Meu Submisso é Um Vampiro

Meu Submisso é Um Vampiro PT

Fantasia
Última actualización: 2026-01-02
Rosana Lyra  Completo
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Resumen
Índice

Ela domina todos os corpos, mas nunca o próprio coração. Ele esconde segredos que nem a eternidade pode apagar. Quando Aurora salva um estranho em uma noite chuvosa, não imagina que acabou de abrir a porta para um passado esquecido... e para um desejo que pode custar sua alma. Ele não é apenas um submisso. É um vampiro que a esperou por mais de dois séculos.

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Capítulo 1

Capítulo 1 – A Eternidade da Perda

Aleksei Vasiliev

Eu já vivi séculos, mas em certas noites parece que todos eles repousam sobre os meus ombros como correntes invisíveis.

A eternidade não é feita de luxo, poder ou prazer. É feita de ausências. De silêncios tão profundos que ecoam mais alto do que mil vozes.

Nasci sob o teto dourado da Rússia imperial, quando ainda havia neve limpa cobrindo São Petersburgo e carruagens cruzavam avenidas largas.

Eu era filho de uma família nobre, herdeiro de terras e títulos que não significavam nada para mim. Tinha o coração rebelde demais para aceitar tradições e a ambição juvenil de querer o mundo.

Foi nesse tempo que a vi.

Uma jovem de beleza rara, com cabelos escuros e olhos que pareciam carregar a própria alvorada. Elena.

Ela não pertencia ao meu círculo. Não tinha jóias caras, nem vestidos bordados em Paris. Mas tinha algo que nenhuma das mulheres do meu mundo possuía: verdade.

— Vai me olhar assim por quanto tempo? — ela perguntou uma vez, com um sorriso tímido, quando nos cruzamos na praça.

— Até que se canse de ser contemplada. — respondi, e ela riu, balançando a cabeça como quem não acreditava na ousadia.

Eu a amei como se cada respiração dependesse dela. E talvez dependesse. Porque até então eu nunca havia sentido algo tão avassalador.

Mas o destino não costuma ser generoso.

Naquela mesma juventude, fui caçado por algo que não compreendia. Um vampiro antigo, faminto, me escolheu como presa. Eu lutei, ou pensei que lutei.

— Corra! — gritei para Elena, antes que ele me alcançasse.

— Não vou deixar você sozinho! — ela respondeu, mas eu já sentia as garras dele me prendendo.

Quando seus dentes perfuraram minha pele, não houve escuridão, mas sim um clarão. O êxtase do sangue roubado e a dor de morrer se misturaram.

E então veio a fome. A maldição. A eternidade.

Transformado, eu caminhei pelos anos como um exilado. A sede era minha senhora, a noite minha prisão. Até que, uma década depois, voltei a encontrá-la. Aurora, ainda linda jovem, ainda viva. O mesmo rosto, o mesmo sorriso que me atormentava em sonhos.

Eu deveria tê-la deixado viver sua vida. Mas o medo de perdê-la me corroeu. Eu a transformei.

— O que você fez comigo? — ela gritou na primeira noite, quando percebeu o que havia se tornado.

— Salvei você. — menti para me enganar.

— Você me condenou, Aleksei! — seus olhos brilhavam de amor e ódio ao mesmo tempo.

Ela me odiou por isso, ainda que também me amasse. Nossa vida juntos foi um incêndio, apaixonada, perigosa, insaciável. Ela me chamava de maldição e de salvação na mesma frase. E eu aceitava, porque não havia outro destino para mim além dela.

Até o dia em que ela morreu em meus braços.

Não pela fome, não pela eternidade, mas por acidente humano, uma cruzada de caçadores que a confundiram comigo. O corpo dela tremia quando sussurrou:

— Eu não entendo você… mas eu amo você.

E então o silêncio.

Não importa quantas mortes já presenciei, aquela foi a única que me matou.

