Mundo ficciónIniciar sesión"Nunca acenda a luz. Essa é a minha única regra." Para fugir de uma dívida perigosa, Aurora aceita um acordo impossível: casar-se com um homem rico que ela não pode ver. A regra do contrato é clara: eles só se encontram à noite, no escuro total. Nessas madrugadas sem rosto, seu marido misterioso se mostra um homem intenso, dominador e que a faz queimar de desejo. Mas, durante o dia, a rotina dela vira de cabeça para baixo. Aurora trabalha para o novo chefe, Victor — um cara arrogante, muito exigente e lindo de morrer. Ele adora provocá-la, criando um clima de tensão e olhares quentes no escritório. Logo, Aurora se vê no meio de uma grande confusão. Ela se entrega de corpo e alma ao marido protetor no escuro, mas não consegue evitar a atração proibida que sente pelo chefe sob a luz do sol. Dividida entre esses dois homens e presa em um jogo de desejo, o que vai acontecer quando a curiosidade falar mais alto e ela decidir, finalmente, acender a luz?
Leer másAurora
O som não era apenas uma batida. Era um estrondo violento que fez a estrutura inteira da minha pequena casa tremer.
Eu acordei num pulo, o coração batendo tão rápido que parecia querer rasgar o meu peito e pular para fora. Abri os olhos no escuro do meu quarto, sentindo o suor frio escorrer pela minha nuca.
— Abre essa porta, Aurora! Sabemos que você está aí dentro! — uma voz grossa e assustadora gritou do lado de fora. Em seguida, ouvi outro chute violento contra a madeira velha da porta da frente.
Agiotas.
O pânico me paralisou por um segundo. Minhas pernas não queriam se mover, minha respiração travou na garganta. Mais pancadas. A porta da frente estava prestes a ceder. Eles iam entrar. Eles iam me pegar.
Pulei da cama em desespero, quase tropeçando nos meus próprios pés. Eu não tinha para onde correr. A casa era minúscula. A porta dos fundos estava trancada, mas se eu corresse até lá, eles me veriam pela janela. Só me restava uma opção. Uma opção nojenta e assustadora, mas era a minha única chance de sobreviver.
Corri para o canto do meu quarto, empurrei a minha cômoda velha com toda a força que consegui reunir e puxei o tapete desbotado para o lado. Ali, escondido sob o piso de madeira desgastada, havia um pequeno alçapão quadrado.
Eu odiava aquele buraco. Era uma espécie de porão minúsculo, escuro e úmido, espremido debaixo do piso da casa. Meu pai costumava usar esse esconderijo sujo para guardar suas garrafas de bebida e os pacotes de drogas que ele comprava. O lugar que destruiu a vida dele e, por consequência, acabou com a minha.
Com as mãos tremendo muito, levantei a tampa de madeira. Outro chute na porta da sala fez a casa inteira tremer. A madeira começou a estalar. Não havia mais tempo.
Me joguei para dentro daquele buraco escuro, puxando a tampa pesada para fechar logo acima da minha cabeça. Torci para que o tapete de cima voltasse mais ou menos para o lugar certo e cobrisse o chão.
Caí de joelhos na terra fria e dura. O cheiro de mofo, misturado com o cheiro antigo de álcool barato que parecia nunca sair daquele lugar, invadiu o meu nariz, quase me fazendo vomitar. Tapei a própria boca com as duas mãos com muita força para garantir que eu não faria nenhum barulho.
No escuro total daquele porão, cercada pela sujeira que meu pai deixou para trás, a realidade cruel da minha vida me bateu no rosto. Aqueles homens maus lá fora não estavam atrás de mim por algo que eu fiz. Eles queriam o meu sangue por causa dele. Meu pai.
Quando ele morreu, a tristeza não foi a única coisa que ele me deixou. Ele me deixou de herança uma dívida terrível com as piores pessoas da nossa cidade. Uma dívida que, no começo, nem parecia ser tão grande assim. Ele não tinha pegado tanto dinheiro. Mas os juros que esses criminosos cobram são um absurdo. São abusivos, loucos e totalmente fora da realidade. A dívida foi crescendo, engolindo os números, e hoje chega a mais de trinta milhões de reais.
Trinta milhões. Um dinheiro que meu pai nunca viu na vida inteira, mas que agora os agiotas cobravam de mim.
