sorriso nervoso, tentando sustentar a ilusão. O carro avançou lentamente assim que os portões se abriram. Tive a sensação de estar atravessando um limite invisível. À nossa frente o jardim surgiu perfeito, meticulosamente alinhado. Era bonito de um jeito frio e intocável. A mansão era tão imponente quanto a nossa, talvez até mais. As luzes acesas destacavam as linhas elegantes e modernas. — Lembre-se — meu pai disse, antes que o carro parasse completamente — , isso é maior do que você. Engoli em seco me sentindo pequena. Quando o carro finalmente parou e o motorista abriu a porta, o ar da noite entrou leve contrastando com o frio do ar condicionado e a ansiedade que pesava no meu peito. Meus saltos tocaram o chão de pedra com um som seco, enquanto meus pais se mantiveram ao meu lado, como se estivessem entrando em mais uma reunião importante. — Boa noite. A família Lucchese os aguarda. — O mordomo com um uniforme impecável, postura ereta e expressão neutra nos cumprimentou. Atravessei o hall de entrada tentando me distrair com a grandeza do interior. O piso de mármore, as obras de arte e a iluminação suave gritavam luxo. Tudo perfeito e calculado. Meu coração acelerou ainda mais com o pensamento que eu estava prestes a vê-lo. Minhas mãos estavam frias. — Por aqui — o mordomo nos conduziu por um corredor amplo. Ele então abriu as portas duplas da sala e eles já estavam ali. Melânia e Teodoro se levantaram quase ao mesmo tempo, impecáveis, elegantes e com sorrisos calculados que não chegavam aos olhos completamente. — Sejam bem-vindos. Melânia, disse. — É um prazer recebê-los. Cumprimentei-os como era esperado, repetindo gestos e palavras ensaiadas. Meu pai já conversava com Teodoro como se retomasse um assunto pausado minutos antes, enquanto minha mãe trocava elogios discretos com Melânia. Foi então que eu o vi. Guilherme entrou na sala observando tudo em silêncio. Mas não era só isso. Havia algo na forma como ele se manteve ali quieto. Minha respiração falhou observando cada detalhe dele. Alto, cerca de um metro e oitenta, a pele morena clara, vestia um terno escuro, sem gravata. Os cabelos castanhos levemente desalinhados de um jeito quase proposital. A barba por fazer dava um ar menos perfeito do que o restante daquela casa. Seus olhos castanhos claros, quase dourados cruzaram os meus. Não houve um sorriso imediato, apenas um olhar direto e firme, como se ele estivesse tentando me ler. E naquele momento todas as ideias que eu tinha construído sobre ele pareciam ganhar forma. Desviei o olhar primeiro, porque sustentá-lo parecia arriscado demais. Vê-lo tão perto reacendeu meus sentimentos, me fazendo sentir que nosso casamento não precisava ser apenas um acordo por contrato. Eu me casaria com o homem perfeito por quem estava apaixonada e isso mudava tudo.Ísis Soares Eu não lembro exatamente em que momento comecei a chorar. Talvez tenha sido quando eu ouvi a palavra acidente. Ou quando alguém disse que o Guilherme não resistiu. Eu olhei para todos esperando que me dissessem que havia ocorrido um engano, mas isso não aconteceu. O mundo ao meu redor continuou seguindo, as vozes dos meus pais, seus passos apressados, portas abrindo e fechando, enquanto tudo dentro de mim desmoronava em câmera lenta. Chorei praticamente o dia todo e à noite não consegui dormir. Quando o dia amanheceu, fiz minha higiene matinal de forma automática. Sentei na cama sem nem perceber quando tinha chegado ali. Minhas mãos estavam frias, trêmulas, e eu as encarei por alguns segundos. — Não… — sussurrei em lágrimas. Chorei novamente me lembrando do Guilherme. Do sorriso contido, do olhar caloroso. A forma como segurou minha mão pela última vez, quando me acompanhou até o carro na noite do jantar. Levei a mão à boca, tentando conter o soluço, mas foi inútil.
Henrique Lucchese Dirigir sempre foi uma das únicas coisas que conseguia me ajudar um pouco a organizar o caos na minha cabeça. Pisei ainda mais fundo no acelerador, sentindo a irritação pulsar. A cidade passava rápido pelas janelas do carro, enquanto eu dirigia em direção ao clube. O clube não tinha nome exposto, nem fachada chamativa. Não precisava. Quem frequentava o lugar, sabia chegar, e quem não sabia, simplesmente não entrava. Os portões se abriram assim que me aproximei, os seguranças fizeram apenas um aceno discreto de cabeça. Segui direto para o estacionamento subterrâneo e desliguei o carro. O silêncio durou pouco, apesar de que ali embaixo era possível ouvir a vibração distante da música. Subi os lances de escada sem olhar para trás e quando a porta pesada se abriu o som me atingiu de uma vez. O local estava tomado por luzes baixas, corpos em movimento e o cheiro de álcool e perfume caro misturados no ar. Um lugar em que todos buscavam diversão, sem fazer perguntas. C
Ísis Soares O jantar terminou e as conversas migraram automaticamente para o escritório como se um roteiro invisível estivesse sendo seguido. — Vamos ao escritório. — Teodoro anunciou, ajustando o paletó. Melânia acompanhou com um sorriso satisfeito e sem me dizer nada, Guilherme se levantou em seguida. Olhei para ele esperando por um gesto ou uma palavra, ou qualquer sinal, já que aquilo também dizia respeito a mim. Ele apenas assentiu num gesto educado. — Não demoro. — disse e foi embora. Minha mãe já tinha seguido ao lado do meu pai e eu fiquei completamente sozinha na sala. Eu sabia que não teria voz ativa, que tudo seria decidido sem mim, mas saber e sentir são coisas completamente diferentes. Cruzei os braços tentando conter a frustração e a insegurança. Caminhei sem pressa pelos corredores silenciosos, até encontrar um terraço. A porta estava entreaberta e empurrei devagar recebendo o ar da noite fresco e leve. Apoiei as mãos no parapeito enquanto olhava o jardim abaixo,
Ísis Soares — Desculpem o atraso. Guilherme se aproximou com a postura segura e um sorriso se formando nos lábios. Ele cumprimentou meus pais, depois os dele, com a mesma elegância tranquila de sempre. E então o olhar dele fixou em mim novamente e ele veio na minha direção, até parar diante de mim. Fiquei tão nervosa que acabei esquecendo como reagir. — Ísis — disse meu nome, soando diferente na voz dele. Ele segurou minha mão com delicadeza e a levou até os lábios. O toque foi leve, mas o suficiente para me deixar completamente sem reação. Ele fez questão de não desviar o olhar por nenhum segundo, extremamente focado em mim. — É um prazer finalmente falar com você. Eu tentei responder, juro que tentei, mas as palavras simplesmente não vieram. Só consegui assentir levemente, sentindo o calor subir pelo meu rosto. — Meu filho, sempre impecável. — a voz de Melânia surgiu carregada de orgulho. Ela se aproximou de nós e pousou a mão no braço do filho, olhando para ele com admira
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