Andrea:A ascensão do Mafioso Zombeteiro e da Órfã Sonhadora

Andrea:A ascensão do Mafioso Zombeteiro e da Órfã SonhadoraPT

Máfia
Última actualización: 2026-07-11
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Resumen
Índice

Andrea Rossi nasceu para ser livre, não preso. Filho do meio de uma das máfias mais temidas da Sicília, ele escolheu a liberdade. Conhecido por ser: zombador, mulherengo, letal e intocável. Até conhecer a Anna. Uma órfã prestes a fazer 18 anos. Olhos cor de avelã que destruíram todas as suas defesas e boca que o conquistou com um beijo. Ele prometeu que ficariam juntos quando ela saísse do orfanato. A máfia prometeu guerra se ele ousar amar uma mulher que não seja da família. Entre o trono que nunca quis e a única mulher que o fez sentir, Andrea vai ter que escolher. E quando um Rossi escolhe, a Sicília queima. Para ter Anna, ele vai quebrar cada lei que jurou proteger.

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Capítulo 1

Andrea Rossi - Seda e Sangue.

O cheiro de sêmen, uísque caro e perfume feminino importado costumam ser o meu ponto de partida a cada novo amanhecer, e hoje não está sendo diferente. Abro os olhos devagar, sentindo o peso suave de um braço feminino cruzado sobre o meu peito nu. Cabelos loiros, longos e bagunçados cobrem parte do lençol de seda preta. Corpo escultural, perfeitamente moldado ao meu. Se bem me lembro, o nome dela é Chiara. Ou talvez Elena. Sinceramente, detalhes nominais nunca são o meu forte às seis da manhã. Mas uma coisa é certa: todas elas se lembram de mim.

Sorrio sozinho, estico os braços e aprecio o teto alto do meu loft no centro de Palermo. Um lugarzinho singelo que mantenho para as minhas atividades preferidas: pegar mulher. Às vezes, várias ao mesmo tempo. Uma coisinha maravilhosa que aprendi cedo e nunca mais larguei.

Aos vinte e cinco anos, tenho a assinatura exata do homem que venceu na loteria genética e social. Sou um Rossi. Mais especificamente, o filho do meio de uma das dinastias da máfia que governa a Sicília com punho de ferro. Nicolas, meu irmão mais velho, acabou de assumir em seus ombros o peso sufocante de ser o Don da nossa família. Beatrice, nossa irmã caçula, vive sob a redoma de vidro das tradições arcaicas da máfia, mesmo sendo insolente demais para uma mulher.

E eu? Eu sou o filho do meio, o homem livre. Sem a coroa para esmagar minha cabeça, sem as amarras de um casamento arranjado. Sou o zombador da família, o solteiro invicto, o irmão que pega os bônus do poder sem pagar o preço do trono. Privilegiado pelos céus e temido pelo inferno.

Livre-me dos lençóis com cuidado para não acordar a loira e caminho até a varanda. O sol da Sicília começa a lamber os telhados antigos da cidade. Uma cena que adoro ver pela manhã antes de me reunir com a família na mansão Rossi.

Respiro fundo o ar salgado do Mediterrâneo. Eu amo essa vida. Amo a leveza das madrugadas, o sabor do perigo controlado, o rodízio de corpos quentes na minha cama. Para as mulheres de Palermo, sou Andrea: o sedutor de sorriso fácil, olhar atento e lábios pecaminosos. O homem que as faz esquecer o próprio nome entre lençóis e que desaparece antes do café da manhã. O que eu particularmente adoro.

(...)

O aroma de maresia dá lugar ao cheiro de mofo, ferro e sangue pisado nos porões de Catania. O terno cinza sob medida, perfeitamente alinhado, contrasta com a sujeira do ambiente. Estou sentado em uma cadeira de metal virada ao contrário, os braços apoiados no encosto, observando o homem amarrado à minha frente. Ele é um dos nossos soldados. Ou melhor, ex-soldado.

Nicolas está de pé perto da porta, com os braços cruzados e a mandíbula travada. Meu irmão mais velho parece carregar o peso do mundo nas costas. Ele precisa ser um monstro terrível. Eu só preciso ser eu mesmo.

— Sabe, Vittorio.. — começo, minha voz ecoando pelas paredes de concreto com uma calmaria quase irritante. Brinco com um isqueiro de ouro, abrindo e fechando a tampa. Clack. Clack. — Eu realmente admiro a sua coragem. Desviar duzentos mil euros dos carregamentos de tabaco do meu irmão requer uma dessas duas coisas: culhões de aço ou uma burrice monumental. Olhando para a sua cara agora, estou apostando na segunda opção.

— Andrea, por favor... — o homem soluça, o sangue escorrendo do nariz quebrado por um dos nossos capangas. — Eu tenho família. Eu fui pressionado!