A partir dali, a eternidade se tornou apenas deserto. Nenhum sangue, nenhum corpo submisso, nenhuma entrega preenchia o espaço que ela deixou. Eu vaguei. Séculos de vazio.

Hoje começo duzentos e sessenta anos sinto o vazio obscuro da minha existência. Há noites em que até um vampiro se cansa de existir. Eu era novo quando fui transmutando, não tinha chegado aos trinta, congelei nessa imagem que muitas mulheres desejam… mas eu só desejo uma. Ela me espera na outra vida e eu vou encontrar com ela.

E naquela noite chuvosa, eu decidi que não queria mais resistir.

Três homens me encontraram em um beco, não por acaso. Eu os deixei me acertar. Socos, chutes, facas curtas. A dor não era nada diante da eternidade que eu carregava. Meu corpo poderia suportar. O que não suportava mais era o vazio.

Eu queria a morte, se é que ela existe para alguém como eu.

Quando o sangue escorreu pelo canto da boca, não lutei. Apenas fechei os olhos e deixei que viesse o fim.

Mas o som de pneus freando cortou a noite. Um carro invadiu o beco, faróis intensos. Os homens recuaram, assustados, como ratos diante da chama. A porta se abriu, e a voz que eu conhecia melhor do que qualquer outra soou:

— A polícia já está a caminho! Seus desgraçados, covardes.

Eles fugiram em segundos.

Eu, porém, fiquei imóvel, sentindo o coração, que é lento, quase parando, acelerar pela primeira vez em pouco de dois séculos.

Ela caminhou até mim, saltos firmes contra o asfalto molhado. A chuva deslizava por seus cabelos escuros, grudando no rosto de pele clara. Nos olhos dela havia fúria, coragem, desprezo pelos agressores.

E eu, que já não esperava nada, a vi outra vez.

Não a mesma, mas tão idêntica que minha alma quase se partiu.

Ela não me reconheceu, é claro. Como poderia? Sua alma havia renascido, mas sua memória não. Ainda assim… era ela. Os mesmos olhos, a mesma centelha, a mesma força que sempre me destruiu e me salvou.

Os mesmos olhos, a mesma essência. A minha Elena.

— Você está bem? — perguntou, agachando-se ao meu lado. O cabelo dela caiu para frente, e por um instante meu mundo se resumiu ao perfume da chuva misturado ao dela — Eu vou te levar para o hospital. Aguenta firme aí.

Minha voz saiu rouca, quase um sussurro:

— Hospital, seria uma péssima ideia.

Ela franziu o cenho, irritada com o que considerou teimosia.

— Está sangrando. Precisa de ajuda.

Eu a encarei. Mesmo sem lembranças de mim, mesmo sem saber quem eu era, ela ainda vinha até mim. Ainda me salvou.

E foi naquele instante que entendi, o destino não tinha acabado comigo. Não ainda.

— Eu te encontrei… Elena. — deixei escapar o nome que pertenceu a ela na outra vida, mesmo sabendo que ela não entenderia.

A chuva lavava meu sangue e minhas dores, mas não conseguia apagar a certeza… Elena estava ali, viva, tocando meu braço.

Séculos de vazio se romperam como vidro. Eu não estava mais sozinho.

E quando nossos olhos se encontraram, eu ensanguentado e ajoelhado no asfalto, soube que a eternidade acabou de me devolver aquilo que julgava perdido para sempre.

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Capítulo 1 – A Eternidade da Perda
Capítulo 2 – Rainha das Cinzas
Capítulo 3 – O Estranho na Chuva
Capítulo 4 – O Intruso Permanente
Capítulo 5 - Meu Estranho Seguidor
Capítulo 6 – O Olhar que Arde
Capítulo 7 - Tudo Sobre Ela
Capítulo 8 – Máscaras e Tentação
Capítulo 9 - Irresistível e Obediente
Capítulo 10 – Primeira Faísca
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