Mundo de ficçãoIniciar sessãoA vida de Valentina Moretti sempre foi perfeita — ou pelo menos era o que ela acreditava. Filha de um dos CEOs mais poderosos do país, ela nunca precisou questionar de onde vinha o luxo que a cercava… até tudo desmoronar. Após a morte de sua mãe, segredos obscuros vêm à tona, e seu pai afunda em dívidas com homens que não conhecem piedade. De repente, Valentina se torna a moeda de troca de um mundo cruel que ela nunca soube que existia. Mas antes que o pior aconteça, ele surge. Lorenzo De Luca. O homem mais temido daquele mundo. O mafioso que todos evitam… e que agora afirma ter direito sobre ela. Levada para sua mansão, cercada por regras, segredos e perigos, Valentina se vê presa sob o controle de um homem que deveria ser apenas seu protetor… mas que desperta algo muito mais intenso. Porque, naquele jogo de poder, desejo e dívida, fugir dele pode ser impossível. E resistir… ainda mais.
Ler maisAcordo antes mesmo que o despertador tenha a chance de interromper o silêncio do quarto. Meus olhos se abrem lentamente, já acostumados com a rotina pesada que carrego. Passo a mão pelos meus cabelos ondulados, afastando alguns fios do rosto enquanto solto um longo suspiro, daqueles que carregam mais do que apenas cansaço.
Por alguns segundos, permaneço ali, encarando o teto, como se estivesse reunindo forças para mais um dia — mais um jogo onde cada movimento precisa ser calculado. Levanto-me da cama com calma, sentindo o frio do piso subir pelos pés descalços. Caminho até o banheiro, cada passo firme, automático. Sem hesitar, tiro minhas roupas e entro debaixo do chuveiro, deixando a água gelada cair sobre meu corpo. O choque térmico desperta meus sentidos de imediato, como um lembrete brutal de que fraqueza não tem espaço na minha vida. Fecho os olhos por um instante, deixando a água escorrer, levando embora qualquer resquício de sono… ou de dúvida. Após o banho, me seco e visto uma roupa confortável, mas ainda assim alinhada — nunca se sabe quando alguém pode aparecer, e aparência também é poder. Abro a porta do quarto e sigo pelo corredor silencioso, descendo as escadas com passos controlados até chegar à cozinha. — Bom dia, senhorita Claire! — A cozinheira diz assim que entro na cozinha, um sorriso gentil iluminando o rosto enquanto já se movimenta com prática pelo ambiente. O aroma de café recém-passado invade o ar, quente e reconfortante, contrastando com a frieza que ainda carrego dentro de mim. Abro um pequeno sorriso em resposta, educado, mas contido. — Bom dia, Mônica. Meu pai? — pergunto, enquanto puxo a cadeira em frente ao balcão de mármore e me sento, mantendo a postura impecável quase por instinto. Sem precisar de mais palavras, ela coloca um prato à minha frente. Torradas perfeitamente douradas, uma delicadamente coberta com geleia de morango, a outra com geleia de pêssego. Ao lado, um copo de café com leite ainda soltando vapor, o cheiro forte e levemente amargo preenchendo meus sentidos. — Já saiu, senhorita! — ela responde, com a mesma suavidade de sempre, mas há um toque de cautela na voz, como se soubesse exatamente o que aquela resposta significa. Solto um suspiro baixo, quase imperceptível, desviando o olhar para a superfície lisa do balcão. Já estou acostumada. Dias em que sequer vejo meu pai se tornaram rotina há muito tempo. Ele é um CEO extremamente renomado, um homem cujo nome carrega peso… poder… respeito — e, ao mesmo tempo, distância. Sempre ocupado demais para o mundo lá fora… e ausente demais para o que existe dentro de casa. Às vezes, nem mesmo minha mãe tem o privilégio da sua presença. E, de certa forma, isso já deixou de