O sábado trouxe um silêncio que parecia anunciar uma tempestade. Deitada na penumbra do meu quarto em Sintra, eu só conseguia ver o olhar do Lourenzo. Aquele breve instante de reconhecimento na sala de reuniões tinha sido denso e perturbador. Seria possível que o destino nos tivesse pregado aquela partida, ou estaria eu a ver sinais onde só existia o choque de um reencontro impossível?
Suspirei derrotada, e arrastei-me para a cozinha. O café fumegava na caneca, mas eu nem lhe sentia o sabor. A ansiedade estava tão alta que parecia ocupar um espaço físico na sala, como um convidado indesejado sentado à mesa comigo. Passei o resto da manhã num estado robótico: arrumei livros que já estavam arrumados, tentei ler um parágrafo três vezes sem reter uma única palavra e voltei a analisar a reunião até ao mais ínfimo detalhe.
Será que ele me reconheceu? A pergunta batia nas paredes do meu crânio. Ou será que eu inventei aquele brilho nos olhos dele porque o meu cérebro, alimentado por anos de