Mundo de ficçãoIniciar sessãoAmelia é a estrela do Nocturne Chill, uma das casas de show mais exclusivas de Nova York. Morena, de olhos castanhos intensos, ela é conhecida não apenas por sua beleza marcante, mas pela forma eloquente com que dança — cada movimento seu parece contar uma história, hipnotizando o público e transformando aplausos em silêncio reverente. Rafael, advogado de trinta e poucos anos, solteiro e exausto da rotina rígida dos tribunais, decide tirar uma rara noite de folga. Em busca de distração, acaba entrando no Nocturne Chill sem imaginar que aquela escolha mudaria o rumo de sua noite — e talvez de muito mais. Entre luzes suaves, música envolvente e copos esquecidos sobre a mesa, seus olhos encontram Amelia no palco. Enquanto ela dança, o mundo ao redor parece desaparecer. O olhar de Rafael se fixa nela, assim como o de tantos outros, mas há algo diferente naquela troca silenciosa. Uma conexão sutil nasce entre palco e plateia, feita de curiosidade, tensão e mistério. E naquela noite nova-iorquina, o encontro entre uma dançarina que vive sob os holofotes e um homem acostumado ao controle pode dar início a uma história onde desejo, escolhas e segredos caminham lado a lado.
Ler maisO trânsito de Nova York parecia mais lento naquela noite. As luzes vermelhas se alongavam pelo asfalto molhado, refletindo nos vidros do carro de Rafael como um lembrete silencioso de mais um dia que terminava igual aos outros. Ele afrouxou levemente a gravata, soltando um suspiro cansado enquanto mantinha uma das mãos firmes no volante.
Audiências, prazos, clientes exigentes. Aos trinta anos, Rafael já era um advogado respeitado — e completamente exausto. O celular vibrou no console ao lado. Ele lançou um olhar rápido para a tela no próximo semáforo. Arthur. — Justo agora… — murmurou, atendendo pelo viva-voz. — Cara, você sumiu! — a voz animada do amigo preencheu o carro. — Hoje é noite de folga. Nada de processos, nada de planilhas. Topa sair? Rafael sorriu de canto, quase sem perceber. Arthur sempre fora assim: espontâneo, insistente, o oposto perfeito de sua rotina controlada. — Sair pra onde? — perguntou, já desconfiado. — Nocturne Chill. A casa de show mais popular da cidade. Todo mundo fala desse lugar. Vem comigo. Rafael ficou em silêncio por alguns segundos, observando as pessoas apressadas na calçada. Fazia anos que não aceitava convites assim. Sua vida havia se resumido a trabalho e compromissos — diversão era algo que ele sempre deixava “para depois”. Talvez fosse hora. — Tudo bem — respondeu, finalmente. — Eu vou. Do outro lado da linha, Arthur comemorou como se tivesse vencido uma aposta. Quarenta minutos depois, Rafael estava em frente ao espelho do apartamento. Optou por uma camisa preta bem cortada, mangas dobradas com descuido calculado, blazer escuro e perfume discreto. Elegante, mas sem esforço. Havia algo diferente naquela noite — uma expectativa que ele não sentia há muito tempo. O Nocturne Chill pulsava vida desde a entrada. A fachada iluminada, o som grave escapando pelas portas e a fila animada já anunciavam que aquele não era um lugar comum. Ao encontrar Arthur, Rafael foi recebido com um copo na mão e um sorriso satisfeito. — Eu disse que você precisava disso — Arthur comentou, enquanto avançavam pelo salão. Luzes baixas, música envolvente, conversas misturadas a risos. Rafael observava tudo com curiosidade, sentindo-se quase um estranho naquele universo — até que seus olhos foram atraídos para o palco. Ela. Amelia. A dançarina se movia com uma confiança hipnotizante. Cada passo parecia calculado, cada gesto carregava uma naturalidade