Mundo ficciónIniciar sesión— Estou grávida. Katerina Sokolov acreditava que aquela notícia mudaria tudo. Durante três anos, ela foi a esposa perfeita de Victor Vance, o homem mais poderoso do submundo. Ela o amou, protegeu seu império e dedicou cada parte de si a um casamento que acreditava ser real. Mas, no mesmo dia em que descobre a gravidez, seu mundo desmorona. Victor anuncia que seu primeiro amor voltou e entrega a Katerina os papéis do divórcio. Humilhada, traída e de coração partido, ela desaparece levando consigo o maior segredo de todos. Quando uma tragédia a faz perder tudo o que restava de esperança, Katerina jura que nunca mais será a mulher frágil que implorou por amor. Anos depois, ela retorna mais forte, mais rica e mais poderosa do que qualquer um poderia imaginar. Mas o passado não está disposto a deixá-la ir. Victor está determinado a reconquistá-la. Nikolai, o homem que a salvou quando ela perdeu tudo, não pretende abrir mão dela. Entre paixão, segundas chances e antigos segredos, Katerina precisará decidir: Será que o homem que destruiu seu coração merece uma nova oportunidade? Ou o verdadeiro amor estava ao seu lado o tempo todo?
Leer másPOV Katerina Sokolov
— Eu estou Gravida!
Eu Katerina Sokolov a mulher mais perigosa do Submundo que não tremia nem com uma arma apontada na cabeça estava tremendo enquanto olhava para um palito de plástico.O silêncio no banheiro da suíte principal era tão espesso que eu podia ouvir o som do meu próprio sangue pulsando nos ouvidos. O mármore escuro de Carrara sob os meus pés descalços irradiava um frio familiar, um contraste brutal com o calor febril que dominava o meu corpo. Minhas mãos, treinadas para desmontar armas no escuro e neutralizar ameaças em segundos, tremiam incontrolavelmente.
O pequeno bastão de plástico branco repousava sobre a bancada, iluminado pelas luzes indiretas do espelho.
Duas linhas rosadas.
Eu pisquei, sentindo as lágrimas quentes transbordarem e traçarem caminhos silenciosos pelas minhas bochechas. Um soluço áspero escapou da minha garganta, e eu cobri a boca com as duas mãos para abafar o som. O ardor no meu peito era insuportável, mas, pela primeira vez em muito tempo, não era de dor. Era esperança. Uma esperança perigosa e devastadora.
Minha mão direita desceu, espalmando-se trêmula sobre o meu ventre liso, escondido sob a seda pérola da minha camisola. Havia uma vida ali. Um pedaço de mim. Um pedaço dele. Durante três anos de um casamento forjado em conveniências, acordos de sangue e silêncios punitivos, eu fui a sombra letal de Victor Vance. Eu fui a esposa perfeita para o império que ele governava com punho de ferro. Eu o protegi, eu sorri em jantares onde inimigos serviam veneno em taças de cristal, eu aqueci a cama fria dele com uma devoção que me consumia aos poucos.
Eu o amava com a fúria de uma mulher que nunca teve nada e, de repente, encontrou o centro do seu universo em um homem de gelo.
E agora, nós teríamos uma criança. O herdeiro do Sindicato Vance. A prova viva de que o nosso casamento, nascido da necessidade, poderia finalmente florescer em algo real. Talvez, apenas talvez, aquele bebê fosse a chave para derreter a muralha impenetrável que Victor mantinha ao redor do próprio coração.
Lavei o rosto com água gelada, observando meu reflexo. Os olhos escuros e afiados de Katerina Sokolov, a garota letal do leste europeu, estavam suavizados. Havia um brilho vulnerável neles. Escolhi um vestido de cashmere bege, um modelo de gola alta e mangas longas que abraçava meu corpo com a estética do luxo silencioso que a alta sociedade de Victor exigia. O tecido era macio, quase um abraço, algo que eu precisava desesperadamente naquela manhã. Prendi o cabelo em um coque impecável. Eu queria estar perfeita para ele. Eu queria que ele olhasse para mim e visse não apenas a agente secreta que garantia a segurança de suas fronteiras, mas a mãe do filho dele. A mulher dele.
Os corredores da mansão Vance pareciam infinitos. O chão de madeira nobre não ecoava meus passos. Os seguranças armados com fuzis de precisão nos cantos escuros dos corredores abaixavam a cabeça em profundo respeito quando eu passava. Eles sabiam do que eu era capaz. Eles temiam a Rainha tanto quanto o Rei. Mas, por dentro, eu era apenas uma mulher caminhando para o corredor da morte com o coração nas mãos.
