Mundo de ficçãoIniciar sessãoEla têm um passado doloroso... Ele luta para vencer seus fantasmas... Após começar a trabalhar cuidando de uma criança, Laura se vê morando dentro da casa de um dos maiores CEOs de Londres. Tendo uma relação totalmente profissional com o CEO, convivendo com ele, Laura percebe que ele parece guardar muita coisa dentro de si e logo uma curiosidade surge no ar.
Ler maisLaura Sinclair
Vinte e quatro anos de idade Londres ......................... Parece tão real. Consigo escutar os gritos dela chamando meu nome, dilacerantes, desesperados. O cheiro forte da fumaça invade meus pulmões, queimando por dentro, tornando cada respiração um esforço doloroso. Meus olhos ardem enquanto tento encontrá-la em meio a todo aquele caos — chamas, estilhaços, desespero —, mas não a encontro. É culpa minha. Foi tudo culpa minha. … Acordo em sobressalto. Meu coração dispara no peito como se quisesse escapar, a respiração sai curta e ofegante, e sinto meu corpo inteiro tremer, tomado por um pânico que ainda não me abandonou. Com dificuldade, tento controlar o ar que entra e sai dos meus pulmões. Passo a mão pelos cabelos, sentindo-os úmidos de suor, e solto um longo suspiro trêmulo. Levanto-me da cama, e meu corpo inteiro se arrepia ao tocar a madeira fria do chão com os pés descalços. Caminho lentamente até a sacada do meu velho e pequeno apartamento. Abro a porta, e a brisa gelada da madrugada toca meu rosto, trazendo um frio que contrasta com o calor sufocante do pesadelo. Apoio-me na grade à minha frente, fecho os olhos e respiro fundo, tentando organizar os pensamentos embaralhados. Mas como organizar a mente depois de um sonho tão vívido? Sonho… não. Está mais para uma lembrança dolorosa, daquelas que insistem em voltar quando menos espero. Passo as mãos pelo rosto, tentando afastar as imagens. — Respira, Laura! — sussurro para mim mesma, como se minha própria voz pudesse me ancorar à realidade. — Você está bem? — Tremo ao escutar uma voz grossa e firme, forte como um trovão rasgando o céu silencioso da madrugada. Olho para o lado e, com a iluminação suave da lua, consigo distinguir a silhueta de um homem. Ele está encostado na parede, o corpo relaxado, o rosto voltado para o céu estrelado. Não consigo enxergar seus traços por causa da pouca luz, mas noto seus cabelos bagunçados, que parecem ondulados — embora eu não tenha certeza. — Está tudo bem! — respondo por educação, mesmo não estando nem um pouco disposta a conversar naquele momento. Por alguns segundos, um silêncio constrangedor se instala, até que ele fala novamente. — Não foi o que pareceu… você estava resmungando bastante enquanto dormia! — comenta. Olho para ele, confusa. O homem então direciona o olhar na minha direção e se aproxima um pouco da minha varanda. Em seguida, b**e levemente o dedo na parede entre nós. — Não me entenda mal, por favor, mas as paredes são geminadas — explica. Claro. Dá para ouvir praticamente qualquer coisa que aconteça ali. — E o que mais você escutou nos outros dias? — murmuro, quase arrependida da pergunta. Ele solta um suspiro, fingindo pensar por alguns instantes. — Você não recebe muitas visitas… e quando alguém vem, é aquela sua amiga, Lavínia. Muito barulhenta, por sinal! — diz em tom de brincadeira. Um leve sorriso escapa dos meus lábios. — Devo me preocupar com os tipos de conversas que você ouviu? — questiono, meio sem jeito. Ele solta uma risada baixa, discreta. — Claro que não. Não fico muito por aqui, se isso lhe conforta. E quando estou, evito invadir sua privacidade — responde. Aceno com a cabeça, aliviada. — Obrigada! — agradeço. Olho para o céu por um instante, perdida naquelas lembranças que insistem em me puxar para longe do presente. Faço uma leve massagem na têmpora, tentando aliviar a tensão que pulsa ali. — Você deveria relaxar os ombros… dá para ver daqui o quanto está tensa — ele comenta. — Estou tentando — murmuro, sem muita convicção. Ouço o som dele se movendo e volto o olhar em sua direção. — O que você está fazendo? — questiono ao vê-lo subir no parapeito da própria sacada. Antes que eu possa reagir, com um impulso rápido, ele pula para dentro da minha. Dou um passo para trás, surpresa, mantendo os olhos fixos nele. — Calma, eu só vou te mostrar como pode relaxar — diz. Mesmo com a iluminação mínima, consigo perceber que ele mantém as mãos erguidas, em um gesto de rendição. Devagar, volto ao meu lugar, ainda hesitante, e sinto sua presença se aproximar. Um aroma amadeirado invade o ambiente e, por instinto, fecho os olhos, respirando