Mundo de ficçãoIniciar sessãoValentina, uma cirurgiã renomada, tem sua vida virada de cabeça para baixo ao testemunhar um assassinato cometido por Alonso, um assassino de aluguel frio e calculista — que mata por prazer, mesmo sendo filho de um poderoso magnata. Ao perceber que foi visto, Alonso decide que Valentina é uma ameaça. Em vez de eliminá-la, porém, ele encontra uma solução mais estratégica: obriga-a a se casar com ele, mantendo-a sob seu controle e protegendo seus próprios interesses. Presos em um casamento forçado, marcado pelo medo e pela tensão, os dois começam a desenvolver sentimentos inesperados. Entre conflitos, resistência e emoções mal resolvidas, Alonso e Valentina precisarão descobrir se é possível transformar ódio e ameaça em amor verdadeiro.
Ler maisA madrugada sempre foi minha aliada.
O silêncio das ruas vazias, o eco distante de um carro passando ao longe, o cheiro úmido do asfalto depois da garoa fina — tudo conspirava a meu favor. A cidade dormia. E eu trabalhava melhor quando ninguém estava olhando. O homem à minha frente tremia. Ele vestia um terno caro demais para alguém que implorava de joelhos. Suas mãos suavam, os olhos arregalados buscavam qualquer sinal de misericórdia no meu rosto. Não encontraram. — Você não precisa fazer isso… eu pago o dobro — ele sussurrou, a voz falhando. Eu quase sorri. Dinheiro nunca foi o motivo. Nunca precisei dele. Meu sobrenome abria portas, comprava silêncios, movia influências. Eu fazia aquilo porque podia. Porque gostava da sensação exata entre o controle e o fim. A arma parecia pesada nas mãos dele — mas não estava carregada quando a coloquei ali. O plano era simples. Elegante. Ele seria encontrado ao amanhecer, sentado dentro do próprio carro, uma arma caída entre os dedos. Um suicídio. Trágico, mas plausível. Eu me aproximei devagar. — Ninguém vai acreditar em você — murmurei. O estampido quebrou o silêncio da rua. Rápido. Limpo. Preciso. Segurei o corpo antes que tombasse completamente, ajustei a cena com calma metódica. Posição das mãos. Ângulo da cabeça. A arma encaixada entre os dedos agora inertes. Um último olhar avaliando cada detalhe. Perfeito. Ou quase. Um ruído. O som não pertencia à noite — era humano. Um passo hesitante. Um pequeno tropeço. Meu olhar cortou a escuridão da calçada oposta. E então eu a vi. Ela estava parada sob a luz fraca de um poste, ainda vestindo o jaleco amassado sobre roupas discretas. O cabelo preso de forma descuidada denunciava o cansaço. Os olhos, porém… estavam arregalados demais para alguém apenas passando pela rua. Ela tinha visto. Por um segundo, ficamos imóveis, presos naquele espaço invisível entre predador e testemunha. Ela levou a mão à boca, o choque estampado no rosto. O medo era palpável, quase tangível. Eu poderia atravessar a rua em poucos segundos. Mas ela se moveu primeiro. Virou-se abruptamente e começou a andar rápido — não correndo ainda, mas perto disso. Eu ainda não sabia seu nome. Só sabia que seus olhos carregavam a certeza do que tinham presenciado. E isso a tornava um problema. Observei enquanto se afastava, calculando possibilidades. Poderia resolver ali mesmo. Um segundo disparo. Duas mortes. Duas histórias encerradas antes do amanhecer. Mas algo me deteve. Talvez tenha sido a expressão dela. Não era curiosidade. Não era imprudência. Era medo. E medo é fácil de controlar. Entrei no carro e liguei o motor com tranquilidade. Antes de partir, lancei um último olhar na direção em que ela havia desaparecido. Se ela falasse, eu saberia. Se tentasse fugir, eu encontraria. Ninguém testemunha um erro meu e continua vivendo como se nada tivesse acontecido. Naquela