Mundo ficciónIniciar sesiónGustavo Ferraresi acreditava que finalmente havia encontrado a paz. Ao lado de Maytê, ele aprendeu que o amor não se conquista com dinheiro, poder ou controle, mas com escolhas feitas todos os dias. Só que a felicidade dura pouco. Uma fotografia antiga, uma mulher desconhecida e uma ligação anônima fazem Gustavo descobrir que seu pai levou para o túmulo segredos capazes de destruir o império da família. Enquanto tenta descobrir a verdade, alguém passa a vigiar cada passo do casal. Acidentes estranhos, documentos desaparecendo, mentiras enterradas há mais de vinte anos e uma pergunta que ninguém quer responder: Quem realmente era o homem que construiu o Grupo Ferraresi? Quando Maytê se torna o principal alvo dessa guerra silenciosa, Gustavo percebe que desta vez não basta ser um homem melhor. Ele precisará enfrentar o passado da própria família para impedir que o futuro deles seja roubado. Porque algumas heranças não são feitas de dinheiro, são feitas de segredos e alguns segredos, matam.
Leer másSEIS MESES DEPOIS.
A chuva caía fina sobre a cidade quando Gustavo entrou em seu escritório, era tarde. Os corredores do Grupo Ferraresi estavam praticamente vazios, ele largou a pasta sobre a mesa, afrouxou a gravata e caminhou até a janela. Aquela já não era mais sua rotina. Agora, quase sempre, saía cedo para jantar com Maytê. Mas uma reunião inesperada o obrigara a ficar até mais tarde. O celular vibrou, uma mensagem dela. Não esquece do sorvete. 🍦❤️ Ele sorriu sozinho, respondendo imediatamente. Nunca mais esqueço. Promessa. Guardou o telefone no bolso e foi então que percebeu um envelope pardo sobre a mesa, não havia remetente, nem selo. Apenas seu nome escrito à mão. Gustavo Ferraresi. Franziu a testa, não lembrava de tê-lo visto pela manhã. Pegou o envelope, estava pesado. Abriu com cuidado e dentro havia uma única fotografia. Antiga. Amarelada pelo tempo. Nela, um garoto de aproximadamente dez anos sorria ao lado de um homem e de uma mulher. O garoto era Gustavo. O homem, seu pai. Mas a mulher não era sua mãe. Seu coração parou por um segundo, virou a fotografia e no verso, havia apenas uma frase escrita com tinta azul. "Você nunca conheceu toda a verdade sobre sua família." O sorriso desapareceu de seu rosto. Naquele instante, alguém bateu à porta. — Pode entrar. Henrique apareceu. — Ainda está aqui? Pensei que já... — parou de falar ao notar a expressão do amigo — O que aconteceu? Sem dizer uma palavra, Gustavo entregou a fotografia. Henrique observou por alguns segundos e depois franziu a testa. — Quem é essa mulher? — Eu não faço ideia. Os dois permaneceram em silêncio, até que Henrique encontrou algo escondido dentro do envelope, um pequeno cartão dobrado. Abriu lentamente, havia apenas um endereço e uma data, daqui a sete dias. Gustavo sentiu um arrepio percorrer sua espinha. — Isso só pode ser uma brincadeira. Henrique continuou olhando para o cartão. — Você acredita mesmo nisso? Antes que Gustavo pudesse responder, seu celular tocou. Número desconhecido. Ele atendeu. — Alô? Do outro lado da linha, ouviu apenas a respiração de alguém. Então uma voz masculina, calma e firme, falou apenas uma frase: — Se você ama Maytê... não vá sozinho. A ligação caiu. Gustavo permaneceu imóvel, o escritório ficou completamente silencioso. Lentamente, ele olhou novamente para a fotografia e pela primeira vez em muito tempo, sentiu o mesmo frio na barriga que experimentara quando tudo começou. Só que, dessa vez, não era o amor que estava em risco. Era o passado. E algumas verdades, quando finalmente aparecem, têm o poder de destruir tudo outra vez. × A fotografia não saía da cabeça de Gustavo, já passava da meia-noite. Mesmo assim, ele continuava sentado no escritório da cobertura, observando a imagem espalhada sobre a mesa. O garoto de dez anos sorria para a câmera. Ao seu lado, estava Augusto Ferraresi. Seu pai. O homem que transformara uma pequena empresa em um dos maiores grupos econômicos do país. O homem que passara a vida inteira ensinando que sentimentos eram fraqueza. O homem que morrera sem jamais pedir perdão por nada. Mas a mulher, não era sua mãe. Gustavo tinha certeza. Virou novamente a fotografia, a frase continuava