CAPÍTULO 106 — LINHAS INVISÍVEIS

Rafael entrou no quarto sem fazer ruído.

A casa Yamamoto tinha essa estranha capacidade de engolir passos, sons, intenções. Tudo ali parecia existir em estado de observação constante — até o silêncio.

Ele fechou a porta com cuidado, mais por hábito do que por necessidade, e caminhou alguns passos para dentro.

Parou.

Valentina dormia.

O corpo estava virado de lado, parcialmente encolhido, os cabelos espalhados pelo travesseiro, a respiração lenta, profunda. O rosto relaxado, distante de qualquer tensão do dia — como se o mundo tivesse sido desligado com um botão invisível.

Mas não foi ela que prendeu sua atenção.

Foi o muro.

Almofadas. Várias. Empilhadas com precisão quase militar no meio da cama, formando uma divisória clara, inequívoca, impossível de ignorar.

Rafael piscou uma vez.

Depois outra.

Avaliou a cena como avaliava tudo: em silêncio, sem reação imediata.

Então… algo aconteceu.

O canto de sua boca se moveu.

Não foi um sorriso aberto. Não foi algo que ele permitiria em público
Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App