Mundo ficciónIniciar sesiónSophia Hale nunca quis ser a heroína. Ambiciosa, afiada e implacável, construiu a sua reputação como a “vilã” da Verity Agency — uma mulher que transforma escândalos em oportunidades e rivais em lembranças. Quando a sua melhor amiga é assediada pelo diretor da escola onde trabalha, Sophia decide intervir. O plano era simples: humilhar o homem, arruinar-lhe a vida e limpar o nome de Lily. Mas um erro muda tudo. O homem amarrado à cama de um hotel barato não é o alvo. É Jace Rowan — um estranho perigoso, ferido e armado. Um homem que não devia estar ali, mas que parece tão letal quanto irresistível. Entre ameaças, sarcasmo e uma tensão impossível de ignorar, Sophia percebe que o seu erro pode ter-lhe custado mais do que imaginava. Jace sabe que foi traído, drogado e quase morto. Acordar amarrado, com uma mulher mascarada sobre ele, é apenas o início. Ela é um problema — mas um problema intrigante. E ele não é o tipo de homem que deixa dívidas por saldar. Quando Sophia desaparece depois de o libertar, promete a si mesma que foi o fim da história. Mas o telemóvel vibra com uma mensagem que congela o sangue e acende algo mais: “Vou encontrar-te.” Entre o jogo de poder e desejo, dois predadores cruzam-se — um movido por vingança, o outro por curiosidade perigosa. E, no fim, talvez nenhum deles sobreviva ao que desperta quando o inimigo se torna tentação. ⚠️ Aviso: Este é um dark romance: intenso, provocador e moralmente duvidoso. Se gostas de vilãs afiadas, mafiosos irresistíveis e tensão que te deixa sem fôlego, adiciona este livro à tua biblioteca — e comenta! A diversão está só a começar… e mais capítulos vêm a caminho.
Leer más*Sophia Hale POV*
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“Foste tu?!”
Ela veio na minha direção, voz fraca, mas dominada pela raiva. Sorri friamente. Ergueu a mão, pronta para bater-me.
“Não. Te. Atrevas.” disse devagar, e o movimento dela congelou a meio. Os olhos, vermelhos de tanto chorar, cerraram-se em mim. Quis rir. Patética. Como ousava erguer a mão contra mim?
As vozes no escritório começaram a murmurar. Já sabia os comentários que viriam. Não me importei. Nunca me importei. Sempre fui melhor a fazer inimigos que amigos.
“Foste tu!” repetiu, a voz trémula. “Fui despedida por tua causa.” — gritou, a voz a tremer entre raiva e lágrimas. Revirei os olhos e inclinei ligeiramente a cabeça, estudando-a.
“O facto de teres tempo livre agora não significa que eu também o tenha...” Vi o choque dela e do resto da sala. Ela abriu e fechou a boca, muda. “…para ti e as tuas crises.” Dei-lhe um sorriso leve.
“Estou ocupada.” continuei, apontando em volta. “Estamos todos. Ao contrário de ti, temos trabalho a fazer.”
Ela aproximou-se outra vez, feroz. Eu não me mexi. Pronta para o confronto, sem me deixar intimidar minimamente. Não recorro à violência. Mas sei-me defender.
“Desgraçada.” cuspiu ela. “Sua vadia cruel.”
Encolhi os ombros.
“Já me chamaram pior.” Um sorriso gelado surgiu novamente nos meus lábios. “Já terminaste? Ou preciso chamar o segurança para te ajudar a arrumar as tuas coisas?”
Francesca olhou-me outra vez. Vi a raiva nela; por um momento pensei mesmo que se ia atirar a mim. Mas recuou. Como a covarde que é. Arrumou as suas coisas e saiu.
Assim que a vi sair pelo canto do olho, um copo alto de café com tampa de plástico surgiu na minha mesa. Era a Jackie.
“Está envenenado?” Perguntei. Era para ser uma piada (ou talvez não) mas não me ri. Ela também pareceu surpreendida com a pergunta.
“Não. Não. Claro que não.” Assenti. Sabia por que é que ela estava a fazer aquilo. Mas não era obrigada a gostar, certo? Afinal eu não pedi nada. E não quero favores. Ninguém faz nada gratuitamente.
Ela deixou o copo e voltou para a mesa dela. Considerei atirá-lo para o lixo. Mas acabei por o aceitar.
Olhei para a sala do diretor. Sei que ele me vai chamar em breve por causa da Francesca. Estou preparada para o enfrentar também. Lá por eu estar aqui há uns meses não significa que vá deixar que me passem por cima. Francesca era a nossa chefe de equipa, e sim, foi despedida. Não considero que tenha sido apenas por minha causa, embora tenha tido uma participação ativa.
Não vou dar desculpas. Não tenho remorsos. Aliás, não podia estar mais satisfeita com o desfecho. Olhei para o relógio: era quase a hora de saída. Talvez o diretor esteja demasiado ocupado para me chamar a atenção pelo que aconteceu.
Se estão à espera de uma princesinha frágil, esqueçam. Não sou eu e não o vou ser.
