Natasha aprendeu cedo que beleza podia ser uma vantagem perigosa.E que, quando bem usada, tornava-se uma arma silenciosa — daquelas que não deixam vestígios, não fazem barulho e só revelam seus efeitos quando já é tarde demais.Aos vinte e quatro anos, chamava atenção sem esforço, mesmo quando tentava não chamar. Havia algo em sua presença que ia além da aparência: uma quietude tensa, um magnetismo discreto, como se carregasse sempre um segredo pesado demais para ser dividido.Os cabelos longos e castanhos caíam pelas costas em ondas bem cuidadas, quase sempre presos em um rabo baixo quando estava em casa, soltos apenas quando precisava “interpretar” uma versão mais acessível de si mesma. Os olhos castanhos eram vivos, atentos, calculistas. Observavam tudo. Registravam tudo. Havia neles uma vigilância constante, uma desconfiança precoce para alguém tão jovem.Seu corpo era esbelto, firme, definido por rotina, não por acaso. Natasha treinava sozinha, em horários alternados, evitando a
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