Eu venho vivendo um pesadelo acordada. Todo mês, eu pego o meu salário suado e entrego quase tudo nas mãos deles, só para pagar uma parte dos juros e conseguir continuar viva mais um pouco. Eu pago todos os meses, sem falta, vivendo do básico. Mas, desta vez, as regras mudaram. Eles me avisaram recentemente. Disseram que a paciência tinha acabado e que decidiram que eu teria que quitar a dívida inteira de uma só vez. Como eu vou arrumar mais de trinta milhões de reais do nada? É simplesmente impossível.
CRASH!
Um barulho enorme de madeira partindo me fez fechar os olhos com muita força. Eles conseguiram. Arrombaram a porta.
O terror absoluto tomou conta do meu corpo inteiro. Eu ouvi os passos pesados deles entrarem na minha sala. Eram muitos homens. Pelo menos uns três ou quatro bem grandes, pisando forte com suas botas duras, quebrando o pouco que eu tinha na casa.
Ouvi meus móveis sendo atirados no chão. Vidros sendo quebrados na cozinha.
— Onde está a vadia?! — um deles rosnou. A voz estava tão perto que parecia estar falando no meu ouvido.
Os passos vieram na direção do meu quarto. Prendi a respiração até sentir meus pulmões doerem de verdade. As botas pesadas pararam bem em cima da minha cabeça. Exatamente em cima da tampa de madeira onde eu estava escondida. Pequenos pedaços de terra caíram pelas frestinhas da madeira, caindo direto no meu rosto suado.
Por favor, não olhem para o chão. Por favor, vão embora, eu implorava na minha cabeça, chorando sem fazer nenhum som. As lágrimas molhavam minhas mãos que ainda tapavam a minha boca.
Eu ouvia a respiração do homem logo acima de mim. Ele chutou a minha cama e derrubou a cômoda que eu tinha acabado de empurrar.
— Ela não está aqui! A desgraçada fugiu! — o homem gritou, muito nervoso, batendo o pé forte no chão. A madeira acima de mim rangeu, quase quebrando.
— Vocês procuraram em tudo? — outra voz perguntou, vindo da sala.
— Tudo! Ela vazou. Mas ela não vai conseguir ir muito longe. Quando a gente pegar ela, vai pagar caro. Vamos embora agora.
Eles quebraram mais algumas coisas no caminho. Os passos pesados foram indo em direção à rua. E então, veio o silêncio.
Eu não me mexi de jeito nenhum. Fiquei no escuro, totalmente encolhida, por muito tempo. Minhas pernas adormeceram de tanta tensão. Apenas quando tive certeza absoluta de que a minha casa estava vazia, empurrei a tampa do buraco devagarzinho.
Meu quarto estava um lixo. O colchão jogado de lado, roupas pisadas, a porta da rua destruída na sala. Eles acabaram com tudo.
Eu não podia ficar um segundo a mais ali dentro. Eles podiam mudar de ideia e voltar. Peguei uma bolsa simples, joguei meus documentos e o pouco de dinheiro que eu tinha conseguido guardar escondido.
Fui até a janela. A rua na frente estava vazia, mas sair por lá era muito perigoso. Vesti um casaco largo de moletom, coloquei o capuz na cabeça e um óculos escuro grande para disfarçar o meu rosto de choro e medo. Pulei a janela com cuidado e caí direto no quintal da vizinha de trás.
Fugi passando pelo mato dela, tentando não fazer barulho, até chegar na outra rua. Caminhei o mais rápido que pude até o ponto de ônibus. Meu único destino agora era o lugar onde eu trabalho.
A viagem de ônibus foi horrível. Eu achava que todo mundo estava olhando para mim. Mas, quando cheguei no prédio grande da empresa, me senti um pouquinho mais segura. Tem câmeras em todo lugar, seguranças na porta e muita gente circulando. Lá, os agiotas não teriam coragem de entrar atirando.
Entrei, fui no banheiro lavar o rosto sujo de terra e tentar parecer normal. Caminhei até a minha mesa no escritório. As pessoas trabalhavam e conversavam ao meu redor, sem nem sonhar com o pesadelo de vida ou morte que eu estava vivendo hoje cedo.
Sentei na cadeira, olhando para o nada. O que eu ia fazer da minha vida? Onde eu ia dormir hoje?
De repente, uma sombra grande cobriu a minha mesa.
Levantei os olhos bem devagar. Não era o meu chefe. Não era ninguém do meu setor.
Era um homem alto e engravatado. Ele usava um terno escuro, que parecia custar mais caro do que tudo que eu já tive na vida. Ele segurava uma maleta fina e me olhava de um jeito muito sério.
— Aurora? — A voz dele era firme.
