Mundo de ficçãoIniciar sessãoEm um mundo onde poder e lealdade valem mais do que sentimentos, Mateo nasceu condenado a seguir um destino já escrito. Herdeiro de um império construído nas sombras, ele carrega nas costas o peso de uma família que não permite escolhas. Até que Alicia cruza o seu caminho. Ela não é como as outras. Alicia é diferente, interessante e perigosamente difícil de ignorar. Arrogante na medida certa, firme em suas escolhas e absolutamente indisposta a ceder para qualquer um, especialmente para alguém como ele. Vinda de uma família difícil, ela não abaixa a cabeça para ninguém. E isso a torna ainda mais perigosa para Mateo. Um olhar é suficiente para acender uma atração proibida que desafia regras, rompe barreiras e ameaça tudo o que eles conhecem. Mas o amor deles não nasce livre. Mateo e Alicia se veem em uma paixão intensa, inevitável e perigosa — onde cada escolha tem um preço. E agora a pergunta não é se eles vão se amar… É até onde estarão dispostos a ir para sobreviver a esse amor.
Ler maisParte 1...
Alicia
Eu não conseguia segurar minha ansiedade para chegar logo. Estava um pouco nervosa também e tudo por culpa de Aline. Mais uma vez.
A comissária de bordo se aproximou, verificando se todos estavam com os cintos afivelados.
— Senhorita, por favor – apontou para o cinto.
— Ah, sim... Desculpe – dei um sorriso de canto e prendi o cinto — Obrigada – respirei fundo.
— Se sente bem? Tem algum problema em voar?
— Em voar? Tenho todos – ela sorriu — O primeiro é que não tenho asas para tanto. – a passageira ao meu lado sorriu também — Será que pode me trazer água?
— Em um instante já trago – fez um gesto com a cabeça e saiu.
Comecei a bater as unhas no encosto de braço, isso me relaxa um pouco. Olhava sem parar pela janela, me arrependendo de não ter comprado um assento ao lado. Agora tenho que me contentar em voar para casa no corredor. Menos mal que comprei primeira classe.
Tudo bem que é muito mais cara do que a executiva, mas me dei de presente esse luxo, depois de quatro dias em uma convenção chata sobre os avanços da odontologia no mundo.
— Desculpe... – ouvi alguém falar — Desculpe... Senhorita? Oi?
Me virei e vi um homem inclinado em minha direção, apontando para minha mão.
— Oi... Será que pode parar com o ruído?
Torci a boca de lado, mas parei e ele agradeceu. Me voltei para a janela de novo. A comissária retornou com a água que pedi assim que o avião levantou voo e retirei o cinto.
— Aqui está. O que prefere?
— A garrafinha, por favor, sem gás – peguei e abri a tampa — Obrigada!
— Por nada. Pode me chamar se quiser algo mais.
Sorri agradecendo e dei um gole. A água estava gelada e foi um alívio. Quase bebi toda a garrafa de vez. Fechei os olhos e voltei meu pensamento para o que fazer quando chegasse.
Teria que correr para o hospital. Depois que souber o que houve de verdade, aí sim poderei ir para casa. Até lá, vou ficar ansiosa.
“Ai, Aline. Vai me deixar de cabelos brancos antes da idade certa chegar”.
Soltei o ar de vez. Abri a garrafinha de novo e terminei toda a água, apertando e amassando o plástico.
— Senhorita... Por favor...
Olhei para trás. O homem de novo. Ele estava sentado do outro lado, uma fileira atrás, também no corredor e agora sorria com certa crítica no olhar.
— O quê?
— Estou tentando ler e você está fazendo barulho, amassando essa garrafa. Não pode apenas beber e jogar fora?
Revirei os olhos com um respirar fundo e enfiei a garrafa na parte da poltrona em frente, para revistas. Cruzei as mãos sobre o colo e tentei focar na paisagem lá fora. Nuvens.
“Não posso deixar que mamãe saiba. Vou direto ao hospital, falo com Aline e depois invento algo. ”
Meu coração batia acelerado pela ansiedade de chegar logo. Se tudo for como Aline me disse ao telefone, ela vai ter que ficar em meu apartamento por uns dias, até que melhore.