Esperem pela história de Lily Evans. Eu sou Sophia Hale, sou a vilã desta história e não tenho o menor problema com isso. Sou a rainha má em vez da boazinha que é enganada e passada para trás. Prefiro ser eu a derrubar quem se atravessa no meu caminho. Infelizmente para eles, percebem tarde demais o erro que cometeram.
Como Francesca acabou de aprender. Como Francesca disse, sou uma vadia cruel.
E não esperem encontrar uma infância horrível, nem um acontecimento trágico que venha “justificar” o meu comportamento. Não vão encontrar nada disso. Vão odiar-me do princípio ao fim. Ou então… talvez também sejam as vilãs das vossas histórias (ou queriam ser, mas não têm coragem) — e, nesse caso, vamos divertir-nos bastante juntas.
Estou na Verity Agency há pouco mais de dois meses. Tempo suficiente para perceber como as coisas funcionam por aqui. E acho que acabei de me integrar com mérito. Aposto que um lado de Francesca concorda (ou talvez não).
Verity é uma das agências mais influentes do mundo do entretenimento. Não perdi tempo a fazer amigos, mas o meu trabalho fala por si. Modéstia à parte, sou excelente no que faço. A Verity tem uma reputação impecável: vende autenticidade enquanto constrói mentiras elegantes. E eu encaixo-me perfeitamente nisso.
Ainda não tinha feito inimigos. Até agora. Certamente, Francesca vai amaldiçoar-me durante muito tempo. Sorri enquanto trabalhava na campanha de uma marca de luxo.
Entrei como gestora de contas júnior e integro uma equipa que coordena consultoria de imagem, campanhas de reputação e gestão de crises mediáticas. Os nossos clientes vão desde autores, atores e cantores até hotéis e marcas que não podem arriscar um escândalo.
Agora estamos sem chefe de equipa, graças a mim. Sorri. Espero que o próximo dure mais tempo. Olhei em volta para os outros membros da equipa que já cá estão há mais tempo do que eu: Jackie, Bryan e Magda. Qual deles será nomeado chefe de equipa? Bom, ao menos serão melhores do que a Francesca. Acho que já perceberam o que acontece a quem se atravessa no meu caminho como ela se atreveu a fazer.
Podia ser eu a assumir o lugar dela. Olha que ideia perfeita. Mas percebo que priorizem quem cá está há mais tempo nesta equipa, ou que tragam alguém mais qualificado de outra.
Ótimo. Hoje não vou ter mais chatices, já é quase hora de saída e ainda não fui chamada pela direção. E não, não trabalho fora do horário. As crises dos famosos que esperem pelas horas de expediente, ou que o diretor as resolva. A não ser que paguem extra. Aí sim, podemos negociar.
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"Chegaste cedo." Sorri. Encontrei-a na cozinha, o cabelo loiro apanhado num rabo-de-cavalo, uma camisola castanha confortável e um sorriso que parecia iluminar o corredor, mesmo quando eu não queria ser iluminada. Ela virou-se quando me ouviu, os olhos azul-claros sempre alegres. Irritantes. Lily Evans, a princesa perfeita da história. Claro que tinha de viver com a rainha má.
Se apenas eu vivesse ali, o apartamento provavelmente seria imaculado, quase estéril e frio. Em vez disso, era quente, cheio de vida e com livros espalhados por todo o lado. Não se preocupem, não sou uma vadia cruel com ela, não a mantenho presa aqui. Veio por livre vontade. Aliás, não me consigo ver livre dela desde a faculdade.
"Francesca foi despedida." Atirei, aproximando-me para ver o que ela cozinhava. Lily parou a meio de lavar a alface para a salada que estava a preparar.
"Imagino que tiveste dedo nisso", disse-me.
"Conheces-me tão bem." Sorri, e ela revirou-me os olhos. Comecei a ajudá-la colocando a toalha e os pratos na mesa para jantarmos.
"O que fizeste?" perguntou.
"Nada de especial.” Sorri. Estava satisfeita com ter sido tão bem-sucedida, para dizer a verdade duvidei que fosse sair tão bem. “Deixei-a apenas roubar-me mais uma apresentação."
"Contaste ao diretor? E acreditaram em ti?" Perguntou, limpando as mãos num pano e começando a colocar a comida na mesa.
"Tão inocente, Lily.” Respondi-lhe e vi a vontade infantil dela de me deitar a língua para fora. “A apresentação não era minha. Apenas a fiz acreditar que sim."
"Então..."
"Era uma apresentação antiga do próprio diretor que ela quis fazer passar como dela."
"Oh, céus, Sophia."
"Deu-me um bocadinho de trabalho, mas..."
"Sophia... podias ter sido tu a acabar despedida?" perguntou ela, preocupada.
Encolhi os ombros. Não me podiam despedir assim tão facilmente. E, se fosse despedida, não ia sem fazer barulho.
"Posso sempre ir trabalhar para a tua escola como empregada de limpeza", atirei-lhe, com um meio sorriso provocador. Não ia ser despedida, mas, se fosse, era um bom investimento do meu tempo. Seria... satisfatório.
