Mundo ficciónIniciar sesiónValentina Duski nasceu e cresceu treinada como uma verdadeira guerreira, moldada pelo pai, Nikolai, ex-membro da máfia russa, em uma vida de segredos, violência e fuga constante. Quando finalmente descobre a verdade sobre a morte da mãe e os arquivos que seu pai escondeu, sua vida vira de cabeça para baixo. Sozinha e caçada por inimigos implacáveis, ela precisa lutar para sobreviver, enfrentar traidores e tomar decisões que podem mudar seu destino. Na Itália, sob a proteção da máfia de Alessandro Vitali, a jovem se vê entre dois mundos de poder e vingança, descobrindo sua própria força, inteligência e coragem. Em meio a perdas, traições e segredos familiares, Valentina precisará transformar a dor em determinação para sobreviver e assumir seu lugar em um jogo mortal de poder, sangue e lealdade
Leer másValentina Duski
— PORRA! Fica no jogo, Valentina! — O grito do meu pai ricocheteou nas paredes, mais cortante que o frio lá fora. Eu estava ofegante, o gosto de ferro do sangue na boca e o suor gelando na nuca. Não entendo por que ele é tão implacável, por que me trata como um soldado de infantaria em vez de uma filha. Eu queria sonhos, queria o banal; em vez disso, recebo hematomas. — Desculpe, senhor. Não vai se repetir — respondi, engolindo o orgulho e a mágoa. — De novo. Ele percebeu o brilho de raiva nos meus olhos e relaxou a postura de guarda, mas o estrago estava feito. A distância entre nós já tinha quilômetros de largura. — Me perdoe, Valentina. Só quero que você sobreviva a eles. — Sobreviver a quem, pai? — explodi. — Você me treina desde os dez anos. Eu tenho vinte e não conheço ninguém além de você e de identidades de plástico. Você tem medo da própria sombra e me mantém no escuro! Ele tentou me interromper com aquele olhar de comando, mas eu não recuei. O que ele não aceita é que não sou mais a criança que chorava por joelhos ralados. Eu sou uma Duskin. — Não questione meus motivos. Apenas execute — disse ele, a voz voltando a ser de gelo. — Eu não sou seu recruta, Nikolai. Sou sua filha. Relacionamentos não são ditaduras; se você quer minha lealdade total, eu preciso da verdade. Ou isso, ou da próxima vez eu não vou levantar do chão. O silêncio pesou. Achei que ele fosse explodir, mas ele deu um sorriso triste, quase imperceptível. — Você fala igualzinho à Sandra. Ela tinha essa mesma teimosia perigosa. — Ele respirou fundo, e por um segundo vi o velho cansado por trás do instrutor. — Eles a mataram, Valentina. E se nos acharem, farão o mesmo conosco. Tenho algo que pertence a eles, um seguro de vida que se tornou uma sentença de morte. Ali, no meio do treino, o muro caiu. Nikolai estava envelhecendo rápido demais — as mãos tremiam levemente e as roupas pareciam grandes para o seu corpo cada dia mais magro. Eu sabia que havia algo errado com a saúde dele, algo que o tempo no banheiro e o cheiro de remédios escondiam. — Vai me contar agora? — perguntei, baixando a guarda. — Primeiro, termine a sequência. Combate corpo a corpo e tiro de precisão. Se o mundo desabar hoje, quero que você saiba onde atirar. Ele me moldou como uma arma. Enquanto jovens da minha idade escolhiam faculdades, eu aprendia a desmontar uma Glock em segundos e a manusear lâminas com a memória muscular de quem nunca teve escolha. Ele dizia que minha mãe era melhor que ele; uma brasileira que viveu na Itália e acabou no meio do fogo cruzado entre a Bratva e a Fratellanza. Voltamos para o chalé em Whistler sob a luz cinzenta do crepúsculo canadense. O isolamento da neve era nossa única segurança. Enquanto eu lavava a louça do jantar, o silêncio finalmente foi quebrado. — Eu era da Bratva. Você sabe o que isso significa — ele começou, a voz baixa. — Não há aposentadoria na máfia russa. Ou você serve, ou você vira estatística. — E você tentou sair — deduzi, sentindo o peso daquelas palavras. — Tentei dar uma vida normal para vocês. Mas sua mãe... ela estava jogando dos dois lados. Ela passava informações para os italianos. Quando os russos descobriram, foi um massacre. Eu fugi com você e com os arquivos que provam cada crime da cúpula russa. É por isso que nunca param de caçar. Senti um nó na garganta. Minha vida inteira era um subproduto de uma guerra de facções. — Se a Itália e a Rússia se odeiam tanto, como vocês ficaram juntos? — Ela era brasileira no papel, um fantasma no sistema. Eu estava cego de amor, Valentina. Mesmo quando soube que ela era italiana, não consegui puxar o gatilho. Ele me olhou com uma urgência que me assustou. — Se eu cair, procure a Fratellanza. Entregue os arquivos. Eles não são santos, mas têm um código de honra que os russos desconhecem. Diga o nome da sua mãe. Eles vão