Aurora Mancini
Aleksei não sorriu, não piscou. Apenas cedeu. Os joelhos tocaram o carpete do corredor num movimento calmo, controlado, como se a queda tivesse sido ensaiada por séculos. Os olhos não abandonaram os meus.
Tornei o ar mais denso de propósito. O poder, quando se instala, pede precisão.
— Mãos nas coxas. Palmas voltadas para cima. — Minha voz saiu estável, quase clínica — Olhar… em mim.
Ele obedeceu, e o gesto não tinha nada de humilhação. Era entrega. Pura e perigosa.
— Você sabe o que significa essa postura? — perguntei.
— Sei. — respondeu, baixo — Significa que eu te dou voz… e fico.
Uma faísca atravessou meu peito. Toquei o ombro dele com a ponta do dedo, só para medir a quietude. Não tremia. Não desafiava. Não jogava. Ficava.
— Levante. — ordenei, um teste.
Aleksei levantou. Eu dei um passo para trás, mantenho o controle pela distância.
— Encosta… — apontei para a parede ao lado da porta — mãos para trás. Não toque em mim sem ordem.
Ele obedeceu, o corpo alto enquadra