O sol mal conseguia penetrar a cortina pesada do quarto onde eu e Mehmet nos encontrávamos. Lá fora, a cidade ainda dormia, mas dentro daquela casa escondida, a tensão era palpável, um nó apertado no peito que parecia não aliviar nunca. Estávamos no meio de uma guerra silenciosa, uma batalha de sombras que ameaçava consumir tudo à nossa volta. E eu? Eu estava presa ali, entre o amor avassalador e o perigo constante.
Mehmet dormia ao meu lado, mas não havia paz em seu rosto. Seus olhos estavam fechados, mas eu sabia que a mente dele estava longe dali, presa em lembranças e planos de guerra. Por várias vezes, esperei que ele me abraçasse forte, que dissesse que tudo ficaria bem, mas a única coisa que ele me deu foi o silêncio cortante.
Sentei-me devagar na beirada da cama e observei cada detalhe daquele homem que, apesar de sua natureza fria e implacável, tinha uma vulnerabilidade que só eu podia enxergar. Suas mãos estavam marcadas por cicatrizes antigas, vestígios das batalhas que tra