Aleksei Vasiliev
Ajoelhar.
Palavra simples, gesto repetido por séculos diante de reis, padres, chefes de guerra. Já fui obrigado, já fui reverenciado, já impus a outros o peso de se curvarem. Mas nunca houve joelhos que fizessem sentido até agora.
Diante de Aurora, ajoelhar não é humilhação. É reconhecimento. É me aproximar da única verdade que me resta.
Senti o carpete sob meus joelhos, frio, mas firme, e mantive os olhos nela. Seu queixo erguido, o batom Scarlatti ainda intacto, o olhar calculado de quem nasceu para mandar. Para ela, era um jogo. Para mim, era sagrado.
— Mãos nas coxas. Palmas voltadas para cima. — ordenou, a voz cortante. E o prazer de obedecer queimou minhas veias.
Obedeci sem hesitar. Os músculos que poderiam esmagar aço repousaram dóceis, imóveis. Eu a vi andar ao meu redor, os saltos estalando no piso como martelos que ditavam o compasso da noite. Desejei esse passo no meu peito, seu sapato pressionando meu peito… e eu, deitado no chão, rendido a ela.
Cada pass