madrugada, eu finalizei um trabalho. Sem saber que acabara de começar outro. Acordei com o sol já alto. A luz atravessava as frestas da cortina pesada do meu quarto, desenhando linhas douradas no teto. Minha cabeça estava leve. Dormi bem. Sempre durmo bem depois de uma execução limpa. Então vieram as vozes. — Ele não pode continuar assim — minha mãe sussurrava do lado de fora, mas alto o suficiente para que eu ouvisse. — Desinteressado. Preguiçoso. Não aparece nas reuniões, não assume responsabilidade nenhuma — a voz do meu pai soava mais dura, carregada de desaprovação. Fechei os olhos novamente, apoiando o braço sobre a testa. Eles falavam como se eu fosse um fracasso. Mal sabiam que eu era o único naquela casa que realmente sabia resolver problemas. — Um dia ele vai ter que entender que carrega nosso nome — meu pai continuou. — Não é um garoto. Os passos se afastaram pelo corredor de mármore. Silêncio. Eu me sentei devagar na cama, passando a mão pelos cabelos. O quarto era amplo demais, luxuoso demais. Quadros caros nas paredes, móveis importados, uma varanda com vista privilegiada da cidade. Um império construído com contratos, fusões e alianças. E eu? Construía o meu com sangue e silêncio. Levantei-me e caminhei até o espelho. Meu reflexo parecia comum demais para alguém que havia encerrado uma vida horas antes. Olhar calmo. Expressão neutra. Nenhum vestígio da madrugada anterior. Exceto na memória. Ela. A mulher sob o poste de luz. O jaleco branco destacando-se na escuridão. O cansaço no rosto. O medo nos olhos. Testemunha. Não sabia seu nome ainda, mas isso era questão de tempo. Eu sempre encontrava o que precisava. Fui até a escrivaninha e abri o notebook. Enquanto o sistema iniciava, organizei mentalmente a linha do tempo da noite anterior. Horário exato. Localização. Possíveis câmeras. Testemunhas secundárias. Nada. Só ela. Ampliei o mapa da região e acessei registros públicos. Hospital mais próximo? Memorial Peace. Madrugada. Jaleco. Passos apressados naquela direção. Sorri de leve. Não era difícil ligar os pontos. Comecei a filtrar funcionários, plantões noturnos, especialidades. Demorou menos do que imaginei até encontrar o nome. Valentina Moretti. Cirurgiã. Emergência. Abri a foto profissional anexada ao perfil do hospital. Era ela. Sem o medo estampado, sem a tensão da madrugada — apenas a postura firme de alguém acostumado a salvar vidas. Irônico. Ela passava as noites tentando impedir a morte. Eu garantia que ela acontecesse. Fechei o notebook lentamente. Eliminá-la seria simples. Planejar um assalto mal sucedido. Um acidente. Um desaparecimento discreto. Mas algo em mim queria mais do que rapidez. Queria controle. Levantei-me e caminhei até a varanda. A cidade pulsava lá embaixo, alheia ao que acontecia nas sombras. Ela devia estar exausta. Talvez ainda acordada, revivendo a cena. Talvez considerando ir à polícia. Duvido. Pessoas como ela hesitam. Pensam nas consequências. Temem represálias. E com razão. Apoiei as mãos no parapeito e deixei o vento bater no rosto. Eu poderia resolver aquilo hoje. Agora. Mas antes, precisava entender até onde ia o medo dela. Se ela era impulsiva… ou estratégica. Se falaria… ou se esconderia. De uma forma ou de outra, Valentina já estava marcada. E eu nunca deixo pontas soltas. O dia mal havia começado. E minha prioridade era clara: A testemunha precisava desaparecer.A noite havia caído de forma suave.O frio era leve, daqueles que não incomodam, mas convidam ao aconchego. Uma brisa delicada percorria o condomínio, carregando o perfume de flores que preenchiam o ar com um aroma doce e tranquilo.Valentina e Alonso haviam trocado de roupa.Peças confortáveis, simples.Nada sofisticado.Mas, de alguma forma… aquilo combinava com o momento.