Mundo ficciónIniciar sesiónIsadora Alencar nunca teve medo de recomeçar — mas jamais imaginou o preço que seu corpo passaria a pagar pelos próprios sonhos. Ao deixar o interior de Goiás para trás e chegar a Brasília, ela descobre rapidamente que sobreviver exige mais do que força de vontade. A cidade pulsa ambição, luxo e segredos — e Isadora está prestes a ser engolida por todos eles. Trabalhando em uma boutique sofisticada, ela conhece Madeleine: elegante, experiente e perigosamente persuasiva. O convite que recebe não é apenas profissional — é um portal para um mundo onde desejo, poder e dinheiro se misturam de forma irresistível. Ao se tornar uma acompanhante de luxo, Isadora passa a explorar limites que jamais ousou imaginar, aprendendo a usar o próprio corpo como moeda, arma e proteção. Entre quartos de hotéis, olhares famintos e encontros marcados pelo silêncio e pela sedução, Isadora descobre que o prazer pode ser tão viciante quanto o perigo. Cada escolha a afasta da garota que foi — e a aproxima de uma mulher que aprende a controlar desejos alheios enquanto luta para não perder os seus. Quando uma proposta arrebatadora para trabalhar na Europa surge, Isadora se vê diante de uma decisão que pode mudar tudo: até onde ela está disposta a ir para conquistar liberdade, luxo e poder — e o que restará de si mesma quando o desejo cobrar seu preço final? Uma história intensa sobre sedução, ambição e o limite tênue entre controle e entrega.
Leer másIsadora Alencar aprendeu cedo que algumas decisões mudam a vida antes mesmo de serem tomadas.
O espelho do banheiro refletia uma mulher que ela ainda não conhecia por completo. O vestido preto abraçava suas curvas com precisão calculada, como se tivesse sido feito para provocar perguntas silenciosas. Não era vulgar. Era perigoso. Isadora passou os dedos pela própria cintura, sentindo o tecido deslizar sob a pele quente, e engoliu em seco. Aquela não era mais a garota que chegou a Brasília com uma mala velha e sonhos frágeis demais para sobreviver sozinhos.
O salto alto repousava ao lado da porta, esperando por ela como um aviso. Ao calçá-lo, Isadora sentiu o corpo se ajustar, a postura mudar, o olhar endurecer levemente. Cada centímetro elevado do chão parecia afastá-la de quem fora — e aproximá-la da mulher que estava se tornando.
O celular vibrou sobre a bancada.
Uma mensagem curta. Direta.
O carro está à sua espera.
Isadora respirou fundo. O ar parecia mais denso naquela noite, carregado de expectativa e algo que ela ainda não sabia nomear. Medo? Excitação? Talvez os dois. Desde que aceitara a proposta de Madeleine, tudo dentro dela vivia em um estado constante de alerta — como se cada escolha pudesse levá-la ao prazer ou à ruína.
Ao sair do apartamento, o corredor silencioso amplificou o som de seus passos. Cada batida do salto ecoava como uma confissão. Isadora sentia os olhares imaginários pousarem sobre seu corpo, despindo-a sem tocá-la, antecipando algo que ainda não havia acontecido — mas que já deixava sua pele sensível.
Quando a porta do carro se abriu, o interior escuro e elegante a recebeu como um segredo bem guardado. O cheiro de couro, perfume masculino e poder fez seu estômago revirar. Isadora entrou sem dizer uma palavra, cruzando as pernas devagar, consciente de cada movimento.
Enquanto a cidade começava a se mover ao redor, iluminada por promessas que nem sempre se cumpriam, Isadora entendeu que aquela noite não era apenas mais um trabalho.
Era um rito de passagem.
E, pela primeira vez, ela não sabia se estava pronta para aquilo — ou se desejava demais para recuar.
***
O hotel era silencioso demais para aquela hora da noite.
Isadora sentiu a mudança no ar assim que atravessou o saguão — como se cada passo a levasse mais fundo em algo que não poderia ser desfeito. O elevador subiu lento, claustrofóbico. O homem ao seu lado não disse uma palavra. Alto, impecável, cheiro de poder misturado a algo masculino e quente. O silêncio entre eles não era vazio. Era carregado.
Quando a porta se abriu, ele indicou o caminho com um gesto curto. O quarto era amplo, luz baixa, cortinas fechadas. Isadora sentiu o coração acelerar. Antes que pudesse pensar demais, a porta se fechou atrás deles com um clique seco — definitivo.
Ele se aproximou devagar, avaliando-a como quem escolhe com precisão cirúrgica. Isadora sustentou o olhar, mas sentiu o corpo reagir antes da mente. A pele arrepiou. O calor se concentrou baixo, traiçoeiro.
— Tire o casaco — ele disse, a voz baixa, controlada.
Isadora obedeceu. Cada movimento era consciente. Calculado. O tecido deslizou por seus braços, revelando mais do que pele: revelando intenção. O olhar dele escureceu.
Ele se aproximou até que o espaço entre seus corpos desaparecesse. Não a tocou de imediato. O que fez foi pior — ou melhor. O cheiro dele a envolveu. A presença, esmagadora. Isadora sentiu o próprio corpo responder, a respiração falhar, os músculos cederem sem que ela pedisse.
