A ala estava silenciosa quando Valentina voltou. Ao abrir a porta notou que a sala estava tomada por papéis espalhados com método — não bagunça —, notebooks abertos, gráficos impressos, anotações feitas à mão. Rafael estava sentado em uma das poltronas, postura relaxada apenas o suficiente para quem estava há horas negociando poder. Moreira ocupava o sofá oposto, concentrado, alternando entre a tela e documentos físicos.
Rafael falava em italiano ao telefone.
A voz era baixa, firme, sem pressa. Não havia agressividade, apenas controle. Valentina parou na entrada por um segundo, observando. Aquela era uma versão dele que não aparecia em jantares nem em gestos calculados — o homem no território natural.
Ela não interrompeu.
Fez um cumprimento discreto com a cabeça, quase imperceptível, e seguiu para o quarto.
Fechou a porta atrás de si e soltou o ar.
O banho veio como um alívio. Água quente, silêncio, tempo para reorganizar pensamentos. Não foi um banho longo, nem dramático — foi prátic