doer como antes… agora é apenas mais um fato. Uma realidade fria que aprendi a aceitar. — Consegue fazer os bolinhos de baunilha, Mônica? Vou visitar minha mãe no médico à tarde! — pergunto, levando o copo aos lábios e tomando um gole do café ainda quente, sentindo o calor descer lentamente pela garganta. O simples pensamento na visita já desperta um peso silencioso dentro de mim, algo que tento disfarçar mantendo a expressão neutra. — Claro, senhorita. É um prazer fazer os bolinhos favoritos de sua mãe! — ela responde de imediato, com um sorriso sincero, quase carinhoso, como se aquela pequena tarefa carregasse um significado maior. Aceno com a cabeça em agradecimento, desviando o olhar por um instante. Solto um suspiro baixo, discreto, antes de voltar minha atenção para o café da manhã à minha frente. Dou mais uma mordida na torrada, mas agora o sabor doce da geleia parece não ter o mesmo efeito de antes. Minha mente já está longe dali… presa nos pensamentos sobre minha mãe, sobre o hospital… e sobre tudo aquilo que ninguém diz em voz alta, mas que pesa no ar como uma ameaça constante. Ainda assim, continuo comendo, mantendo a postura firme. Porque, no meu mundo, até o silêncio precisa ser controlado. ... Chego à faculdade ajustando a alça da bolsa no ombro, organizando alguns papéis enquanto caminho pelos corredores movimentados até minha sala. O som de conversas, risadas e passos apressados ecoa ao meu redor, mas nada disso realmente me distrai. Minha mente está sempre alguns passos à frente… ou presa em algo que prefiro não demonstrar. Estudar medicina… nunca foi um plano completo. Cinquenta por cento dessa escolha nasceu no momento em que minha mãe recebeu o diagnóstico de leucemia. Foi ali que algo dentro de mim mudou. O medo se misturou com curiosidade… e, com o tempo, aquilo se transformou em uma necessidade quase obsessiva de entender, de aprender, de ter algum tipo de controle sobre algo que parecia tão cruel e imprevisível. A outra metade… bem, essa sempre foi minha. Mesmo com meu pai insistindo para que eu seguisse os negócios da família, para que aprendesse a comandar, negociar, dominar… eu escolhi outro caminho. Um que, talvez, ele nunca vá entender completamente. Entro na sala, meus passos firmes apesar do turbilhão interno. Me aproximo da carteira de sempre e me sento ao lado de Laura, que logo se vira na minha direção, seus olhos atentos analisando cada detalhe meu como se pudesse ler além do que eu mostro. — Como você está? — ela pergunta, com uma preocupação genuína na voz. Dou de ombros, apoiando as costas na cadeira, mantendo a expressão neutra. — Bem! — respondo, simples, direta… como sempre. Ela arqueia levemente uma sobrancelha, claramente não convencida. — Ele não vai vê-la hoje de novo? — questiona, baixando um pouco o tom de voz, como se aquele assunto exigisse cautela. Solto um pequeno suspiro pelo nariz, desviando o olhar por um instante antes de responder. — Provavelmente não… nem estava em casa já cedo! — digo, deixando escapar um traço sutil de frieza, como se já estivesse acostumada demais com aquilo. Laura apenas acena com a cabeça, compreendendo mais do que eu digo em palavras. Em seguida, ela se inclina na minha direção, me envolvendo em um abraço de lado, suave, mas firme. Sinto seus lábios tocarem meus cabelos em um gesto silencioso de carinho. Por um segundo… só um segundo… eu permito sentir. ... Depois que minha mãe descobriu que estava com leucemia, meu pai moveu o mundo ao redor dele. Os melhores médicos, os tratamentos mais caros, especialistas vindos de longe… nada parecia impossível quando se tratava de dinheiro. Mas, dessa vez, não