fundo, deixando-me envolver por aquele cheiro agradável. — Com licença — ele pede, em um tom baixo. Um arrepio percorre minha coluna quando sinto suas mãos grandes pousarem sobre meus ombros. A pressão leve de seus dedos é suficiente para me fazer relaxar quase de imediato, deixando meu corpo mole. Meus ombros cedem pouco a pouco sob a massagem cuidadosa e, sem perceber, deixo escapar um pequeno resmungo de satisfação. Ouço sua risada baixa atrás de mim. — Está bom? — ele pergunta. — Está sim… não pare, por favor — peço, a voz mais suave do que eu pretendia. Meu corpo, agora completamente relaxado, procura instintivamente um ponto de apoio. Sem perceber, encosto as costas em seu peitoral firme. Ele ergue a mão até meu rosto e me guia delicadamente, fazendo-me repousar a cabeça em seu ombro. — Você parecia precisar relaxar um pouco — ele diz. Olho para cima, na direção dele, e por alguns segundos o fato de não conseguir ver seu rosto me incomoda. Mãos grandes, peitoral definido, uma voz grave, um cheiro incrivelmente bom e ainda sabe massagear… sinceramente, fico curiosa para ver o rosto do homem que carrega um combo quase perfeito. — Sinto você tentando me olhar — ele comenta. — Talvez eu esteja mesmo — respondo. Com cuidado, ele me vira de frente para ele. Sua mão direita desliza lentamente, como se tentasse me decifrar apenas pelo toque. Seus dedos alcançam meus cabelos ruivos, passando por eles com suavidade, parecendo medir o comprimento. Depois, percorrem minha testa, sobrancelhas, descem pelo nariz, acariciam minha bochecha com delicadeza e, por fim, chegam aos meus lábios, onde brincam levemente. — Você parece ser muito bonita, senhorita — diz. Engulo em seco. Ele pega minha mão com cuidado e a leva até o rosto dele. Sinto algo espetar de leve e percebo ser a barba por fazer. Seus cabelos realmente são ondulados… e incrivelmente macios. Com a mão livre, ele me puxa para mais perto. O calor do corpo dele contra o meu faz meu coração acelerar. Um frio se espalha pelo meu estômago e, por alguns instantes, desejo que ele esteja ainda mais perto. — Devo parar? — pergunta, e sinto o hálito de menta tocar meu rosto. — Não — sussurro. Seus lábios pressionam os meus com suavidade. A barba roça meu rosto, fazendo cócegas, mas não me importo — é surpreendentemente bom. O beijo começa calmo, cuidadoso, fazendo meu coração disparar ainda mais. Levo minhas mãos até sua nuca, sem querer que aquele momento acabe. Quando o ritmo se intensifica, meu vizinho apoia minhas costas na parede, mantendo uma mão em meu rosto e a outra em minha cintura. Então, de repente, ele para. — Sinto muito… não quis me aproveitar de você — diz, passando os dedos lentamente pelo meu cabelo. — Mas você parecia estar sussurrando meu nome. Solto um suspiro quando ele se afasta, e um vazio inesperado toma conta do espaço entre nós. — Eu nem sei seu nome — brinco. — E é melhor não saber. Boa noite, senhorita — responde, antes de eu vê-lo, de relance, voltar para sua sacada. Apoio a cabeça na parede por alguns segundos, ainda sentindo seus lábios nos meus. Mordo o lábio inferior e, em silêncio, volto para dentro do meu quarto.Arrumo o quarto de Lilian enquanto ela termina o café da manhã que a senhora Mônica preparou. O cômodo ainda cheira a xampu infantil, misturado com aquele perfume doce e suave que parece seguir a menina pela casa inteira.Cuidadosamente, coloco seus ursinhos de pelúcia alinhados sobre a cama, como se estivessem em uma pequena reunião particular. Guardar os brinquedos no baú é quase um exercício de delicadeza; cada peça parece ter uma história, um toque recente das mãos pequenas que os espalham pelo chão. Por fim, confiro os materiais, fecho sua mochila e a deixo prontinha ao lado da porta.— Laura, acabei! — a voz fininha ecoa pelo corredor antes de ela aparecer no batente.Viro-me, e meu sorriso nasce sem esforço algum. Lilian surge com os cabelos ondulados desarrumados, caracóis apontando em direções aleatórias como se tivessem acabado de travar uma batalha com o travesseiro. Seus olhinhos brilham ao me ver, pura energia e expectativa.E então – como acontece às vezes, sem aviso – a
