Aurora Mancini
Eu sempre pensei que conhecia os limites do meu corpo. Conhecia os limites da dor, do prazer, do controle. Sempre fui senhora de mim mesma, e nos clubes, nas masmorras, nos contratos, essa era minha coroa invisível: o poder de decidir.
Mas quando olhei para Aleksei naquela noite, senti que pela primeira vez não havia contrato, não havia teatro, não havia máscaras. Só a eternidade esperando que eu dissesse sim.
Ele estava diante de mim com os olhos escuros, profundos, como se guardassem um século inteiro em cada piscada contida. O silêncio entre nós era uma afronta à falta de toque. Eu já tinha dito. Eu já tinha pedido. Agora restava a ele acreditar e me dar o que sempre segurou com os dentes.
Aproximei-me. Toquei o peito dele. A pele fria, o coração batendo lento demais, como se o tempo fosse refém.
— Aleksei… — minha voz falhou, mas insisti — eu quero.
Ele fechou os olhos por um instante, e foi como se segurasse o peso do mundo. Quando os abriu, não havia mais dúvidas