Miranda segurou aquele buquê de flores com força entre as mãos. Sua imagem no espelho de corpo inteiro era, na realidade, a vida que ela não quis, mas a única opção para salvar sua família da ruína. Seus olhos verdes estavam ausentes de felicidade, mas... o que importava?
Ela se obrigou a afastar da mente aquela lembrança que costumava invadir sua cabeça; ele, aquele rapaz de olhar profundo que agora se tornaria seu marido. É que, naquele dia, o céu estava diferente, cheio de pinceladas de cores que pintavam um lindo pôr do sol. Miranda deixava-se guiar por aquele rapaz que, após dois meses de convivência, havia se tornado um amigo, embora, no fundo, ela gostasse dele — mas era difícil admitir.
Alec tinha ido até a casa dela e jantado a comida que a mãe de Miranda mandou preparar; eles eram realmente próximos naqueles dias.
— Alec, você vai voltar para a sua cidade e não haverá retorno?
Ele suspirou.
— Há uma razão para voltar.
Ela arregalou os olhos.
— Sério? Você me disse que precisava regressar. Não entendo por que estou fazendo isso, não me dê ouvidos, sou uma boba. Sabia desde o princípio que você estava apenas de visita — disse em tom baixo.
— A razão é você, Miranda.
Ela corou. Naqueles dias, após se encontrarem por acaso, tornarem-se amigos e fazerem planos juntos, de repente ele se tornou mais que um amigo para ela. Seus sentimentos haviam se aprofundado. E ele, ao que parecia, correspondia sem dizer uma única palavra.
Até que...
— Eu?
— Sim — ele limpou a garganta. — Você é uma grande amiga, Miranda.
Naquele momento, ela se sentiu uma idiota por ter esperado uma declaração de amor, mas a verdade é que Alec também sentia algo que não se atreveu a expressar. Ela disfarçou.
— Suponho que isso não seja uma despedida.
— Não é. E, para prometer, te darei isto — acrescentou, pegando a mão dela; no ato, ela sentiu um calafrio percorrer o corpo. — É um bracelete, eu também tenho um.
Ele mostrou ambos.
— Braceletes iguais? — soltou, surpresa.
Ele sorriu.
— Vamos gravar nossos nomes neles na próxima vez que nos virmos. É uma promessa.
Ela confiou em suas palavras... até que sua mãe, a Sra. Sutherland, a apresentou a Alec Radcliffe, o herdeiro, como sua futura esposa. Ele a olhou sem um pingo de reconhecimento. A promessa havia sido quebrada.
Não havia um sorriso doce desenhado em seus lábios, nem gentileza em seu olhar; apenas indiferença. E ali estava ela, vivendo uma vida escrita por outra pessoa.
— Minha filha, sorria e tire essa cara, por favor. Você deve erguer a cabeça e ver o futuro que nos espera.
— Mamãe, o Alec não se lembra nem um pouco de mim, ele ficou furioso com este casamento e eu...
— Cale-se, Miranda — ela a silenciou, levando o dedo à boca. — Eu disse para sorrir, haverá muitos fotógrafos lá fora. Lembre-se de que, onde quer que vá, você é uma Sutherland, as aparências importam. Quem se importa se ele se lembra ou não?
Ela assentiu. Era o fardo que devia carregar, seu sobrenome que acabara sendo um peso, inclusive agora na falência. Ela não insistiu no passado, não se atreveu a mencionar o verão, nem a praia, nem a promessa, temendo a humilhação da negação e, francamente, envergonhada de ter que implorar pela lembrança dele para um casamento de conveniência.
— Sim, mamãe — submissa como costumava ser, abaixou a cabeça. Sua mãe, com seus enormes olhos verdes como os dela, piscou com coquetismo.
— Você está linda, minha filha, roubará todos os olhares. Está na hora — acrescentou, dando um sinal claro.
E foi ali que tudo começou para Miranda. Uma cerimônia na qual não sentiu nada além de desprezo daquele homem: Alec Radcliffe. Mesmo durante os votos, ela podia sentir suas palavras afiadas e como ele ditava a sentença com os olhos.
Não havia amor. Não havia emoções sinceras. Era apenas a união arquitetada pela mãe de Alec. Sim, Elizabeth tivera "compaixão" pela família Sutherland, permitindo aquele casamento entre a única filha da família falida e seu único filho.
Claramente, havia intenções ocultas que só o tempo revelaria.
— Você aceita Alec Radcliffe como seu esposo?
— Eu... — ela olhou para todos os lados, encarando os presentes; seu coração batia descompassado, mas sabia que devia aceitar de qualquer jeito. — Aceito.
Alec esperou sua vez, ainda com aquele olhar de leão sobre ela, como um felino observando sua presa, não com desejo, mas com maldade. Então chegou o momento dele.
— Aceito — declarou com sua voz viril e profunda. Ela engoliu em seco.
— Sendo assim, eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.
Quando o homem se inclinou em sua direção, Miranda sentiu o corpo ficar rígido como uma pedra. Mas, ao mesmo tempo, aquela emoção interna que sentira um dia ressurgiu. O beijo não passou de um toque em sua bochecha, acompanhado de uma advertência que a fez arrepiar da cabeça aos pés.
— Minha mãe vai se arrepender de ter feito de você minha esposa. Mas ela não faz nada sem um motivo — acrescentou e, ao se afastar, ela viu um sorriso debochado.