— Tá friozinho — comentou Valentina, esfregando levemente os braços.Alonso, sem dizer nada, se aproximou um pouco mais.— Quer voltar?Ela balançou a cabeça.— Não… tá bom assim.E então, quase naturalmente…Ele segurou a mão dela.Valentina olhou para baixo.Para os dedos entrelaçados.E não soltou.O parque do condomínio era maior do que ela imaginava.Caminhos bem iluminados, bancos espalhados, árvores bem cuidadas e, mais à frente, um jardim de tulipas que parecia saído de um cenário de filme.— Uau… — ela murmurou.— Você ainda não tinha visto isso?— Não…Ela soltou um pequeno sorriso.— Eu tava ocupada dem
O sábado amanheceu diferente.Sem tensão no ar.Sem silêncio pesado.Sem medo escondido nos cantos da casa.A luz do sol invadia os cômodos de forma suave, refletindo no chão claro e iluminando cada detalhe da nova casa.E, pela primeira vez desde que chegaram ali…Parecia um lar.---No quarto, Alonso ainda dormia.Respiração tranquila, corpo relaxado — algo raro para alguém sempre em alerta.Mas algo chamou sua atenção.Um vazio ao lado.Ele abriu os olhos devagar.A cama estava parcialmente arrumada… mas Valentina não estava ali.Franziu levemente o cenho.— Valentina…?Nenhuma resposta.---Ele se levantou, passando a mão pelos cabelos, ainda meio sonolento.Foi até o banheiro.Nada.Desceu as escadas.E então…Sentiu.O cheiro.Café.Pão quente.Algo doce.---Ele seguiu até a cozinha.E parou na entrada.---Valentina estava lá.De costas.Usando um short leve e uma blusa soltinha.Os cabelos presos de forma despretensiosa.Movendo-se com naturalidade.Como se… sempre tivesse pe
A manhã chegou pesada para Valentina.Não havia mais o silêncio confortável de dias anteriores. Agora, o silêncio era sufocante. Era o tipo de vazio que parecia ecoar dentro dela.Mesmo assim, ela se levantou.Sem vontade.Sem energia.Mas com um objetivo.Precisava ir ao hospital.---O caminho até lá foi automático.As ruas, as pessoas, os sons… tudo parecia distante. Como se ela estivesse assistindo a própria vida de fora.Quando entrou no hospital, sentiu um aperto no peito.Aquele lugar… sempre foi parte dela.Os corredores.O cheiro característico.As vozes apressadas.Tudo aquilo era familiar.E, agora…Estava sendo tirado.---Alguns colegas a olharam.Surpresos.Outros, constrangidos.— Valentina… — uma enfermeira chamou, sem saber muito o que dizer.Ela apenas forçou um pequeno sorriso.— Oi.E seguiu.---Chegou até a sala do diretor.Bateu na porta.— Entra.A voz veio de dentro.Ela abriu.O homem estava sentado atrás da mesa, organizando alguns papéis.— Doutora Valentin
A manhã naquela casa começou… silenciosa demais.Sem café sendo preparado.Sem provocações.Sem olhares trocados.Apenas o som distante da cidade despertando lá fora.Valentina já estava acordada.Sentada na cama, com o olhar perdido, os cabelos soltos caindo pelo rosto. Ela não havia dormido direito. Na verdade, mal havia fechado os olhos.O espaço ao lado dela estava vazio.Alonso já tinha saído.Ela soltou um suspiro pesado, passando a mão pelo rosto.— Ótimo… — murmurou para si mesma. — Perfeito.Levantou devagar, ainda sentindo um leve incômodo no tornozelo, mas nada que a impedisse de caminhar.A casa parecia grande demais.Vazia demais.Fria.Ela caminhou até a cozinha, abriu a geladeira, mas não tinha fome. Pegou apenas um copo d’água e se encostou na bancada.— Eu quero minha vida de volta… — sussurrou, quase como uma prece.Minutos depois, o som de notificação quebrou o silêncio.O celular vibrando sobre a mesa.Valentina caminhou até ele.Desbloqueou.E abriu o e-mail.No i










Último capítulo