era uma questão de poder. A doença já havia avançado demais. Estágio terminal. Sem retorno. Sem promessas. Sem esperança real — apenas tempo… e nem mesmo isso em abundância. Quando chegou a esse ponto, ela foi transferida para um lar hospitalar. Um lugar silencioso demais, limpo demais… frio demais. Disseram que ali ela teria mais conforto, mais cuidado… talvez mais alguns anos. Anos que parecem escorrer pelos dedos como areia. Desde então, meu pai não a visita mais. E eu não sei dizer o que é pior… se é porque dói demais para ele encará-la naquele estado… ou se, no fundo, ele simplesmente já desistiu. A dúvida pesa mais do que qualquer resposta. Paro em frente à porta do quarto, respirando fundo antes de bater três vezes, o som ecoando baixo pelo corredor quase vazio. Empurro a porta com cuidado e entro, encontrando minha mãe deitada na cama, os olhos fechados, o rosto pálido e sereno demais para alguém travando uma batalha tão cruel. Uma enfermeira está ao lado, ajustando a dosagem do soro com movimentos precisos, quase mecânicos. O som dos aparelhos é constante… irritantemente constante. — Boa tarde, senhorita Lincen! — ela diz assim que me vê, com um tom profissional, mas gentil. Abro um pequeno sorriso em resposta, mesmo sentindo o peito apertar ao olhar para a cena à minha frente. — Como ela está? — pergunto, caminhando até a cama, meus passos desacelerando conforme me aproximo da minha mãe. Meus olhos percorrem cada detalhe dela… como se, de alguma forma, eu estivesse tentando gravar tudo… enquanto ainda posso. — Lutando, senhorita! — ela responde, com um leve aceno de cabeça, como se aquela palavra carregasse mais peso do que deveria. Engulo em seco, tentando manter a compostura. Seguro a mão da minha mãe com cuidado, sentindo sua pele fria e frágil contra a minha. Meus dedos se ajustam aos dela quase automaticamente, como se aquele simples gesto fosse a única coisa que ainda a mantivesse conectada a mim. Um suspiro triste escapa dos meus lábios antes que eu consiga conter. — Como tem ido o tratamento? — questiono, mantendo o olhar fixo nela, como se desviar fosse algum tipo de traição. — Tem mantido ela estável, senhorita! — a enfermeira responde, em um tom controlado, profissional… mas que não consegue esconder completamente a realidade por trás das palavras. Estável. Uma palavra bonita para algo que está apenas… parado antes do fim. — Vou deixar vocês duas sozinhas! — ela acrescenta, já se afastando em silêncio. Apenas aceno com a cabeça, sem conseguir dizer mais nada. Puxo a cadeira para mais perto e me sento ao lado da cama, ainda segurando a mão da minha mãe, como se soltá-la não fosse uma opção. Me inclino levemente, observando cada detalhe do rosto dela — as feições mais suaves, porém marcadas pelo cansaço, pela dor… pelo tempo que insiste em correr rápido demais. Sinto falta dela. Da mulher cheia de vida, que sorria por qualquer coisa, que enchia a casa com risadas, que fazia tudo parecer mais leve… mais suportável. Agora… vê-la assim, tão quieta, tão frágil, tão distante mesmo estando ali… é como se algo dentro de mim fosse arrancado aos poucos, sem piedade. Aperto sua mão com um pouco mais de firmeza, como se quisesse transmitir força… ou talvez implorar por ela. Me aproximo ainda mais, inclinando o rosto perto do dela, minha voz saindo em um sussurro carregado de emoção: — Eu estou com você, mamãe!O sol da tarde invade a casa com uma calma que parece permanente agora. Não é mais uma pausa entre guerras. É rotina. É vida. Estou no jardim, sentada em uma das cadeiras de madeira, observando enquanto Agnes corre pela grama com uma energia que parece inesgotável. Os