Segunda-feira, o despertador parecia mais estridente do que o habitual.
”Excelente começo de semana”, pensei, enquanto encarava o meu reflexo no espelho da casa de banho. O meu café sabia a fraqueza emocional e até a minha roupa parecia não assentar bem no meu corpo. Problemas mundanos, eu sabia, mas tudo parecia amplificado por uma lente de ansiedade que eu não conseguia limpar.
Na agência, o caos habitual de segunda-feira estava em pleno funcionamento, uma sinfonia de stress que, normalmente, eu acharia reconfortante.
— Isto está com erro de servidor! — gritava alguém do fundo.
— Rui, achas que consigo um briefing para o logótipo novo até às 10h? — perguntava o estagiário, esperançoso.
Eu queria apenas desaparecer no meio da confusão. Ser mobília. Ser uma planta de plástico num canto obscuro. Ser um item de escritório sem sentimentos, talvez um agrafador, algo que não tivesse batimentos cardíacos a martelar contra as costelas. Sentei-me na minha secretária, abri o portátil com