“Deus me ajude a passar por mais essa. ”
Fechei os olhos de novo e deixei a mente correr sozinha. Tentei evitar ficar pensando em Aline, senão sou capaz de abrir a porta de emergência e pular daqui.
“Como se isso fosse ajudar em alguma coisa. ”
Abri os olhos e passei os dedos pelo cabelo. Minha ansiedade não me deixa relaxar por completo. Peguei o celular na bolsa e liguei, correndo o dedo na tela. As últimas mensagens eram de Aline, nada novo.
— Oi... De novo? – respirei bem fundo e soltei bem devagar pelo nariz, para me acalmar e me virei — Não pode usar o celular enquanto estamos voando.
— Quem disse? – ergui a sobrancelha.
— A segurança da aviação disse – deu uma risadinha — Desligue.
— Eu poderia até desligar – mexi a cabeça, virando os lábios de um lado para outro — Mas você não pode me mandar fazer isso. Então... – ergui o celular — Não desligo – me virei para a frente.
Ele se calou, mas não por muito tempo.
— Olhe... Oi? Pode olhar pra mim enquanto falo?
— O que quer, homem? – inclinei a cabeça.
— Quero que você seja sensata e não coloque em risco a minha vida e de todos os passageiros. Desligue o celular.
— Não tem problema em usar o celular.
— Tem sim.
— Claro. O avião vai cair porque eu estou usando o W******p para ler minhas mensagens. O piloto não vai poder pousar – abri um sorriso irônico.
Ele não achou graça nenhuma.
— Dispositivos eletrônicos interferem nos sistemas de navegação.
— Moço, isso aqui é um celular, não um míssil nuclear.
Ele respirou fundo, talvez perdendo a paciência.
— Desligue.
Eu sorri, doce demais para ser sincera.
— Não. – fiz uma cara de boba.
Ele apertou o botão acima da cabeça com uma firmeza quase dramática.
Ding.
Arregalei os olhos.
— Você está falando sério?
A comissária apareceu segundos depois, simpática, profissional.
— Posso ajudar?
Ele apontou para meu celular.
— A passageira se recusa a desligar o aparelho durante o taxiamento. Isso compromete a segurança da aeronave.
A comissária olhou pra mim e ergui o celular.
— Eu só estava enviando uma mensagem – olhei para ele — Avisando que talvez eu morra... Devido um homem chato que me incomoda durante o voo.
Ela segurou o sorriso, deu pra ver.
— Bem, estamos perto do pouso. É melhor que desligue ou pelo menos coloque em modo avião. Por favor!
Ele sorriu se achando vencedor e se reclinou. Soltei um suspiro e fiz uma careta para ele. Coloquei modo avião.
— Assim é bem melhor. – o ouvi.
— Cara, você tem problema? – me virei quase saindo da cadeira — Não enche meu saco.
— Educada você.
— Eu sou... Com quem merece – voltei à posição.
Realmente não demorou muito mais do que uns três minutos e o aviso para pouso acendeu. Graças a Deus. Assim que as rodas tocaram o chão eu já fui tirando o cinto. Logo que parou me levantei, peguei minha bolsa e saí.
— Rápido, por favor... – cruzei os braços esperando minha mala passar na esteira. Meu celular vibrou — Sim... Eu já cheguei... – vi de canto de olho o homem ao meu lado, mas evitei lhe dar atenção — Eu vou direto para o hospital... Como ela está? Eu sei, eu sei... – cocei a cabeça — Não, eu vou resolver – vi minha mala e me estiquei para pegar — Ok, vou pegar um táxi e já vou correndo.
Não olhei em volta e saí o mais rápido que podia da área de desembarque, indo atrás dos táxis lá fora. Infelizmente, não havia nenhum ali.
— Meu Deus... Tudo tem que ser demorado? – me virei de vez e me bati com alguém. Levantei o rosto — Me desculpe eu não... Você!
— Sim, eu – era ele de novo — E não fiz nada. Você que está agitada. Está tomando algo?
— O quê? – apertei os lábios — Olha, se eu tivesse tempo para perder, iria mostrar a você o que estou tomando – ajeitei a alça da bolsa — Sorte sua que preciso ir ao hospital.
