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Capítulo 6- A Humilhação Calculada

Dante não dormiu naquela noite.

Dormir significava fechar os olhos.

Fechar os olhos significava vê-la.

O rosto de Natasha surgia nítido demais.

O jeito contido.

O olhar que fingia submissão.

O sorriso que ela oferecera para Rafael no estacionamento.

E, principalmente, o beijo.

Não fora um beijo vulgar.

Não fora exibicionista.

Fora íntimo.

Natural.

Como se pertencesse àquele lugar.

Àquele homem.

E isso fazia algo errado se mover dentro dele.

Nada nela deveria importar.

Funcionárias vinham e iam.

Rostos se misturavam.

Pessoas eram descartáveis.

Natasha não deveria ser diferente.

Mas o corpo dele discordava.

E Dante Aragon odiava quando o corpo ousava contradizer sua mente.

Na manhã seguinte, entrou na sala da diretoria já decidido.

Mandou chamá-la.

Sem explicações.

Sem rodeios.

Minutos depois, Natasha atravessava a porta.

Postura perfeita.

Queixo erguido.

Rosto neutro.

Mas Dante enxergava além.

Os ombros levemente rígidos.

A respiração medida demais.

Ela já esperava um ataque.

Isso o agradou.

— Feche a porta.

A ordem saiu calma.

Controlada.

Natasha obedeceu.

O clique da porta soou alto demais.

Dante se levantou lentamente.

Sem pressa.

Predadores não têm pressa.

— Fiquei sabendo — começou, erguendo os olhos apenas então — que você tem criado… distrações dentro da empresa.

Natasha sentiu um frio percorrer a espinha.

— Não entendo, senhor.

Dante caminhou até ela.

Cada passo calculado.

Parou perto demais.

Perto o suficiente para que ela sentisse seu calor.

Seu cheiro.

Sua presença esmagando o espaço.

— Não se faça de ingênua — disse baixo. — Aqui dentro, tudo é visto.

Os olhos dele desceram.

Percorreram seu rosto.

Seu pescoço.

A linha do colo.

Desceram mais um pouco.

Voltaram.

Devagar.

Como uma mão invisível.

A tensão subiu como um choque elétrico.

— Eu trabalho — ela respondeu. — Só isso.

— Trabalha.

A palavra saiu carregada de descrédito.

— É assim que você chama se aproximar de um dos sócios?

O rosto de Natasha perdeu um tom de cor.

— Isso não é verdade.

Dante inclinou levemente a cabeça.

Um gesto quase curioso.

— Você acha mesmo que pode usar meu prédio como palco para seus joguinhos?

Ela abriu a boca.

— Não fale — ele cortou. — Funcionárias como você são facilmente substituíveis.

A palavra funcionárias veio suja.

Pequena.

Humilhante.

Dante se afastou um passo.

Depois outro.

Como se retomasse distância para não tocar.

— Quero você longe de Rafael.

Silêncio.

— Longe da diretoria.

Silêncio.

— Longe de qualquer coisa que não seja exatamente a sua função.

Natasha manteve o olhar baixo.

Mas os punhos estavam fechados.

O corpo inteiro vibrava.

— Está dispensada.

Ela virou-se.

Deu dois passos.

— E mais uma coisa.

Natasha parou.

O coração batia alto demais.

Dante se aproximou novamente.

Parou atrás dela.

Não a tocou.

Mas chegou perto o suficiente para que sua voz roçasse sua pele.

— Não confunda atenção com desejo.

A respiração dele tocou a curva de seu pescoço.

Quente.

Lenta.

O estômago de Natasha se contraiu.

O corpo respondeu antes da mente.

Um erro microscópico.

Mas fatal.

Dante sentiu.

Ficou tenso.

Por um segundo perigosíssimo, nenhum dos dois respirou direito.

O mundo pareceu suspenso.

Então Dante deu um passo brusco para trás.

Como se tivesse encostado em fogo.

— Saia.

Natasha abriu a porta.

Saiu.

Não correu.

Não olhou para trás.

No corredor, só quando dobrou a esquina, o ar voltou aos pulmões.

As pernas fraquejaram.

Mas não cedeu.

A respiração desacelerou.

O rosto se recompôs.

E algo mudou.

A expressão ferida desapareceu.

Deu lugar a um olhar frio.

Atento.

Vitorioso.

A humilhação tinha sido real.

O risco, imenso.

Mas agora ela sabia.

Dante Aragon não gritava.

Não ameaçava.

Não perdia o controle.

Mas o corpo dele reagira.

E isso mudava tudo.

Porque ódio podia ser contido.

Orgulho podia ser administrado.

Mas desejo reprimido…

Desejo sempre encontra um jeito de vazar.

Natasha seguiu pelo corredor com passos firmes.

Com a certeza gravada no peito:

Ela não era mais apenas uma funcionária.

Não era apenas uma peça descartável.

Ela era um incômodo.

Um erro no sistema.

Uma presença que não seria esquecida.

E, naquele jogo silencioso entre predador e presa…

Talvez Dante ainda não soubesse.

Mas ele já tinha mordido o anzol.

E agora, quem aprenderia a caçar…

…seria ela.

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