Aurora ManciniNo saguão da empresa, Chiara veio em minha direção com passos urgentes e um sorriso que eu reconheço: “algo está pegando fogo”.— Mancini, quem é o modelo novo? — sussurrou, puxando meu braço — De preto, olhar de quem sabe o que faz com as mãos. Tá tudo em cima te acompanhando.— Não é modelo. — respondi, seca — É inconveniente.— Alto, olhos intensos… — ela ajeitou o cabelo, maliciosa — se esse inconveniente for curricular, me indica.— Chiara. — cortei, mas não consegui evitar o canto da boca — Foco. Sala 3, dez minutos. E… diga à segurança para não abordar ninguém do lado de fora. Ainda. Se ele continuar lá fora não terá problema.— Ainda? — ela arqueou a sobrancelha — Gosto quando tem plot.— Eu escrevo o plot. — devolvi, e entrei no elevador privativo.No reflexo da porta de aço escovado, havia dois rostos, o meu, maquiagem impecável, e, mais atrás, o dele no saguão, imóvel, olhando para cima. Não era ameaça. Era vigília.O elevador subiu. Meu coração, contra todas
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