ali. "Você nunca conheceu toda a verdade sobre sua família." Sentiu um arrepio percorrer sua espinha, a ligação anônima ainda ecoava em sua mente. "Se você ama Maytê... não vá sozinho." Quem sabia sobre Maytê? Quem conhecia sua rotina? E, principalmente, quem estava observando sua vida? O celular vibrou, Henrique. — Você conseguiu dormir? Gustavo soltou uma risada sem humor. — Você sabia a resposta antes de perguntar. — Imaginei. Do outro lado da linha, Henrique permaneceu alguns segundos em silêncio. Depois falou: — Amanhã eu vou com você. — Nem sabemos para onde esse endereço leva. — Justamente por isso. Gustavo olhou mais uma vez para o cartão encontrado no envelope, um endereço e uma data. Apenas isso, nenhuma explicação, nenhuma assinatura. — Pode ser uma armadilha. — Pode. — Pode ser alguém querendo dinheiro. — Também pode. Henrique respirou fundo. — Mas, se existe uma chance de isso estar ligado ao seu pai... você nunca vai conseguir ignorar. Gustavo fechou os olhos, Henrique tinha razão. Ele precisava descobrir a verdade, mesmo que ela doesse. Na manhã seguinte, Maytê acordou antes do despertador. Estendeu a mão para o outro lado da cama, vazio. Sorriu. Sabia exatamente onde encontraria Gustavo, desceu até a cozinha. Ele estava diante do fogão, usando um avental preto e completamente concentrado em virar uma panqueca. A primeira caiu torta, a segunda também, a terceira finalmente deu certo. Maytê encostou na porta, cruzando os braços. — Acho que estamos evoluindo. Gustavo virou-se assustado. — Você está aí há quanto tempo? — O suficiente para descobrir que a quarta panqueca vai queimar. Os dois olharam para a frigideira ao mesmo tempo, cheiro de queimado. Ele desligou o fogo rapidamente e ela caiu na gargalhada. — Ainda bem que você administra empresas melhor do que administra um café da manhã. Ele riu junto e aquele som ainda era uma das coisas favoritas de Maytê, ela aproximou-se e roubou um beijo rápido. — Bom dia. — Bom dia. Por um instante, Gustavo esqueceu completamente o envelope. Esqueceu a fotografia, a ligação, existia apenas ela. Mas bastou o celular vibrar sobre a bancada para a realidade voltar. Henrique. "Nove horas. Não vá sozinho." Maytê percebeu a mudança imediata na expressão dele. — Aconteceu alguma coisa? Gustavo guardou o telefone no bolso. Por alguns segundos, pensou em mentir, depois lembrou da promessa que fizera meses atrás. Chega de segredos. — Ontem deixaram um envelope no meu escritório. — ela franziu a testa. — Que envelope? Ele contou tudo: a fotografia, a mensagem, a ligação. Sem esconder absolutamente nada. Quando terminou, Maytê permanecia em silêncio. — Então alguém está mexendo com a sua família? — Acho que sim. Ela respirou fundo. — E você pretende ir até esse endereço. Não era uma pergunta. Ele assentiu. — Sim. — Com Henrique? — Sim. Ela caminhou até a janela da cozinha, ficou alguns segundos olhando a cidade e depois virou-se novamente. — Eu vou com vocês. Gustavo balançou a cabeça imediatamente. — Não. — Gustavo... — Não vou colocar você em risco. Ela aproximou-se, segurando suas mãos. — Escuta. — sua voz era calma — Nós prometemos enfrentar tudo juntos. Ele fechou os olhos, era exatamente isso que a ligação dizia para não fazer. Levá-la. O medo apertou seu peito. — Eu não conseguiria me perdoar se acontecesse alguma coisa com você. Maytê acariciou seu rosto. — E eu não conseguiria ficar em casa imaginando você correndo perigo sozinho. Os dois permaneceram em silêncio, até que a campainha tocou. Henrique entrou sem cerimônia, como sempre. Olhou para os dois e depois para a expressão preocupada de Gustavo. — Ela já sabe? — Sei. Henrique suspirou. — Imaginei. Maytê cruzou os braços. — Quando vamos? Henrique e Gustavo trocaram um olhar, os dois pensavam a mesma coisa. Protegê-la. Mas também sabiam que Maytê dificilmente aceitaria ficar para trás. Henrique colocou o endereço sobre a mesa. — Amanhã, às dez horas. Fica a quase duas horas daqui, é uma antiga fazenda abandonada. Gustavo olhou novamente para o cartão, sentia que sua vida estava prestes a mudar outra vez. Só não imaginava que aquele endereço escondia muito mais do que um segredo de família. Escondia alguém que esperava por ele havia mais de vinte anos e essa pessoa sabia exatamente quem era Maytê, muito antes de Gustavo imaginá-la entrando em sua vida. O jogo havia começado e, desta vez, o passado seria muito mais perigoso do que qualquer inimigo do presente.A chuva continuava caindo, ninguém dizia uma palavra.Marcelo permanecia ajoelhado na lama, segurando o corpo do pai e pela primeira vez em muitos anos, toda a máscara de frieza havia desaparecido.