te acolher por dívida de sangue. — Eu mal lembro do rosto dela, pai... — confessei, a voz falhando. Eu não guardava mágoa, mas a dor era real. Estávamos ali, dois fugitivos em um chalé de luxo cercado por neve, vivendo uma mentira que custou tudo. — Eu tenho um pen drive com fotos dela — ele começou, a voz falhando por um instante. — Lá também tem um vídeo que ela gravou para você. Você se parece tanto com ela, Valentina... possuem o mesmo olhar. — Onde está? Eu quero ver! — Minha resposta veio rápida, afoita. Ele nunca tinha se aberto tanto sobre ela como agora. — Não está aqui. Está guardado junto com todos os dados que consegui reunir sobre a Bratva.Valentina Duski Ela se levantou, me dando um último aperto de mão encorajador antes de sair. Fiquei sozinha com meus pensamentos. A imagem de Alessandro com Bianca queimava no fundo da minha mente como brasa viva. O que eles estavam fazendo? Será que ele descontava nela o desejo que sentiu por mim? Ou será que o que aconteceu entre nós foi apenas um erro estratégico que ele estava tentando apagar?Caminhei até o espelho e encarei meu reflexo. Meus olhos estavam vermelhos, mas havia algo neles que eu ainda reconhecia: a determinação. Ele podia ter o meu corpo reagindo ao seu toque, mas eu não entregaria minha dignidade.Se ele achava que eu estaria aqui, minguando de saudades quando retornasse de sua viagem com a outra, ele estava muito enganado. Se eu estou presa por não saber quem sou, eu aprenderia a usar as minhas correntes para estrangular qualquer um que tentasse me destruir.Me deitei, não para dormir, mas para traçar um plano. O jogo havia mudado. Alessandro Vitali tinha o pod
Valentina DuskiSorri para a minha menina, sem conseguir falar. A verdade era que a última coisa que eu estava tendo era um pesadelo. Eu gritava, sim, no sonho, mas era de prazer. Desde que Alessandro me tocou, não consigo pensar em outra coisa. Eu o quero tanto que, cega de desejo, sonho todas as noites que finalmente me entrego por inteiro a ele.— Desculpa por ter te acordado, vamos voltar para a sua cama — falei, mas ela continuou me encarando, assustada. — Eu estou bem, Nella. Se não estivesse, você saberia.Levei-a de volta ao quarto e fiquei lá até que ela adormecesse. Saí na ponta dos pés. Respirei fundo, olhando para o final do corredor. Duas semanas! Esse era o tempo que não o via. Depois daquele dia, ele sumiu. Luca diz que ele está muito ocupado, mas a verdade é que acredito que ele se arrependeu e não quer mais ver a minha cara. Se ele me tirar da vida da Nella por causa disso, não sei o que farei. Realmente pensei que ele sentia algo por mim, ao menos atração, mas agora
Alessandro VitaliCazzo! No que eu estava pensando quando ordenei que ela abrisse o roupão? Sinto-me como um predador diante de uma caça que se oferece voluntariamente. Minha resistência está por um fio.— Deixe-me ver esse ferimento — eu disse, lutando para manter a voz sob controle. O suspiro trêmulo que escapou dela confirmou que o efeito era mútuo.O corte era superficial, não precisava de pontos, mas o sangue ainda insistia em brotar. Peguei o material de limpeza e, com a maior rapidez que minha sanidade permitia, fiz o curativo. Fiquei encarando o local por alguns segundos. Poderia ter sido fatal. Poderia ter marcado para sempre aquela tez macia e hipnotizante.Sem conseguir me conter, toquei sua pele, sentindo o calor contrastar com a frieza da noite. O gemido que escapou dos lábios de Valentina foi a minha ruína. Meus impulsos venceram. Agarrei seu corpo e a puxei para o meu colo, uma perna de cada lado, deixando sua fenda exposta para o deleite dos meus olhos. Ela estava tão
Alessandro Vitali Enquanto a SUV cortava a noite em alta velocidade, o silêncio no carro tornou-se uma arma. Eu a queria. Eu a desejava. Mas, agora, eu também a respeitava um pouco. O som dos pneus cantando no asfalto era o único ruído além do mantra sussurrado por Antonella. Olhei para as mãos de Valentina, ainda sujas com o sangue do russo que ela acabara de abater, e depois para o ferimento em suas costas. Ela não demonstrava dor; demonstrava foco. Uma frieza que eu só vira em soldados de elite. — Lorenzo, limpe o rastro e chame o Luigi, ele sabe o que fazer. Quero a identidade de cada um daqueles desgraçados na minha mesa em uma hora — ordenei pelo comunicador, a voz vibrando com uma fúria contida. — Desliguei o rádio e voltei minha atenção para a mulher ao meu lado. Valentina finalmente relaxou os ombros, mas seus olhos ainda mapeavam as sombras lá fora através do vidro escuro. — "Seja forte, ainda que esteja fraca"... — repeti as palavras dela, testando o peso delas na
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