— Ah, a clássica desculpa da família — solto uma risada curta, genuinamente divertido. Olho de relance para Nicolas, piscando o olho. Nicolas continua com a expressão de pedra. Ele odeia quando faço piada em serviço. — Todo mundo tem família, Vittorio. Eu tenho uma. Meu irmão ali… tem uma. A diferença é que a nossa família mata pessoas que roubam a nossa família. É uma lógica bem simples, matemática básica, na verdade.

Levanto-me sem pressa. Meu calcanhar ecoa no chão úmido. A descontração que exibo nas baladas não some quando entro no modo máfia; ela apenas se transforma em uma arma cortante. Sou o braço direito de Nicolas por um motivo. Não preciso gritar para causar medo. Minha maior habilidade sempre é ser eficiente. Eu observo. Noto o tremor milimétrico na pálpebra esquerda de Vittorio, o suor frio descendo pela têmpora, a forma como ele desvia o olhar para o canto esquerdo da sala.

— Você está mentindo — declaro, o tom de voz mudando de zombeteiro para gélido em uma fração de segundo. O sorriso permanece nos meus lábios, mas meus olhos estão vazios. — Você não usa esse dinheiro para pagar dívidas de jogo. Suas pupilas dilatam quando você fala que foi pressionado. Quem comprou você, Vittorio? Foi a família Camorra?

— Não! Eu juro por Deus!

Aproximo-me, segurando o queixo dele com uma força que faz seus dentes estalarem. Forçando-o a olhar bem no fundo dos meus olhos.

— Não jure por Deus em um porão da Cosa Nostra, meu amigo. Ele não tem jurisdição aqui embaixo — sussurro perto do seu ouvido. Pego uma lâmina fina que está sobre a mesa de ferramentas ao lado. Não hesito. Com um movimento rápido e calculado, passo a ponta pelo tendão do seu ombro. Um corte limpo. Profundo o suficiente para doer como o inferno, mas sem atingir nenhuma artéria vital. Adoro essa técnica. Traz grande sofrimento e dor, mas não acelera a morte.

O grito do soldado ecoa, agudo e desesperado.

— O próximo vai ser na sua orelha. E eu gosto de colecionar recordações — aviso, limpando a lâmina no lenço de bolso do terno com total tranquilidade. — Quem pagou você?

— Os... os homens do clã Romano! — ele cospe as palavras junto com o sangue. — Eles queriam as rotas do porto! Queriam saber os horários!

Olho para Nicolas. Meu irmão assente levemente com a cabeça. Conseguimos o que queríamos em menos de dez minutos. O contraste da minha vida opera exatamente aqui. Fora daqui, sou a leveza, o humor, a diversão. Aqui dentro, sou o executor implacável que sente prazer no trabalho bem feito. Eu adoro pertencer a esse mundo. Adoro o respeito, o medo que meu sobrenome impõe e o tabuleiro de xadrez humano que ajudo a controlar.

— Limpe isso — Nicolas ordena para os capangas antes de se virar para sair.

Caminho logo atrás dele, ajeitando o terno. Assim que saímos para a luz do sol do meio-dia, o ar pesado do porão é esquecido por mim. Bato no ombro do meu irmão, rindo.

— Viu só? Se você sorrisse um pouco mais, as rugas na sua testa sumiriam, Don Nicolas. As mulheres preferem os mafiosos que sabem contar uma piada.

— Você é um idiota, Andrea — Nicolas resmunga, mas percebo o leve relaxar de seus ombros. Ele nunca admite, mas adora o jeito que eu levo a vida e, no fundo, gostaria de poder ser como eu. — Vá para o escritório do centro. Preciso que você verifique as rotas que aquele infeliz entregou. E tente não levar nenhuma secretária para a mesa de reuniões hoje.

— Não prometo nada. A vida é curta demais para reuniões sem um pouco de entretenimento — pisco para ele, caminhando em direção ao meu carro esporte.

— E se prepare, amanhã você e o padre vão ao orfanato. Quero a ragazza sentada à mesa para o jantar.

Tenho o mundo nas mãos. A máfia é o meu parquinho de diversões, a Sicília é o meu quintal e nenhuma mulher jamais conseguiu prender meu coração por mais de uma noite. Sou incontrolável. Intocável, livre e perfeitamente adaptado ao caos.

O amor é uma fraqueza dos tolos que precisam de uma coleira, e eu nasci para ser o dono do canil. Mulheres são ótimas para o prazer de uma madrugada, mas não para governar a mente de um Rossi. Que os outros homens se ajoelhem por uma mulher; eu prefiro continuar ditando as minhas próprias regras, livre, implacável e completamente dono de mim.

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