Ponto de Vista: Leyla — É sério, eu não quero ir — repeti pela quarta vez, sentindo o tecido desconfortável do vestido pinicar minha pele. Minha irmã mais velha, Bianca, nem se deu ao trabalho de me olhar pelo espelho enquanto terminava de passar um batom vermelho vibrante que gritava "problema". — Vamos, Ley! Você vai amar. Música boa, gente bonita e, quem sabe, um cara que te faça esquecer esses livros mofados por uma noite — ela disse, com aquele otimismo irritante que só uma advogada de sucesso que ganha todas as causas consegue ter. — Você sabe que eu não gosto desse tipo de lugar, Bia. O som é alto, o cheiro de cigarro me dá enxaqueca e eu prefiro mil vezes a companhia do meu Kindle. — Você precisa viver um pouco, maninha. Ter vinte anos não significa agir como se tivesse oitenta e morasse em um convento. — Eu não sei qual é a sua definição de "viver", mas com certeza não é a mesma que a minha — retruquei, cruzando os braços e bufando. Desde que me entendo por gente, som
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