Quando finalmente a mão dele tocou sua cintura, foi firme. Possessiva. Um toque que não perguntava — afirmava. Isadora fechou os olhos por um segundo, sentindo o choque elétrico subir pela espinha. Aquilo não era delicado. Era intencional.
Os lábios dele roçaram sua orelha, lentos, provocadores. Isadora mordeu o próprio lábio para conter um som que ameaçava escapar. O corpo já não obedecia à razão. Cada nervo estava desperto, exigindo mais.
Ela sentiu as mãos dele explorarem com precisão, como se já soubessem exatamente onde pressionar, onde provocar. O vestido parecia pequeno demais. A pele, sensível demais. Isadora percebeu, com um misto de vertigem e prazer, que estava molhada — e não tentou negar.
Quando ele a conduziu até a cama, não houve resistência. Apenas entrega. O colchão cedeu sob seu peso, e o olhar dele sobre seu corpo foi lento, faminto, quase reverente.
Isadora respirava com dificuldade agora. O mundo havia se reduzido àquele quarto, àquela noite, àquela versão de si mesma que aprendia, com um arrepio perigoso, que o desejo também podia ser poder.
E, naquele momento, ela soube: não havia mais volta.
HelenaOlho para o quarto que passei meus 18 anos, rumo a uma nova jornada em minha vida. Saber que a partir daquele dia serei uma universitária, morando sozinha na capital. Longe do cuidado e amor da minha família. Papai e mamãe sempre foram o meu apoio em todas as decisões que tomei, desde o momento em que passei a entender as coisas da vida. Minhas avós, Érica e Tereza, achavam que seguiria os passos do meu pai, estudando para um dia trabalhar como executiva em algum banco. Mas quando anunciei no jantar de ano novo que começaria a faculdade de direito na Federal, as reclamações em relação a morar sozinha começaram na mesma noite. Minha mãe foi a primeira a apoiar minha decisão, assim como eu, ela sempre me contava que quando era um pouco mais velha que eu, se aventurou em Brasília, onde conheceu meu pai e ficou um ano fora trabalhando na Europa, retornando depois e assumindo a relação com o homem mais importante da minha vida.— Sonhando acordada ou arrependida por que decidiu mora
3 anos depois do primeiro epílogo— Isadora, minha filha, se acalma, Helena foi apenas prestar vestibular, não é o fim do mundo.Iara tentava acalmar a amiga, que estava apreensiva pela demora, e nem Bruno dava sinal de vida. Naquele Domingo, Helena foi para a capital prestar o vestibular para tentar uma vaga na faculdade federal, mesmo com a mãe dizendo que poderia pagar uma faculdade particular. Mas tanto Helena como Bruno tinham a mesma opinião de que a federal seria a melhor opção. Lá existiam bons professores, e a filha queria se formar ali. Isadora sabia como a filha era teimosa já que, ao menos, esse jeito de ser a garota a puxou para ela.— Mãe, não precisa ficar assim que a vaga já é da Helena. — Bernardo assistia série na televisão da sala, enquanto as mulheres estavam sentadas na mesa do jantar. O casal ainda morava na mesma casa que foi comprada 19 anos atrás, quando Isadora engravidou e Bruno foi transferido para Goiânia.— Eu sei disso, meu filho. Mas assim como estou ne
12 anos depois...— Calma, filha. Você está me deixando nervosa desse jeito.Helena estava completando 15 anos naquela noite. A jovem escolheu pela festa de debutante e, claro, Bruno não pensou duas vezes em fazer o gosto da filha mais velha. Helena era a menina dos seus olhos: até Bernardo reclamava que a irmã era a favorita do pai em tudo, mesmo com o pai sempre deixando claro que amava os filhos do mesmo jeito. O casamento de Isadora e Bruno era feliz, verdadeiro e real, como tantos.Isadora vivia uma vida melhor do que ela um dia imaginou viver. Bruno se tornou um diretor financeiro de sucesso, anos depois se tornou Presidente do Banco, o que fez com que o cargo que o marido exercia fosse ainda mais importante do que antes. O medo de alguém descobrir seu passado ainda existia. Na verdade, Isadora sempre dizia para Iara que sua antiga profissão a perseguirá para sempre, mesmo a senhora aconselhando-a esquecer sobre isso. O que importava era a família que ela construiu ao lado de Br
Dezembro 2023Isadora estava sentada junto com os outros formandos. Roberta estava ao seu lado, segurando a mão da amiga.Sentados no salão estavam o marido com Bernardo em seu colo. Seu pequenino estava com 4 meses de vida e era um menino forte e calmo, assim como Helena foi. A filha não queria sair de perto do irmão e não sentia ciúmes do menino. Pelo contrário: Ela não queria largar o garoto por um minuto.Os sogros, os pais e sua irmã, ao lado da sua amiga querida Iara, não disfarçavam a emoção de ver Isadora recebendo seu diploma de contadora naquela noite. Madeleine e Carlos enviaram os parabéns, e a ex-patroa não escondeu o orgulho em ter sua funcionária favorita se formando e seguindo sua vida feliz, ao lado dos filhos e do marido. Carolina também enviou os cumprimentos para a ex-amiga. A relação das duas não era mais a mesma de antes, mas Isadora tentaria perdoar de vez o que houve no passado. Os cunhados a parabenizaram e, enquanto o orador da turma discursava, um filme pass





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