— Sim... sou eu — respondi baixinho, o coração acelerando.
— Sou advogado — ele falou de uma vez só, sem sorrir, colocando a maleta em cima da minha mesa. — Preciso que você venha comigo agora. É um assunto urgente. E pode acreditar, Aurora... é do seu total interesse.
AuroraA caneta tinteiro pesava uma tonelada entre os meus dedos. Olhei para a folha de papel timbrado pousada sobre a mesa de mogno do escritório particular de Yuri Gomes. O documento estava repleto de termos jurídicos complicados, cláusulas de confidencialidade e números com tantos zeros que minha mente mal conseguia processar. No topo, o nome reluzia em letras pretas: Contrato de União Civil e Mútuo Consentimento de Rodolfo Alves.— Só falta a sua assinatura aqui, Aurora. E na próxima página também — a voz de Yuri ecoou pela sala silenciosa, calma e profissional.Olhei para a linha em branco no final da folha. Aquela assinatura era o preço da minha vida. Trinta milhões de reais já haviam sido transferidos naquela mesma hora para uma conta judicial para liquidar a dívida do meu pai com os agiotas. Eu estava salva deles. Mas, em troca, eu estava deixando de me pertencer. Respirei fundo, sentindo o ar sumir dos meus pulmões por um segundo, e apoiei a ponta da caneta no papel. Desenhei
AuroraEu pisquei várias vezes, tentando processar aquela informação absurda. Um casamento por contrato? Com um homem rico que vivia escondido porque tinha o rosto destruído por um acidente? Parecia o roteiro de um filme de terror ou de um drama muito exagerado, mas os papéis timbrados bem na minha frente e o terno impecável do advogado me lembravam de que aquela era a minha realidade atual. Uma realidade bizarra e assustadora.— Eu… eu posso pensar sobre isso? — perguntei, a voz saindo quase como um sussurro esganado. Minhas mãos ainda tremiam tanto que precisei escondê-las debaixo da mesa, apertando o tecido da minha calça para tentar conter o nervosismo.Yuri Gomes olhou para o relógio de ouro reluzente em seu pulso esquerdo. O gesto foi frio, calculado e me fez engolir em seco.— O senhor Rodolfo é um homem muito ocupado e o tempo dele é precioso, Aurora. Mas, considerando a gravidade da sua situação particular, você tem exatamente duas horas para pensar. Nem um minuto a mais — el
AuroraEu recuei na cadeira do escritório, sentindo meu corpo inteiro gelar. Minhas mãos apertaram os braços da cadeira com tanta força que meus nós dos dedos ficaram brancos.— Eu não sei quem você é — eu disse, tentando manter a voz baixa para não chamar a atenção dos meus colegas de trabalho que estavam logo ali do lado. — E eu não vou a lugar nenhum com você.O homem de terno chique não piscou. Ele não parecia surpreso com a minha recusa. Ele apenas ajeitou a maleta fina que segurava e deu um suspiro curto, o tipo de suspiro de quem está muito acostumado a dar ordens e ser obedecido sem questionamentos.— Aurora — ele falou, num tom muito calmo, mas que me deu arrepios na espinha. — Eu sei exatamente o que aconteceu na sua casa hoje de manhã. Eu sei que a sua porta foi arrombada com violência. Se você quiser continuar respirando amanhã, sugiro que me acompanhe agora mesmo. Não sou eu quem quer te machucar. Pelo contrário.A menção à minha porta arrombada me atingiu como um soco fo
AuroraO som não era apenas uma batida. Era um estrondo violento que fez a estrutura inteira da minha pequena casa tremer.Eu acordei num pulo, o coração batendo tão rápido que parecia querer rasgar o meu peito e pular para fora. Abri os olhos no escuro do meu quarto, sentindo o suor frio escorrer pela minha nuca.— Abre essa porta, Aurora! Sabemos que você está aí dentro! — uma voz grossa e assustadora gritou do lado de fora. Em seguida, ouvi outro chute violento contra a madeira velha da porta da frente.Agiotas.O pânico me paralisou por um segundo. Minhas pernas não queriam se mover, minha respiração travou na garganta. Mais pancadas. A porta da frente estava prestes a ceder. Eles iam entrar. Eles iam me pegar.Pulei da cama em desespero, quase tropeçando nos meus próprios pés. Eu não tinha para onde correr. A casa era minúscula. A porta dos fundos estava trancada, mas se eu corresse até lá, eles me veriam pela janela. Só me restava uma opção. Uma opção nojenta e assustadora, mas
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