Mundo ficciónIniciar sesiónUma noite inesquecível. Um segredo perigoso. E um contrato que ela não pode quebrar. Lya Bettencourt entregou-se a um estranho magnético numa noite de chuva em Lisboa, acreditando que nunca mais o veria. Mas o destino foi cínico: dias mais tarde, ela descobre que o seu novo e implacável chefe é o homem daquela noite. Lourenzo Villar. Um CEO bilionário, frio e obcecado pelo controlo, que não admite falhas. Para o mundo, Lya é apenas a designer talentosa contratada para erguer o seu novo império. Para Lourenzo, ela é a única mulher que conseguiu fugir dele — e ele não aceita um "não" como resposta. Encurralada entre o luxo gélido de Lisboa e a mística Serra de Sintra, Lya terá de lutar para provar o seu valor sem deixar que o seu segredo venha à tona. Mas como manter o profissionalismo quando o homem que comanda a sua carreira é o mesmo que conhece cada curva do seu corpo? O traço dela é arte. O jogo dele é sedução. Quem sairá ileso deste contrato?
Leer más• LOURENZO •Eu sempre achei que o silêncio era uma arma. Usei-o durante anos para intimidar adversários em salas de reuniões assépticas e para esconder as minhas próprias fissuras. Mas o silêncio de Sintra, naquela tarde de final de setembro, era diferente. Era um silêncio vivo, preenchido pelo sussurro das árvores centenárias, pelo canto distante de um pássaro e pelo aroma a musgo e terra húmida que parecia purificar tudo.Estava de pé, no final de um carreiro ladeado por lanternas rústicas e pétalas brancas que se perdiam entre os troncos colossais. As mãos, que nunca tinham tremido ao assinar contratos de milhões com clientes como o Alejandro Vargas, estavam agora entrelaçadas à frente do corpo, os nós dos dedos brancos. A brisa fresca da serra batia-me no rosto, mas eu sentia um calor intenso que não vinha do sol.O Vasco estava a um metro de distância, posicionado como meu padrinho. Trocámos um olhar que dispensava palavras. Durante grande parte das nossas vidas, f
• LYA •A viagem do hospital até ao nosso apartamento foi pautada por um silêncio confortável e uma condução cirúrgica. O Lourenzo, que habitualmente rasgava as ruas de Lisboa com o seu Porsche como se não houvesse amanhã, adotou uma postura focada, suave e imaculada. Ele olhava pelo retrovisor para o ovinho no banco de trás a cada semáforo, não em pânico, mas com a atenção protetora de quem carrega a carga mais valiosa do mundo.Quando finalmente passámos pela porta de carvalho maciço da nossa penthouse, o silêncio que nos recebeu teve um peso diferente.Não havia monitores a apitar, não havia enfermeiras a entrar e a sair, não havia a azáfama da família na sala de espera. Éramos apenas nós os três. E, pela primeira vez em quase um ano, não havia absolutamente nenhuma crise corporativa para resolver.O Lourenzo pousou os sacos no chão do corredor e, com a precisão firme que lhe era característica, destrancou o ovinho onde a Aurora dormia profundamente, alheia à muda
• LOURENZO •Eu sempre me orgulhei do meu controlo. Passei décadas a treinar o meu rosto para não vacilar perante crises financeiras, traições de sócios ou a frieza cortante do meu pai. Mas, naquele momento, enquanto eu guiava o carro pelas ruas de Lisboa, o meu controlo era uma ilusão barata. As minhas mãos, que tinham assinado contratos de milhões sem tremer, estavam agora coladas ao volante, suadas e instáveis.Ao meu lado, a Lya arquejava. Cada vez que ela soltava um gemido abafado, o meu coração batia contra as costelas como um animal encurralado. Eu teria dado toda a minha fortuna, toda a Villar Studio e cada centímetro do império que recuperei, apenas para poder transferir aquela dor para o meu próprio corpo.— Já estamos a chegar, Lya. Aguenta, meu amor — a minha voz saiu estranha, mais aguda do que o normal.Assim que parámos na entrada das urgências, o mundo tornou-se um borrão de luzes fluorescentes e ordens médicas. Tentei manter a postura de comando q
O calor já se fazia sentir em Lisboa, e as portas de vidro da varanda do apartamento do Lourenzo estavam escancaradas, deixando a brisa do rio Tejo ventilar a sala de estar. Eu estava refastelada no fundo do grande sofá de cabedal, com as pernas apoiadas no colo do Lourenzo. A minha barriga de trinta e oito semanas assemelhava-se a um pequeno planeta prestes a entrar em órbita, e a minha paciência para o calor roçava o limite do razoável.Mas o verdadeiro espetáculo daquela tarde de sábado não era a vista sobre o rio. Eram as duas pessoas de pé perto da ilha da cozinha.— Se continuares a olhar para mim com esse ódio todo, Bianca, ainda me convences de que estás perdidamente apaixonada por mim — provocou o Miguel, encostado ao mármore com a sua típica pose de lorde lisboeta relaxado, a segurar um copo de gin tónico. — Há uma linha muito ténue entre a repulsa e a atração fatal, sabias?A Bianca, que estava a cortar fruta para o pequeno Afonso, que via bonecos animados










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