Parte 21...AliciaO jantar seguiu entre conversas cruzadas e o som baixo dos talheres. Aproveitei uma pausa e olhei para Sílvia.— E a senhora? O que faz exatamente?Ela pousou o guardanapo no colo antes de responder, como se a pergunta já fosse esperada.— Bem, antes de tudo eu sou a responsável pelo bem – estar da família e cuido de tudo na casa. Além disso, sou curadora do museu que meu marido fundou - respondeu com calma — E também diretora geral da fundação da família. Trabalhamos com acolhimento e educação de crianças com problemas variados.Assenti, sinceramente impressionada.— Deve ser um trabalho intenso. Que bom que a senhora tem essa boa vontade.— É necessário - respondeu apenas, com um pequeno sorriso controlado. Depois me observou por um instante maior do que o normal. — Inclusive, amanhã de manhã teremos um evento na galeria. Uma exposição nova. Você deveria ir comigo.Antes que eu abrisse a boca, Mateo já falou ao meu lado:— Amanhã ela não pode. Já tem compromisso.
Parte 20...Alicia— Então, Alicia, você é a nova namorada do meu cunhado? – Antony sentou em minha frente.— Por que a curiosidade, cunhado? Eu já não a apresentei dessa forma?— Não, nada – ele olhou em volta e a esposa o encarava séria — Foi só pra puxar assunto.— Não se preocupe com isso. Alicia é muito capaz de falar sobre qualquer assunto mais interessante. – Mateo me olhou e tocou minha mão de leve — E ela tem pouca paciência para bobagens.Eu mexi as sobrancelhas, dando um sinal a ele de que não deixasse o cunhado envergonhado. Já entendi que existe algo, porque Mateo foi muito seco com o homem.— Sendo assim, eu gostaria de saber sobre você, querida – a mãe dele me olhou. Mateo estava entre nós duas — O que você faz?Não dei atenção ao modo como Mateo respirou fundo e fez um bico contrariado e respondi de boa vontade, mas sem deixar de alfinetar um pouco.— Sou cirurgiã-dentista.— Ah… - Sílvia respondeu, tomando um gole do vinho. — Sempre achei uma profissão muito… Esforçad
Parte 19...Alicia— Vem cá, você não tinha levado um fora desse cara? – Aline comia pipoca, jogada na minha cama, me olhando trocar de roupa.— Já disse que não levei fora nenhum – terminei de passar o batom — E me deu vontade de sair hoje. Qual o problema? – olhei pelo espelho para ela — Para de rir.— De boa, não tenho nenhuma objeção. Até acho bom – jogou a pipoca pra cima e aparou com a boca — E se de repente você quiser ficar com ele o resto da noite, tudo bem pra mim.— Não seja besta, Aline – peguei a bolsa e ouvi a buzina lá embaixo. Olhei pela janela — Ele chegou.— Vai logo, não deixa o cara esperando. Quem sabe ele vai ser o homem da sua vida? – piscou o olho.— Tudo pra você sempre tem que ser piada?— Só a sua vida amorosa que é um tédio – gargalhou — Vê se muda logo isso, criatura.— Ai, Aline – suspirei e peguei minhas chaves.Desci e quando abri o portão de ferro, Mateo me esperava na calçada, ao lado do carro, com um buquê de flores nas mãos. Parei em frente dele.—
Parte 18...Alicia— Vem cá, você não acha que se nós dois erramos, então nós dois podemos esquecer? – se inclinou sobre mim — A gente ainda está na fase inicial.— Exato – cruzei os braços — Por isso mesmo é mais fácil de parar antes que tudo desande.— E quem disse que vai desandar? – ele tentou tocar meu cabelo e eu me afastei.— E quem disse que não vai? – ergui o queixo.— Olha, eu vou viajar... Só por dois dias... Vamos sair no sábado.— Não posso, tenho compromisso.— Qual? – me olhou desconfiado.— É aniversário do meu pai. Vou passar na casa dele pra dar um presente – suspirei, torcendo a boca — A mulher dele me mandou mensagem pedindo que fosse lá.Ele ficou em silêncio por um instante.— Certo… Então vamos sair na sexta à noite. Te pego às dezoito e trinta e no sábado eu vou com você.Soltei uma risada incrédula.— Não vai, não.— Eu vou sim.— Mateo, não pode ir. Além disso, eu só vou porque quero aproveitar para falar com ele sobre Aline e porque a mulher dele me disse qu
Último capítulo