rara. Não era apenas beleza — era presença. O tipo de presença que silencia uma sala inteira sem precisar pedir atenção. Rafael percebeu que havia parado de ouvir o que Arthur dizia. Seu foco estava inteiramente nela, no modo como dominava o palco, como se aquele espaço fosse uma extensão de si mesma. Naquele instante, ele entendeu. Aquilo era muito mais do que uma noite para beber e jogar conversa fora com um amigo de longa data. Era o começo de algo que ele ainda não conseguia nomear — mas que, de alguma forma, já o havia prendido. E ele não fazia ideia de como aquela noite mudaria tudo. Amelia encerrou o número sob aplausos intensos. O último acorde ecoou pelo salão enquanto ela fez uma reverência elegante, o sorriso confiante iluminado pelas luzes do palco. Em seguida, afastou-se com passos firmes, desaparecendo pela lateral envolta em sombras. Rafael só percebeu que estava segurando o copo com força demais quando a música mudou. — Cara… você travou — Arthur comentou, rindo. Rafael passou a mão pelo rosto, tentando se recompor. — Vou ao banheiro. Precisava de ar. Precisava organizar os pensamentos. O corredor era mais silencioso, iluminado por luzes amareladas e abafado pelo som distante da música. À esquerda, o banheiro dos clientes. À direita, a porta restrita às dançarinas. Rafael caminhava distraído quando a viu sair exatamente dali. Amelia. Agora sem o palco, sem as luzes intensas, ela parecia ainda mais real. Usava um robe leve por cima do figurino, os cabelos soltos caindo pelos ombros, a expressão relaxada — quase vulnerável. Eles se cruzaram… e pararam. — Eu… — Rafael pigarreou, sentindo o coração acelerar de forma inesperada. — Preciso dizer uma coisa. Ela o encarou, curiosa, os olhos castanhos atentos. — Você dança de um jeito impressionante — continuou ele. — Não é só técnica. É como se… o lugar inteiro respirasse no seu ritmo. Amelia piscou, surpresa. Um leve rubor coloriu seu rosto. — Obrigada — respondeu, sincera. — Nem sempre as pessoas reparam nisso. Houve um breve silêncio. Curto dem ais para ser confortável. Longo o suficiente para algo estranho se instalar. Rafael sentiu um calor percorrer seu corpo, um tipo de excitação silenciosa, inesperada, que não vinha apenas da atração física. Era curiosidade. Interesse. Uma vontade quase urgente de conhecê-la além daquele corredor. — Meu nome é Rafael — disse, estendendo a mão. — Amelia. O toque foi rápido, mas intenso. Ambos perceberam. — Sei que esse não é o melhor lugar para conversar — ele arriscou —, mas… você aceitaria tomar um drink comigo? Fora daqui. Amelia hesitou por um segundo. Sentia o mesmo arrepio estranho desde que o vira na plateia. Alto, bem vestido, olhar firme — diferente dos homens que costumava encontrar ali. — Eu preciso trocar de roupa primeiro — disse, finalmente. — Me dá alguns minutos? O sorriso dele respondeu antes das palavras. — Claro. Ela se afastou em direção ao camarim, e Rafael ficou parado por um instante, tentando entender por que aquela mulher mexera tanto com ele em tão pouco tempo. Pegou o celular e digitou rapidamente para Arthur: “Conheci alguém. Vou sair daqui com ela.” A resposta veio quase instantânea: “FINALMENTE, vai tirar o atraso! Aproveita!” Rafael riu baixo, mas logo sentiu uma pontada de culpa. “Você não vai ficar sozinho?” Arthur respondeu com uma foto mal enquadrada de uma loira sentada exatamente no lugar onde Rafael estivera minutos antes. “Nem um pouco.” Rafael guardou o celular, respirou fundo e olhou na direção do corredor por onde Amelia havia sumido. Aquela noite, definitivamente, não seguiria nenhum roteiro que ele