Demorei alguns segundos a ganhar coragem para olhar discretamente para o lado. Não queria parecer uma adolescente impressionável, apesar de estar a sentir exatamente isso por dentro. Todo o meu corpo, desde o pescoço até à ponta dos pés nos saltos médios, estava em alerta máximo, uma reação que não sentia há anos, talvez desde a faculdade. Primeiro vi a manga da camisa. Escura, bem cortada, com o tecido assentando de forma perfeita no antebraço moreno. Não era uma camisa qualquer; era daquelas que não enrugam, que exalam um cuidado e um investimento que gritavam “sucesso”. As mãos grandes, os dedos compridos e fortes, pousados com naturalidade sobre o balcão. Um relógio no pulso, elegante, daqueles que não precisam de logotipo à mostra para se perceber que são caros, mas cujo brilho discreto do metal era suficiente para me dizer que ele era de um mundo que eu só visitava a trabalho. Depois, lentamente, deixei o olhar subir. O queixo era forte, duro, a barba bem aparada desenhava-l
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