Vi o ar desconfortável dela e percebi que ainda não tinha feito nada. Tão previsível, a nossa princesa boazinha. Tão idiota.
Bom, não precisava de mudar de trabalho para fazer umas limpezas part-time na escola onde ela dava aulas.
Oh, um plano já se começava a formar na minha cabeça.
Algo muito vil.
E, se tudo corresse bem, alguém naquela escola ia aprender o que acontece quando se mexe com a princesa boazinha que a vilã decidiu proteger.
*Sophia POV*Apertei os dedos em forma de punho e preparei-me para virar a cabeça. Virei-me já pronta para afastar mais um idiota que tivesse decidido que aquela era uma boa noite para me incomodar — mas parei quando reconheci o rosto à minha frente.“Lily.”O cabelo loiro dela brilhava sob as luzes intermitentes do clube enquanto me segurava pelo braço, a olhar para mim com uma expressão séria e decidida.“Não.” Consegui ouvi-la dizer por cima da música. Ergui uma sobrancelha. Não… o quê? “Vamos.” Disse, puxando-me para fora da pista de dança. Brandon apareceu logo atrás dela, acompanhando-nos enquanto nos desviávamos de um grupo que dançava demasiado perto.Ela estava claramente a tentar levar-me para fora dali.“Preciso de resolver algo primeiro.” Consegui dizer-lhe enquanto ela me puxava na direção da saída do Atlas.A música ainda batia forte nos meus ouvidos, grave e insistente, obrigando-nos quase a falar aos gritos enquanto atravessávamos a multidão. Lily continuava a puxar-m
*Jace POV*“Ela disse o quê?”Perguntei sem tirar os olhos do Lucas, já alguns minutos depois de ele ter entrado na sala VIP sozinho. Ele explicou, entre risos mal contidos, porque é que a mulher não tinha aparecido atrás dele.Tinha observado tudo pela janela. Do lado de fora, a pista do Atlas pulsava como um organismo vivo — luzes, música, corpos em movimento. Dali de cima era fácil ver tudo. Difícil era ser visto.Vi-a junto ao bar quando aquele ator — cliente frequente do Atlas e suficientemente famoso para achar que o mundo lhe pertence — colocou a mão na cintura dela. Esperei a reação habitual. Um sorriso, talvez um pouco de resistência antes de aceitar a atenção.Mas não.Vi-a retirar-lhe a mão com naturalidade, como quem corrige um erro técnico. Sem drama, sem escândalo. Pegou na bebida e ignorou-o como se ele simplesmente tivesse deixado de existir. Não era um bom ator, não conseguiu disfarçar aquela expressão de incredulidade por ter sido rejeitado.Depois Lucas aproximou-se.
*Lucas Moretti POV***Jace estava obcecado.No início, achei graça. Encontrá-lo amarrado a uma cama, furioso, humilhado, a tentar recuperar o controlo como se fosse apenas uma falha operacional foi quase irónico, sobretudo vindo dele, que raramente deixa algo escapar. Ela conseguiu irritá-lo em minutos — a ele que sempre parece demasiado controlado.Consigo perceber porquê. Falou comigo ao telefone durante poucos segundos, mas bastaram.“Tens cinco minutos.”E depois, num tom ainda mais frio: “E sê discreto. O teu chefinho tem amigos atrás dele.”Fiquei a olhar para o ecrã depois de ela desligar, uns segundos a mais do que devia. Não havia pânico na voz dela, nem hesitação. Aquilo era firme. Quase divertido. Do tipo que, sim, podia irritar. Sorri com o pensamento.Mas já passou uma semana, e não houve um único dia em que ele não perguntasse se havia novidades.Quando não tínhamos pista concreta, acabávamos no Atlas. Durante a semana é mais calmo, menos ruído, menos distrações, mas ain
*Sophia Hale POV***O Atlas era elegante, enorme. Pistas de dança, bares em cada canto. Zonas VIP. Música grave a vibrar no corpo antes mesmo de chegar aos ouvidos. O tipo de sítio onde tudo parecia caro.“Meu Deus…” ouvi Lily sussurrar, quase em êxtase. Reconheceu alguém. Depois outro. E mais outro. Os gritinhos nervosos começaram. Discretos, mas impossíveis de ignorar.“Aquele é o…”, “Não acredito que aquela seja a…”, “Sophia, olha ali—”No entanto, por baixo daquele entusiasmo, eu conseguia ver o desconforto dela. Ombros ligeiramente tensos. O sorriso um pouco forçado demais. Eu também estava desconfortável — mas tinha aprendido a esconder isso.Aquilo era quase um treino. A pista de dança cheia de corpos a suar, metade já comandados pelo álcool. Ali não era permitido filmar ou fotografar; se o fizéssemos, ficávamos sem telemóvel. Não que alguém não pudesse enviar algo antes disso. Mas ninguém parecia interessado. Ali dentro, todos tinham demasiado a perder.Dinheiro. Influência. A
Último capítulo