conhecia. E, pela primeira vez em anos, isso o deixou animado. Amelia reapareceu alguns minutos depois. Rafael, que encostava casualmente na parede próxima ao corredor, ergueu o olhar… e por um instante esqueceu como se respirava. Ela usava um vestido longo em tom de rosa claro, que acompanhava suas curvas com suavidade, sem exageros. O tecido fluía a cada passo, contrastando com o salto alto da mesma cor, firme e elegante. Nos ombros, o cabelo caía solto, agora mais natural, menos palco — mais ela. A bolsa pequena pendia do braço, discreta, guardando apenas o essencial: o celular, o batom, a liberdade daquela noite. — Uau… — escapou dele antes que pudesse se conter. — Você está linda. Amelia sorriu, um pouco tímida, um pouco satisfeita. Não estava acostumada a olhares assim — não os que vinham sem pressa, sem cobrança, sem segundas intenções óbvias. — Obrigada — respondeu. — Você também parece alguém que sabe escolher bem onde pisa. Rafael riu baixo. — Espero que continue achando isso daqui a pouco. Caminharam juntos até a saída do Nocturne Chill, atravessando a porta como se deixassem para trás não apenas a música alta, mas uma versão antiga daquela noite. Do lado de fora, o ar estava mais fresco, e a cidade pulsava em outro ritmo. A Lamborghini aguardava na vaga próxima, reluzente sob a luz dos postes. Amelia lançou um olhar rápido, surpresa, mas não comentou. Rafael abriu a porta para ela com um gesto natural, atento, e sentiu novamente aquele estranho e bom arrepio quando ela passou ao seu lado. Dentro do carro, o silêncio era confortável. Diferente. Enquanto Rafael ligava o motor, ela passou os dedos distraidamente pela borda da bolsa. — Alguma preferência? — ele perguntou, quebrando o clima com suavidade. — Algo mais reservado… ou com vista? — Reservado — Amelia respondeu sem hesitar. — Quero conversar. De verdade. O sorriso de Rafael surgiu lento, genuíno. — Então eu conheço o lugar perfeito. A Lamborghini arrancou pela avenida iluminada, misturando-se ao fluxo da cidade. Dois desconhecidos lado a lado, carregando expectativas que nenhum dos dois ousava colocar em palavras — ainda. E assim, sem saber, Rafael e Amelia davam início a uma história que começara com música, olhares… e uma escolha simples: dizer sim àquela noite.Era sexta-feira à noite. Enquanto Rafael Carboni deixava seu escritório, ajustando o paletó e respirando fundo após mais uma semana intensa, Amelia fechava a porta de casa, pronta para seguir rumo ao trabalho. Durante aqueles dias, haviam trocado inúmeras mensagens — algumas românticas, outras levemente picantes, sempre carregadas de provocação suave e curiosidade. Nada apressado. Nada além do limite. Estavam, acima de tudo, se conhecendo. Amelia chegou ao Nocturne Chill com a tranquilidade de quem dominava aquele espaço. Cumprimentou colegas, seguiu até o camarim e vestiu o figurino da noite. Aquela apresentação seria especial. A casa estaria cheia. Muitos vinham apenas para vê-la dançar — para sentir a energia que só ela conseguia criar no palco. Do outro lado da cidade, Rafael já sabia disso. Assim que entrou no carro, pegou o celular e ligou para Arthur. — Hoje ela dança — disse, direto. — Vamos ao Nocturne comigo? Arthur soltou uma risada travessa do outro lado da lin