A partir desse momento, a vida de Miranda tornou-se uma fachada. Nos dias que se seguiram, Alec manteve distância, mas cumpria seu dever de esposo perante os outros e ela. O trato dele tornou-se menos hostil e mais cuidadoso; não havia amor, mas uma convivência pelo bem de ambos. O objetivo principal, ela sabia, era assegurar o futuro dos Radcliffe. Sua mãe, Elizabeth, não tardou a deixar claro o requisito indispensável do herdeiro. Foi ali, durante o período de sua obrigação conjugal, que Miranda soube que tinha a responsabilidade de engravidar e dar à luz o herdeiro dos Radcliffe.
Mas...
Então, aquele dia, a notícia devastadora chegou.
— Sra. Radcliffe, sinto muito. A senhora perdeu o bebê...
Miranda ia gritar, mas, naquele preciso momento, sentiu o despertador tocar e acordou. Sim, cinco anos haviam se passado desde aquele dia, mas ela ainda sentia a mesma dor que dilacerava sua alma e a fazia se sentir inútil.
Agora tudo era tão diferente. E ela se perguntava se algum dia seu marido a amara de verdade, se na realidade o que ela acreditou ter se tornado amor foi sincero e não apenas o interesse absurdo de seu marido quando soube que ela lhe daria um filho. A dúvida se o calor que sentiu com o Alec de agora se parecia remotamente com a promessa do Alec de sete anos atrás a consumia.
Ela estava com o cabelo bagunçado e olheiras profundas, sinal de que não havia dormido o suficiente, passando por dias difíceis. Com o ânimo no chão, forçou-se a tomar um banho e olhou novamente para aquele frasco de antidepressivos que, mesmo tomados à risca, pareciam não fazer efeito.
A tortura era tão emocional e mental que ela estava exausta. Lábios pálidos, rosto sem brilho e um olhar que gritava por socorro, mas era silenciado. Tinha que viver de aparências. Miranda saiu dali pegando o telefone; tinha olhado para ele tantas vezes na esperança de obter a informação que buscava, mas nada chegava.
E se o detetive que contratou não estivesse fazendo o trabalho direito? O ronco em seu estômago a tirou de seus devaneios e ela soube que precisava comer. Dirigiu-se à sala de jantar, naquele lugar luxuoso ao qual estava acostumada, mas ver que Alec ainda estava lá a deixou desconfortável.
O homem parecia ocupado com uma ligação, mas desligou assim que a viu. No entanto, o olhar azulado, frio e cruel de novo estava sobre ela.
— Bom dia.
— Bom dia. Preciso ir — informou ele, sem fazer contato visual.
Não era nada estranho, de qualquer forma. Quando ele estava em casa, era como se não estivesse. Movia-se de um lado para o outro como um fantasma e não trocavam muitas palavras. Ela parou de pensar nisso quando seu celular vibrou. Ao ver que era uma ligação de Elias, certificou-se de que não seria ouvida por ninguém.
— Elias, conseguiu alguma coisa? — quis saber, ansiosa.
— Senhora, já tenho a informação que buscava. Acabei de enviar uma mensagem com um arquivo em anexo.
Miranda nem respondeu, desligou e abriu o arquivo, sentindo que tudo ia rápido demais. Respirou fundo e sentou no sofá, garantindo que algo que pudesse desestabilizá-la completamente ao menos não a fizesse cair. E de repente, ali estava aquela imagem levemente desfocada, mas inconfundível. Seu marido entrando em um prédio moderno e luxuoso ao lado de uma mulher que ela não reconheceu; definitivamente não era um lugar que nenhum deles frequentasse.
Ela se questionou: seria ela a razão pela qual seu marido se tornara um homem tão frio? Seus dedos tremeram quando, ao deslizar a tela, descobriu que os dois estavam se beijando no rosto; novamente aquela mulher de cabelos castanhos nos ombros. Na última foto, podiam ser vistos sorrindo, muito próximos.
— Então é disso que se trata. Você está me traindo com essa mulher — disse com dor e decidiu ligar para ele. Seus dedos tremiam ao discar, mas a chamada foi rejeitada. No terceiro toque, caiu na caixa postal; ela desligou cheia de raiva.
À noite, quando viu as luzes do carro de Alec, ela o esperou, com a intenção de confrontá-lo e exigir explicações. Mesmo que as coisas estivessem tortas, ela ainda era sua esposa e ele lhe devia respeito.
Alec apareceu com a expressão exausta de quem teve uma longa jornada de trabalho. Afrouxou a gravata e a viu de braços cruzados. Franziu a testa.
— Você está me traindo? Alec, estou te fazendo uma pergunta. Por que ficou calado?! — reclamou.
— Miranda, você vai começar agora com essas bobagens? Tudo o que eu quero é tomar um banho e descansar, tive um dia intenso. Mas a única coisa que encontro ao chegar é um interrogatório. Não podemos continuar como antes? — indagou ele, bufando.
— Como antes? Suponho que se refira a continuarmos nos ignorando, mas não posso ignorar sua infidelidade. É demais! E, se acha que estou mentindo, explique isso — acrescentou, jogando o celular contra o peito dele.
Mesmo quando o homem segurou o aparelho e viu as provas, ele não se abalou. Deu de ombros e devolveu o telefone.
— É só isso? Vejo que você foi longe demais, Miranda. Você não tem direito nenhum!
— Vamos nos divorciar — soltou ela, cerrando os dentes. — Vamos acabar com isso, Alec.
— Divorciar? Acho que você enlouqueceu. Eu não vou te dar o divórcio.
Ela tremeu. Por que, se ele não tinha nada a perder e o que tinham já estava quebrado, Alec insistia em manter aquele maldito casamento? E... será que ele realmente não se lembrava dela?
Último capítulo