cabelos dela balançam ao vento, o riso solto, leve… livre. — Mamãe, olha! — ela grita, girando desajeitada, quase caindo. Eu rio. — Toma cuidado, amor! Levo a mão até a barriga, já visivelmente maior desta vez. O vestido leve acompanha o movimento, e o pequeno chute que sinto me faz sorrir automaticamente. — Seu irmão ou irmã já está te dando trabalho, hein… — murmuro, acariciando o local. — Eu ouvi isso. A voz de Ares surge atrás de mim. Sorrio antes mesmo de me virar. Ele se aproxima com passos tranquilos, sem pressa, como alguém que finalmente aprendeu a viver sem precisar correr o tempo todo. Os anos fizeram algo nele. Não tiraram a intensidade. Mas suavizaram as bordas. — Você está ouv
A casa ganhou um novo som. Não é mais o silêncio calculado de antes, nem o eco distante de passos e decisões importantes. Agora, o que preenche cada canto é algo menor… mais suave… mas infinitamente mais poderoso. Um choro leve. Um resmungo. O som de uma respiração pequenininha no meio da madrugada. Vida. Estou sentada no sofá da sala, com Agnes nos braços, balançando devagar enquanto observo o jardim pela janela. A luz da manhã entra suave, iluminando o ambiente de um jeito quase tranquilo demais para alguém que passou a noite acordando a cada duas horas. — Eu não sabia que alguém tão pequeno podia mandar tanto… — murmuro, olhando para ela. Agnes se mexe levemente, os olhos ainda fechados, como se estivesse decidindo se acorda ou não. — Por favor… continua dormindo… — sussurro, quase implorando. — Você está negociando com um bebê? A voz de Ares surge atrás de mim. Viro o rosto. Ele está encostado na parede, de braços cruzados, observando a cena com um leve sorriso. Cabe
A casa já não é mais a mesma. Meses se passaram, e tudo ganhou novos detalhes — um quarto preparado com cuidado, tons suaves, móveis escolhidos com calma, pequenos objetos que carregam expectativa. Vida. Minha vida mudou com o tempo. Meu corpo também. E agora… Nada disso parece suficiente para me preparar para o que está acontecendo. — Ares… — chamo, com a voz falhando. Estou parada no meio do quarto, uma mão apoiada na barriga já grande, a outra tentando se firmar na cômoda. Uma dor vem. Forte. Profunda. Como uma onda que começa baixa… e cresce. Cresce até tomar tudo. Fecho os olhos com força. — Claire? — a voz dele vem rápida, atenta. Ouço passos. Ele aparece na porta em segundos. O olhar muda na hora. Alerta. — O que foi? Respiro com dificuldade. — Eu… acho que… — outra contração me corta no meio da frase. Minha mão aperta o móvel. — Ares… tá doendo… Ele se aproxima imediatamente. As mãos dele seguram meu rosto, depois descem até meus braços, tentando me e
O dia amanhece diferente. Não é só a luz entrando pelas janelas — suave, dourada, quase perfeita. É o ar. A sensação. Como se tudo estivesse em suspensão, esperando por esse momento. Eu estou sentada diante do espelho, o vestido já ajustado ao meu corpo, as mãos repousando sobre o colo… e o coração completamente acelerado. — Você está linda, senhora… — uma das mulheres comenta atrás de mim, ajeitando o véu com cuidado. Eu sorrio de leve. Mas meu olhar permanece fixo no reflexo. Porque, por um instante… Eu não me reconheço. Não aquela versão que entrou nesse mundo assustada. Nem a que tentou fugir. Nem a que sobreviveu a tudo aquilo. Essa… É outra. Mais forte. Mais inteira. Mais… feliz. Minha mão desliza automaticamente até a barriga, num gesto quase inconsciente. Ainda não há sinais visíveis. Mas eu sei. E isso muda tudo. — Está pronta? — alguém pergunta. Respiro fundo. Lentamente. Sentindo o peso… e a leveza… daquele dia. — Estou. — respondo. E, pela prime
Último capítulo