O escritório de Victor ficava no fim da ala leste. As pesadas portas de carvalho maciço estavam entreabertas. O cheiro de tabaco caro, uísque escocês envelhecido e o perfume amadeirado dele invadiram minhas narinas, fazendo meu estômago revirar ligeiramente. Eu sorri. Era o cheiro da minha casa. O cheiro do homem que eu amava.
Empurrei a porta, entrando no santuário dele.
Victor estava de costas, olhando através das janelas de vidro à prova de balas que iam do chão ao teto, observando a cidade cinzenta que lhe pertencia. Ele vestia um terno preto sob medida que moldava seus ombros largos e sua postura rígida. A luz da manhã refletia no relógio Patek Philippe em seu pulso enquanto ele segurava um copo de cristal. Ele era a personificação do poder, um deus cruel esculpido em gelo e autoridade.
Eu parei no centro da sala, a poucos metros de sua mesa de mogno. Meu coração batia em um ritmo frenético, esmurrando minhas costelas. A palavra “grávida” dançava na ponta da minha língua, pronta para mudar nossas vidas para sempre.
Ele virou-se lentamente. O rosto esculpido, os maxilares travados, os olhos escuros e insondáveis fixaram-se em mim. Não havia calor ali. Não havia sequer o respeito distante que ele costumava me dedicar. Havia apenas uma urgência fria e uma irritação que me fez hesitar.
O ar no escritório despencou dez graus. O instinto de sobrevivência que me manteve viva por anos gritou na base do meu crânio, mas o amor cego que eu sentia por aquele homem abafou o aviso.
— Eu preciso falar com você. — A minha voz ecoou, carregada de uma urgência branda.
Victor não piscou. Ele colocou o copo de cristal sobre a mesa com um baque seco e definitivo. O som soou como um tiro no ambiente silencioso.
— Não agora. — Ele respondeu, a voz cortando o espaço como uma lâmina de aço afiada. — Sente-se, Katya.
A escolha da palavra bateu no meu peito. Ele raramente usava meu nome. Ele preferia “esposa” quando estávamos em público, ou um silêncio possessivo quando estávamos a sós. Eu não me sentei. Dei um passo à frente, a mão instintivamente procurando o tecido do vestido sobre o meu ventre.
— É importante. — Eu insisti, um sorriso incipiente lutando para nascer nos meus lábios. — Sobre nós. Sobre o futuro.
A expressão dele não mudou, mas uma sombra cruzou seus olhos. Ele fechou os botões do paletó, uma barreira física sendo erguida entre nós.
— Não existe nada de importante sobre nós no momento. — Ele retrucou, o tom perigosamente calmo. — Alice voltou ao país.
O mundo parou.
A gravidade desapareceu sob os meus pés. A lareira acesa no canto da sala pareceu perder todo o seu calor. O nome dela pairou no ar, uma praga sussurrada que apodreceu o ambiente em segundos. Alice . Alice Grace Hastings. O primeiro amor dele. A herdeira de porcelana intocada, a mulher de sangue puro que nunca precisou sujar as mãos, a garota que ele foi forçado a abandonar por alianças políticas, e a única sombra que eu nunca consegui banir da nossa cama.
Minha respiração travou na garganta. O sorriso que eu tentava formar morreu de forma humilhante. O silêncio que se seguiu foi o som da minha alma sendo triturada.
Eu pisquei, sentindo um zumbido agudo ensurdecer os meus ouvidos. A memória dos últimos três anos passou pelos meus olhos como um filme em câmera lenta. As noites em que costurei os ferimentos dele em segredo. As balas que interceptei. O sangue que derramei para garantir que ele dormisse em paz. O calor do meu corpo oferecido a ele em noites escuras, onde eu fingia não perceber que ele fechava os olhos para imaginar o rosto de outra.
Tudo isso. Três anos de devoção absoluta, de suor, de lágrimas engolidas e de amor rasgado, reduzidos a pó com cinco palavras.
— Ela... ela voltou. — Eu murmurei, os lábios dormentes, sentindo a sala girar de forma nauseante.
Victor caminhou até a mesa e pegou um envelope pardo grosso. Ele o jogou sobre a superfície polida. Os papéis deslizaram até a beirada, parando a centímetros de mim.
— Ela desembarcou esta manhã. — Ele explicou de forma metódica, fria, como se estivesse discutindo a fusão de duas empresas e não o aniquilamento da minha existência. — Ela não está segura fora da proteção do Sindicato. Eu a trarei para a mansão. Ela ficará na ala leste.
A ala leste. A nossa ala.
O ar não chegava aos meus pulmões. O pânico, um animal selvagem e desesperado, cravou as garras na minha espinha. Ele não estava apenas me informando. Ele estava abrindo espaço. O envelope na mesa gritava a verdade que o meu coração se recusava a aceitar.