— Não... — a voz saiu quebrada — Você não podia morrer agora...Henrique abaixou lentamente a arma, não via mais um inimigo, via apenas um homem que acabara de perder o pai.Maytê aproximou-se de Gustavo, seus olhos estavam presos à pequena medalha deixada por Samuel. No verso havia apenas uma palavra. Elisa.— O que isso significa? — perguntou ela.Gustavo limpou cuidadosamente a medalha, havia algo estranho, ela era mais pesada do que deveria.Henrique pegou o objeto, observou cada detalhe e então percebeu uma pequena fenda na lateral.— Espera...Ele pressionou discretamente a borda, um clique metálico ecoou e a medalha se abriu. Dentro havia um minúsculo cartão de memória. Todos prenderam a respiração.— Samuel... Você estava um passo à frente.Na cobertura de Gustavo, algumas horas dep
Henrique ficou paralisado, a fotografia tremia entre seus dedos. Sua mãe, Helena Albuquerque.O rosto estava nítido, marcado por um círculo vermelho desenhado à caneta por Roberto Lopes.Durante toda a vida, Henrique acreditou que ela havia sido apenas uma professora de música. Uma mulher discreta, sem ligação com empresários, sem ligação com crimes e sem ligação com Álvaro Montenegro.— Isso... isso está errado. — sua voz saiu falha — Minha mãe nunca...Ele não conseguiu terminar.Gustavo colocou a mão em seu ombro.— Calma. Uma fotografia não conta toda a história.Antes que Henrique pudesse responder...BANG!O disparo ecoou pelo moinho, a bala atravessou a janela e acertou a parede a poucos centímetros da cabeça de Samuel.— Abaixem-se! — Gustavo gritou.Instintivamente, Maytê puxou Clara para trás de uma antiga máquina de moagem. Henrique sacou a arma. Outro tiro. O vidro restante da janela explodiu, agora não havia mais dúvidas, o atirador os encontrara.— Ele está na colina! —
Ninguém saiu da casa imediatamente.Henrique continuava observando pela fresta da cortina, o carro preto permanecia estacionado do outro lado da rua.Motor ligado, vidros escuros, nenhum movimento.— Estão esperando. — murmurou.— Quantos? — Gustavo perguntou, se aproximando.— Não sei. Mas, se fosse uma equipe para nos atacar, já teria feito isso.Maytê ainda segurava a fotografia do pai contra o peito, seu rosto estava molhado de lágrimas.— E se eles estiverem esperando a gente ir até o moinho?— É exatamente isso que eu faria. — respondeu Henrique, olhando para ela.---Eles saíram pelos fundos da casa, um terreno baldio dava acesso à rua de trás.Henrique havia percebido uma pequena passagem escondida por um muro quebrado, era apertada, mas suficiente para escaparem sem serem vistos.Quando chegaram ao carro, ele ligou o motor em silêncio e pelo retrovisor, viu o sedã preto arrancar alguns segundos depois.— Como imaginei... estão nos seguindo.— Então vamos fazer com que acredit
O telefone escorregou da mão de Maytê, por pouco não caiu no chão. — Alô? — silêncio — Alô! A ligação foi encerrada. Ela permaneceu imóvel, encarando a tela apagada do celular. As mãos tremiam, o coração batia tão forte que ela mal conseguia ouvir a própria respiração. Gustavo se aproximou imediatamente. — O que aconteceu? Maytê levantou os olhos lentamente, as lágrimas já escorriam pelo seu rosto. — Era uma mulher... — a voz falhou — Ela disse que... meu pai está vivo. O apartamento mergulhou em um silêncio absoluto. Henrique foi o primeiro a reagir. — Tem certeza de que foi isso? Ela apenas assentiu, não conseguia dizer mais nada. Durante toda a vida, Maytê acreditou que o pai havia morrido em um acidente de carro quando ela tinha apenas cinco anos. Sua mãe nunca gostava de falar sobre o assunto, sempre chorava e mudava de assunto. Depois da morte dela, Maytê jamais voltou a fazer perguntas. Aprendeu a conviver com a ausência. Agora... tudo podia ter sido uma mentira.





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