A cama é tão macia que parece engolir meu corpo inteiro, como se dissesse “relaxa, você está segura.” Mas mesmo envolvida pelos lençóis perfumados e com o travesseiro afundando sob minha cabeça, o sono simplesmente não vem. O relógio marca 1h40 da manhã. E eu ainda estou aqui — olhos abertos no escuro, coração inquieto, mente barulhenta. Solto um suspiro frustrado e sento-me, passando a mão pelos cabelos. A casa parece respirar junto comigo, silenciosa demais, imponente demais. Deslizo para fora da cama, meus pés encontram o chão frio e um arrepio sobe pela minha coluna. Abro a porta devagar, cuidando para não fazer nenhum ruído que ecoe pelos corredores. O silêncio é tão absoluto que sinto até minha própria respiração alta demais. Desço a escada na ponta dos pés, cada degrau protestando levemente sob meu peso. Procuro pela cozinha, guiada apenas pela lembrança do caminho e pela fraca iluminação que vem da sala. A luz suave da cozinha me recebe, e por um momento, fico
O apartamento está silencioso demais quando entro.Silêncio, para mim, sempre foi mais pesado do que barulho.Fecho a porta devagar, como se qualquer ruído pudesse fazer desmoronar algo dentro de mim.Jogo a bolsa no sofá e fico ali parada, encarando o pequeno espaço que chamo de casa — cozinha compacta, sala com móveis que não combinam, paredes brancas demais.“Leve roupas para alguns dias.”A frase do senhor Carter martela na minha cabeça.Dias.Nunca passei dias longe de casa desde que…Não. Não vou pensar nisso.Respiro fundo e vou até o armário, abrindo-o como quem abre uma caixa de memórias.As roupas me encaram de volta: simples, gastas em lugares estratégicos, confortáveis — o oposto absoluto do mármore e do cristal do último andar.Pego uma mala pequena. Queria que fosse maior, mas essa é a única que tenho.Abro o zíper e começo a jogar roupas lá dentro sem pensar:duas calças, três camisetas, um moletom.O moletom me faz hesitar — ele ainda tem cheiro de…Pausa. Inspiro. Lar
Nunca estive nessa parte da empresa — o último andar.Só de sair do elevador, parece que entrei em outro mundo. O ar aqui é mais frio, cortante, como se houvesse um ar-condicionado para cada parede. A temperatura arrepia meus braços mesmo com o blazer.Tudo é em um tom de cinza claro, tão impecável que parece que ninguém realmente trabalha aqui, apenas flutua sobre o carpete sem deixar rastros. As paredes são vidro espelhado, refletindo meus passos como se eu fosse intrusa em um lugar onde não pertenço.E o silêncio…Deus, o silêncio.É tão absoluto que parece engolir o som, e o único barulho que ressoa é o bater dos meus saltos contra o piso — toc, toc, toc — incisivo, marcando cada passo como se denunciasse minha presença.Sinto vontade de tirar os sapatos só para não irritar o ar ao meu redor.Sigo pelo corredor e logo avisto uma mulher sentada atrás de uma mesa minimalista. Ela está perfeitamente montada — tailleur impecável, maquiagem leve e sem falhas, coque sem um fio fora do l
Sinto as lágrimas se acumularem em meus olhos, mas não me permito chorar. Como poderia? Chorar por algo que foi totalmente culpa minha? Solto um suspiro pesado, coloco as flores entre as duas lápides e ergo o olhar para o céu, lutando para manter as emoções sob controle. Em silêncio, deixo o cemitério, entro no carro e sigo direto para a empresa onde trabalho. Passo o cartão na porta e entro. Funcionários caminham de um lado para o outro; alguns apressados, outros já em seus devidos lugares, concentrados em suas tarefas. Vou até o elevador, aperto o botão de chamada e espero. — Queria ter esse privilégio de, toda quinta-feira, poder chegar ao serviço duas horas depois do horário normal! — ouço a voz de Evelyn. Solto um suspiro, reviro os olhos e não me dou nem ao trabalho de olhar para ela. As portas do elevador se abrem, revelando um homem lá dentro. Por um instante, penso em não entrar, mas é escolher dividir aquele espaço com um estranho ou ouvir mais uma provocação de Evel
Laura Sinclair Vinte e quatro anos de idade Londres .........................Parece tão real.Consigo escutar os gritos dela chamando meu nome, dilacerantes, desesperados. O cheiro forte da fumaça invade meus pulmões, queimando por dentro, tornando cada respiração um esforço doloroso. Meus olhos ardem enquanto tento encontrá-la em meio a todo aquele caos — chamas, estilhaços, desespero —, mas não a encontro.É culpa minha.Foi tudo culpa minha.…Acordo em sobressalto. Meu coração dispara no peito como se quisesse escapar, a respiração sai curta e ofegante, e sinto meu corpo inteiro tremer, tomado por um pânico que ainda não me abandonou. Com dificuldade, tento controlar o ar que entra e sai dos meus pulmões. Passo a mão pelos cabelos, sentindo-os úmidos de suor, e solto um longo suspiro trêmulo.Levanto-me da cama, e meu corpo inteiro se arrepia ao tocar a madeira fria do chão com os pés descalços. Caminho lentamente até a sacada do meu velho e pequeno apartamento. Abro a por
Último capítulo