— Victor... — A minha voz falhou. Um filete úmido escapou do meu olho esquerdo, uma lágrima patética de pura agonia. Eu dei um passo em direção a ele, a mão estendida, os dedos tremendo no espaço vazio entre nós. — Victor... por favor... eu amo você...
A humilhação daquelas palavras queimou minha língua como ácido. Eu, Katerina Sokolov, uma mulher temida pelo exército e pela máfia clandestina, estava ali, curvada, sangrando invisivelmente, implorando por migalhas do coração de um homem que nunca me pertenceu. Eu havia abandonado a minha essência letal, me transformado em uma esposa dócil e silenciosa, apenas para ser amada por ele. E eu não era nada.
Victor olhou para a minha mão estendida, depois para o meu rosto lavado de lágrimas. A expressão dele permaneceu impassível. Intocada. O demônio de coração frio não viu o desespero da mulher que carregava seu filho; ele viu apenas uma inconveniência contratual chorando no tapete persa do seu escritório.
— Não torne isso patético, Katya. — Ele falou, o tom desprovido de qualquer misericórdia. — Nós sempre soubemos o que esse casamento era. Um acordo. Uma necessidade mútua. Você foi útil para proteger minhas posses, e eu forneci o luxo e a estabilidade que você precisava.
O sangue fugiu do meu rosto. A palavra útil cortou minha pele como chicotadas.
— Três anos... — Eu sussurrei, a dor esmagando meu peito, fazendo meus joelhos fraquejarem. Eu me agarrei à borda da mesa de mogno para não cair, os nós dos meus dedos ficando brancos. — Eu fui sua esposa por três anos. Eu dei a minha vida por você.
— E foi muito bem recompensada por isso. — Ele rebateu, ajeitando a abotoadura de prata, incapaz de sustentar o peso do meu olhar quebrado. — Os papéis do divórcio estão na mesa. O acordo financeiro é mais do que generoso. Você terá propriedades, dinheiro suficiente para três vidas e a proteção contínua do Sindicato Vance, contanto que não interfira no meu relacionamento com a Alice .
A náusea tomou conta de mim. A mão que repousava sobre a mesa deslizou instintivamente de volta para o meu ventre, protegendo o segredo que agora morreria comigo. Se ele soubesse do bebê, ele o tomaria. Ele me manteria como uma prisioneira incubadora, enquanto Alice dormiria na cama que eu havia aquecido. Victor Vance não abriria mão de um herdeiro de sangue, mas ele também não abriria mão do amor de sua vida.
Ele faria de mim um fantasma em minha própria casa.
A dor paralisante que me sufocava começou a se transformar em outra coisa. O frio intenso, aquele mesmo frio siberiano que habitava minhas veias antes de eu conhecê-lo, começou a rastejar de volta, congelando minhas lágrimas, amortecendo a queimação no meu peito.
Olhei para o homem à minha frente. O rosto bonito, a postura arrogante, a certeza absoluta de que eu abaixaria a cabeça, assinaria o papel e desapareceria nas sombras, aceitando o meu papel de peça descartada no tabuleiro de xadrez dele.
Eu recolhi a minha mão.
Levantei o queixo. Os tremores pararam. A mulher vulnerável e apaixonada que entrou naquele escritório, ansiando por entregar o mundo a ele em forma de uma criança, havia sido executada a sangue frio. O que restava dentro de mim agora era apenas instinto de preservação.
— Está claro. — Minha voz perdeu toda a emoção, soando monótona e robótica. A máscara impenetrável da agente secreta caiu pesadamente sobre o meu rosto.
Victor ergueu uma sobrancelha, surpreso com a mudança repentina, mas aliviado por não ter que lidar com a minha histeria feminina.
— Você tem até o fim da semana para retirar seus pertences pessoais da ala leste. — Ele ordenou, já pegando um documento em sua mesa, descartando a minha presença como se eu fosse um móvel antigo sendo substituído. — Haverá o baile da máfia no fim de semana. Estaremos todos lá. Eu anunciarei a minha separação e o retorno de Alice no evento. Quero que você esteja presente para manter as aparências da transição.
O baile. Onde todos os figurões do submundo, incluindo a escória inimiga, estariam presentes. Onde eu teria que ficar em pé, em silêncio, assistindo ao meu marido apresentar a sua amante para o mundo, confirmando que a temida esposa não passava de uma substituta barata.
Eu encarei o envelope pardo por um longo segundo. O papel que destruía a minha vida, a minha família e o futuro do filho que crescia dentro de mim.
— Eu estarei lá. — Eu disse calmamente.
Dei as costas para Victor Vance. O som dos meus saltos ecoou duro e preciso no chão de madeira enquanto eu caminhava para a porta. Eu não chorei. Eu não implorei mais. O amor é uma fraqueza que mata as pessoas no nosso mundo, e eu não pretendia morrer por um homem que não valia a sola do meu sapato.