O cinema estava cheio, iluminado por risos, cochichos e a ansiedade típica de noites que prometiam romance. Amelia aguardava na fila da bombonière, equilibrando dois baldes de pipoca — um doce, outro salgado — enquanto Rafael se afastava para comprar os ingressos. — Precaução — ela comentou quando ele voltou. — Nunca se sabe qual vai ganhar no meio do filme. — Decisão sábia — Rafael respondeu, entregando os ingressos. — Ainda mais pra um filme com esse título. O cartaz brilhava acima da entrada da sala: O Amor é Amargo — Já viu a sinopse? — Amelia perguntou, curiosa. — Li por alto — ele respondeu, rindo. — Pelo que entendi, é sobre uma confeiteira especializada em doces perfeitos que se apaixona por um crítico gastronômico amargo, conhecido por destruir restaurantes com suas avaliações. Eles se odeiam no começo, discutem por causa de açúcar, sal e expectativas… até descobrirem que o amor, às vezes, precisa de um toque de caos pra dar certo. Amelia soltou uma gargalhada baixa. —
O celular de Amelia vibrou sobre a mesa da cozinha enquanto ela organizava algumas coisas distraidamente. Ela nem precisou olhar para a tela para suspeitar de quem era — mas, quando viu o nome de Rafael, um sorriso automático surgiu em seus lábios. A mensagem era curta. Um poema. “Entre a noite e o acaso, te encontrei. E desde então, meu dia acorda mais atento.” Amelia releu duas vezes. Depois, riu sozinha. — Isso foi… fofo — murmurou, balançando a cabeça. Ela digitou a resposta ainda sorrindo. Amelia: “Confesso que não esperava começar o dia lendo um poema. Bom dia, Rafael.” A resposta veio poucos segundos depois. Rafael: “Bom dia. Achei que era uma forma honesta de dizer que gostei de te conhecer.” Amelia apoiou o celular no balcão, sentindo aquele calor bom no peito — simples, mas genuíno. Amelia: “Funcionou. E o que o advogado-poeta vai fazer hoje?” Rafael estava no carro, parado em frente ao prédio do Tribunal de Justiça, quando respondeu. Ra
O local escolhido por Rafael ficava a poucos minutos dali. Um wine bar discreto, escondido entre prédios antigos, com iluminação baixa, música suave e mesas bem espaçadas — perfeito para quem queria conversar sem pressa. Assim que entraram, foram conduzidos a um canto mais reservado, longe do movimento principal.Amelia se sentou, observando o ambiente com curiosidade tranquila.— Você escolheu bem — comentou. — É… aconchegante.— Gosto de lugares assim — Rafael respondeu, tirando o blazer com naturalidade. — Onde dá pra ouvir a própria voz.O garçom se aproximou, educado e atento. Rafael pediu um dos melhores vinhos da casa, um tinto encorpado, recomendado para noites longas. Amelia concordou com um leve aceno, confiando na escolha dele.Quando as taças chegaram, brindaram quase instintivamente.— Às boas surpresas — Rafael disse.— Às noites inesperadas — Amelia completou, tocando levemente a taça na dele.O vinho aqueceu o clima e soltou as palavras.— Então… — Rafael começou, apoi
O trânsito de Nova York parecia mais lento naquela noite. As luzes vermelhas se alongavam pelo asfalto molhado, refletindo nos vidros do carro de Rafael como um lembrete silencioso de mais um dia que terminava igual aos outros. Ele afrouxou levemente a gravata, soltando um suspiro cansado enquanto mantinha uma das mãos firmes no volante.Audiências, prazos, clientes exigentes.Aos trinta anos, Rafael já era um advogado respeitado — e completamente exausto.O celular vibrou no console ao lado. Ele lançou um olhar rápido para a tela no próximo semáforo.Arthur.— Justo agora… — murmurou, atendendo pelo viva-voz.— Cara, você sumiu! — a voz animada do amigo preencheu o carro. — Hoje é noite de folga. Nada de processos, nada de planilhas. Topa sair?Rafael sorriu de canto, quase sem perceber. Arthur sempre fora assim: espontâneo, insistente, o oposto perfeito de sua rotina controlada.— Sair pra onde? — perguntou, já desconfiado.— Nocturne Chill. A casa de show mais popular da cidade. To
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