Mundo de ficçãoIniciar sessãoValentina Diniz era a promessa do Direito internacional. Primeira colocada em Harvard, prestes a se formar, brilhante, determinada… até receber a ligação que mudaria sua vida: seus pais morreram em um acidente misterioso. Forçada a retornar ao Brasil, ela encontra o império jurídico da família afundando em dívidas, cercado por traições e à beira da falência. Desesperada por uma saída, Valentina recebe uma proposta tão absurda quanto tentadora: um contrato de casamento com Rafael Montenegro — um bilionário frio, calculista e infame por transformar alianças em impérios. Em troca de um milhão de dólares, ela se tornaria sua esposa por um ano. O que era para ser apenas um acordo conveniente se transforma em um jogo perigoso de aparências, tensão crescente e verdades enterradas. Quanto mais o tempo passa, mais difícil se torna ignorar os olhares, os toques, o desejo reprimido — e os segredos que podem destruir tudo. Mas o que Valentina não esperava era descobrir que Rafael talvez estivesse ligado à tragédia que levou seus pais. E, agora, ela terá que escolher: confiar no homem que pode salvá-la... ou destruí-la completamente.
Ler maisA ala estava silenciosa quando Valentina voltou. Ao abrir a porta notou que a sala estava tomada por papéis espalhados com método — não bagunça —, notebooks abertos, gráficos impressos, anotações feitas à mão. Rafael estava sentado em uma das poltronas, postura relaxada apenas o suficiente para quem estava há horas negociando poder. Moreira ocupava o sofá oposto, concentrado, alternando entre a tela e documentos físicos.Rafael falava em italiano ao telefone.A voz era baixa, firme, sem pressa. Não havia agressividade, apenas controle. Valentina parou na entrada por um segundo, observando. Aquela era uma versão dele que não aparecia em jantares nem em gestos calculados — o homem no território natural.Ela não interrompeu.Fez um cumprimento discreto com a cabeça, quase imperceptível, e seguiu para o quarto.Fechou a porta atrás de si e soltou o ar.O banho veio como um alívio. Água quente, silêncio, tempo para reorganizar pensamentos. Não foi um banho longo, nem dramático — foi prátic
A casa Yamamoto acordava antes das pessoas. O aroma suave de arroz recém-preparado, caldo quente e chá verde já ocupava os corredores quando Valentina chegou à sala de refeições, acompanhada por Rafael e Moreira.O ambiente era diferente do jantar da noite anterior.Mais claro. Mais íntimo.Menos ritual — mais cotidiano.A mesa baixa já estava posta.Pratos pequenos, dispostos com simetria cuidadosa. Arroz branco fumegante. Peixe grelhado em porções delicadas. Ovos preparados de forma simples, legumes cozidos no ponto exato, sopa leve, frutas cortadas com precisão quase artística. Tudo servido sem excesso, sem pressa, sem desperdício.O senhor Yamamoto estava à mesa.Postura impecável, expressão neutra, lendo algo em um tablet antes de pousá-lo com calma. À direita, Akemi já se encontrava sentada, elegante mesmo em roupas mais simples. À esquerda, Hana conversava em voz baixa com uma funcionária, interrompendo-se ao notar a chegada deles.Rafael foi o primeiro a cumprimentar.— Bom di
Rafael entrou no quarto sem fazer ruído.A casa Yamamoto tinha essa estranha capacidade de engolir passos, sons, intenções. Tudo ali parecia existir em estado de observação constante — até o silêncio.Ele fechou a porta com cuidado, mais por hábito do que por necessidade, e caminhou alguns passos para dentro.Parou.Valentina dormia.O corpo estava virado de lado, parcialmente encolhido, os cabelos espalhados pelo travesseiro, a respiração lenta, profunda. O rosto relaxado, distante de qualquer tensão do dia — como se o mundo tivesse sido desligado com um botão invisível.Mas não foi ela que prendeu sua atenção.Foi o muro.Almofadas. Várias. Empilhadas com precisão quase militar no meio da cama, formando uma divisória clara, inequívoca, impossível de ignorar.Rafael piscou uma vez.Depois outra.Avaliou a cena como avaliava tudo: em silêncio, sem reação imediata.Então… algo aconteceu.O canto de sua boca se moveu.Não foi um sorriso aberto. Não foi algo que ele permitiria em público
Valentina e Rafael caminharam a passos calmos em direção à sala de jantar. A casa Yamamoto era imponente sem ser excessiva. Cada corredor parecia carregar uma história própria, e nenhum detalhe estava ali por acaso. Valentina observava em silêncio, o coração batendo um pouco mais rápido do que gostaria, com um único pensamento martelando a mente: Não estragar nada. Inconscientemente, os dedos dela apertaram o braço de Rafael a cada passo que os aproximava da porta principal da sala. Ele percebeu. Sem chamar atenção, levou a mão até a dela, envolvendo-a com firmeza tranquila, e inclinou-se o suficiente para que só ela ouvisse. — Fica calma. — murmurou. — Aja naturalmente. Esse jantar não é tão difícil quanto parece. Valentina olhou para as mãos entrelaçadas. O contraste era imediato: a dela fria, tensa; a dele quente, estável. Aquilo ajudou mais do que ela admitiria em voz alta. Seguiram em silêncio até que a funcionária que os acompanhava parou e, com um gesto formal, abr
Valentina fechou a porta atrás de si com cuidado, como se qualquer som mais alto pudesse acordar a própria casa. O ambiente era amplo, elegante, com uma mistura quase hipnótica de tradição e modernidade: paredes de madeira escura, iluminação indireta embutida no teto, painéis deslizantes que davam acesso a um jardim interno e, ao centro, uma cama.Uma cama enorme.Grande demais para ser ignorada.Impossível demais para fingir que não existia.Valentina deu dois passos para dentro e parou.Piscou uma vez.Piscou duas.Abriu a boca.Fechou.— Não… — murmurou para si mesma.Olhou ao redor em busca de qualquer coisa que contradissesse aquilo. Um sofá-cama. Uma segunda porta. Um erro de interpretação. Mas não havia. O quarto era claramente um quarto de casal. Elegante, sofisticado… e inegavelmente pensado para duas pessoas que dividiam mais do que espaço.— Droga… — sussurrou.Até ali, tudo bem. Viagem. Casa gigantesca. Poder japonês em estado puro.Mas aquilo?Aquilo significava dias.Sem
O Japão não os recebeu com pressa. O desembarque em Tóquio aconteceu com a precisão silenciosa que só o Japão parecia dominar. Nada de empurra-empurra, nada de vozes elevadas. Pessoas se moviam como se cada passo tivesse sido previamente calculado — e, de certa forma, tinha.Valentina percebeu isso antes mesmo de colocar os pés no solo.— É diferente… — murmurou, instintivamente, enquanto caminhava ao lado de Rafael pelo finger.— Aqui tudo é — respondeu ele, baixo. — Inclusive o poder.Ela não comentou, mas sentiu.O ar parecia mais limpo. Não no sentido literal, mas no simbólico. Como se ali o excesso fosse indelicado e o silêncio, uma forma de autoridade.Moreira caminhava alguns passos atrás, atento, já com o telefone na mão. Assim que atravessaram o portão de desembarque internacional, ele se aproximou.— Senhor — disse, contido —, fomos informados de uma mudança.Rafael inclinou levemente a cabeça, sinal para continuar.— O senhor Yamamoto não poderá vir recepcioná-los. Houve um
Último capítulo