Alice estava de volta. O acordo havia acabado. Mas Victor havia cometido um erro fatal.
Ele me ensinou como o seu império funcionava. Ele me deu as chaves de todas as suas portas, a senha de todos os seus cofres e me mostrou todas as suas fraquezas. Ele achava que eu sairia silenciosamente, grata pelo dinheiro, carregando um bastão com duas linhas rosas como o meu maior segredo.
Eu fechei as portas duplas do escritório atrás de mim. O ar gélido do corredor atingiu o meu rosto. Katerina Sokolov, a esposa submissa, estava morta. E se Victor Vance queria uma transição, ele teria uma.
POV: Katerina Sokolov O corredor que levava aos aposentos privados tornou-se um campo minado de lealdades. Eu caminhava pelo mármore frio, mas não sentia o gelo sob os meus pés; o que eu sentia era a tensão estática no ar. Homens da Bratva, vestidos com os seus ternos pretos impecáveis e olhar de predadores, misturavam-se agora com a segurança de Victor Vance. Era uma coalizão forçada, um arranjo que faria o mundo tremer se soubessem que os dois lados do inferno estavam agora guardando o mesmo berço. Eu parei por um instante, observando um dos soldados de Nikolai trocar um olhar gélido com um dos homens de Victor. Nenhum deles ousou falar, mas a linguagem corporal era clara: eles se odiavam, mas ambos temiam as consequências de falhar comigo. Eu não era mais apenas a Tsarina da Bratva ou a Baronesa da Máfia; eu era a mulher que unira dois mundos através do meu filho, Thomas. Entrei n
POV: Nikolai Volkov O ar na sala de reuniões era tão saturado de tensão que eu quase podia sentir o gosto metálico do perigo na ponta da língua. Eu estava sentado à cabeceira da mesa, o meu posto de direito como Pakhan da Bratva, observando Victor Vance do outro lado. Ele exalava aquela arrogância fria, típica do homem que passou a vida inteira acreditando que o mundo era apenas um tabuleiro de xadrez onde ele movia as peças conforme a sua conveniência. Hoje, porém, o jogo mudara. Hoje, o objetivo não era mais o território; era a linhagem. O plano estava pronto. A união da Bratva com o legado Vance não era apenas uma aliança comercial; era a criação de uma potência que faria o submundo tremer. Mas, enquanto os papéis sobre a mesa detalhavam rotas de exportação e divisões de zonas de influência, a minha mente estava em outro lugar. Estava em Katerina, estava em Thomas, e estava na necessidade brutal de garantir que aquele menino — o nosso legado vivo — nunca soubesse o que era ser um
POV: Victor Vance O ar naquela suíte carregava o cheiro de lavanda e o perfume inconfundível de Katerina, uma mistura que, para mim, era o único sinal de que eu ainda possuía uma alma. Eu estava parado diante da janela, observando o movimento dos guardas no perímetro. Eles não sabiam, mas cada um deles ali era uma extensão da minha vontade, uma engrenagem que eu lubrificava com o medo alheio. Eu era o Don do Passado, o homem que construíra um império sobre o silêncio e a brutalidade, mas ali, ao olhar para o berço onde Thomas dormia, eu me sentia, pela primeira vez, refém do futuro. Eu me lembrava, com uma clareza que me causava náusea, da vida que eu levava antes de Katerina. A arrogância era a minha única armadura. Eu não temia a morte porque ela não significava nada; eu não temia a perda porque eu não possuía nada que não fosse descartável. Eu entrava em salas de reunião com o peso de uma sentença de morte no olhar, e todos ao redor se curvava
POV: Katerina Sokolov A luz da manhã filtrava-se pelas cortinas pesadas da suíte, desenhando padrões dourados sobre o lençol de linho. Pela primeira vez em meses, o silêncio não me trazia o peso da sobrevivência ou o medo de uma emboscada; ele trazia apenas o som rítmico da respiração de Thomas. Eu estava sentada na poltrona de veludo, acomodando o pequeno Thomas em meus braços. Sentir o peso dele contra o meu corpo era a âncora que eu nunca soube que precisava. Enquanto ele se alimentava, seus dedinhos minúsculos apertavam o tecido da minha camisola, um gesto de posse tão puro que me fazia esquecer, por um breve momento, o sangue que manchava o nosso sobrenome. Ele era a luz na escuridão, a prova de que, entre as guerras da Bratva e as sombras da máfia, havíamos criado algo intocado. A porta se abriu com um clique suave. Não precisei olhar para saber quem era; a atmosfera do quarto mudou, tornando-se mais densa, mais elétrica. Nikolai entrou, a figura imponente do Pakhan desa
Último capítulo