Mundo de ficçãoIniciar sessãoO silêncio tomou conta da cobertura, a reportagem permanecia aberta sobre a mesa.
No canto da fotografia, as duas palavras escritas à mão pareciam desafiar qualquer lógica. "Ele vive." — Quem escreveu isso? — perguntou, passando os dedos sobre a tela do celular. — Não parece fazer parte da reportagem. — Henrique disse, aproximando o rosto. — É uma anotação feita depois. — disse Maytê, concordando — Como se alguém tivesse fotografado um jornal antigo e escrito por cima. Gustavo voltou a abrir o diário de Helena, folheou as últimas páginas mais uma vez, estava convencido de que havia deixado passar alguma coisa. Então percebeu no rodapé de uma página, quase escondidos pela dobra do papel, havia pequenos números. 17 - 09 - 42 — Isso parece uma data. — Henrique franziu a testa. — Não. — Maytê discordou, balançando a cabeça — Olha o jeito como ela escreveu, é diferente do restante. Parece... uma combinação. Gustavo releu os números, sentindo seu coração acelerou. — Um cofre. Os três começaram a pensar em todos os lugares onde Augusto Ferraresi poderia ter escondido um cofre. O escritório da empresa, a cobertura, a antiga casa da família. Nenhum deles sabia ao certo. Foi então que Gustavo se lembrou que, quando era criança, seu pai nunca permitia que ninguém entrasse em uma sala específica da antiga mansão. Nem empregados, nem visitas, nem o próprio Gustavo. Sempre dizia a mesma frase: — "Algumas portas existem para permanecer fechadas." Na época, ele acreditava que fosse apenas um escritório. Agora, há não tinha tanta certeza. — Vamos até a mansão. Henrique pegou imediatamente as chaves do carro. — Agora? — perguntou Henrique, já pegando as chaves do carro. — Se alguém está acompanhando nossos passos, não podemos perder tempo. — afirmou, Gustavo. — Eu vou com vocês. — disse Maytê, levantando-se. Gustavo olhou para ela e por um instante, pensou em pedir que ficasse, mas sorriu. — Vamos juntos. A antiga mansão Ferraresi permanecia exatamente como Gustavo lembrava. Imponente. Silenciosa. Vazia. Desde a morte de Augusto, ninguém morava ali. Uma equipe de manutenção aparecia apenas uma vez por semana, as luzes do jardim iluminavam a fachada. Mesmo assim, o lugar parecia carregado de lembranças. Gustavo destrancou a porta principal e assim que entrou, o cheiro da madeira antiga despertou memórias que ele preferia esquecer. Foi ali que aprendera a esconder lágrimas, foi ali que crescera tentando agradar um pai que nunca parecia satisfeito. Maytê segurou sua mão sem dizer uma palavra, ela sabia, aquela casa machucava. Eles caminharam pelos corredores até o antigo escritório de Augusto. A porta continuava trancada. Gustavo retirou uma chave do chaveiro, girou lentamente, a fechadura cedeu. O cômodo estava exatamente como fora deixado anos antes: livros alinhados, mesa impecavelmente organizada, quadros na parede e nenhuma fotografia da família. Henrique começou a observar tudo. — Se existe um cofre... não deve estar à vista. Começaram a procurar. Livros, gavetas, quadros, tapetes. Nada. Quase uma hora se passou, nenhum sinal. Maytê caminhava lentamente pela sala quando seus olhos pararam sobre um relógio antigo na parede, era o único objeto que parecia fora do lugar. Os ponteiros marcavam exatamente 17h09, mas o relógio estava parado. Ela aproximou-se, passando os dedos pela moldura onde havia um pequeno arranhão, como se tivesse sido movimentado diversas vezes. — Gustavo... — ele levantou a cabeça — O relógio. Os dois retiraram cuidadosamente o objeto da parede, atrás dele havia um pequeno teclado numérico embutido na madeira. Henrique sorriu. — Então o relógio escondia alguma coisa. Gustavo respirou fundo e digitou lentamente: 17... 09... 42... Durante alguns segundos, nada aconteceu. Então ouviram um estalo metálico, uma parte da estante deslizou alguns centímetros para o lado. Revelando uma porta de aço, o cofre. O coração de Gustavo batia tão forte que ele podia ouvi-lo, qproximou-se lentamente e girou a maçaneta. A porta pesada abriu com dificuldade, lá dentro havia apenas três objetos: uma caixa de madeira escura, um pen drive e um envelope com seu nome. Para Gustavo. Ele engoliu em seco, pegando o envelope primeiro. Abriu cuidadosamente. Dentro havia uma carta, a letra era de Augusto Ferraresi, seu pai. "Se você encontrou este cofre, significa que tudo deu errado." As mãos de Gustavo começaram a tremer, mas ele continuou lendo. "Existem verdades que escondi para proteger você. Outras... escondi para proteger a mim mesmo." Maytê observava em silêncio, Henrique permaneceu atento à porta. A carta prosseguia. "Nunca fui o homem que você acreditou conhecer." Uma lágrima escorreu pelo rosto de Gustavo, mas foi a última frase que fez o sangue gelar. "Se Helena cumpriu sua promessa, então eles já sabem que você encontrou este lugar." Naquele exato instante, todas as luzes da mansão se apagaram. A casa mergulhou na completa escuridão e, do lado de fora, o som de um motor parando diante da mansão rompeu o silêncio da noite.






