Aurora Mancini
A vida aprendeu um novo ritmo dentro de mim. Primeiro era um sussurro. Depois virou batida. Agora, meses depois do fim do Círculo, é um tambor que dita meus dias e minhas noites. Eu caminho pela mansão e sinto a casa interagir comigo.
O chão já não é frio. As janelas não parecem muralhas. Há plantas, há risos, há cheiro de pão vindo da cozinha porque Klaus insiste em assar toda manhã, dizendo que o aroma humano ajuda a espantar tristezas antigas mesmo que não precisemos comer. Matteo finge implicar, mas sempre é o primeiro a roubar um pedaço ainda quente só para fingir humanidade.
Eu e Aleksei vivemos uma rotina que nunca pensei desejar. Ele me acompanha em reuniões por vídeo, silencioso, sentado no sofá do escritório. Às vezes só me olha.
Outras vezes aponta com o queixo um contrato que merece ser lido pela segunda vez. Quando desligo, ele me puxa para perto e eu apoio a cabeça no peito dele. O coração lento marca o tempo de um jeito que me acalma. É como contar maré