Mundo ficciónIniciar sesiónLaura sempre acreditou que o amor podia esperar. Aos vinte e dois anos, sua vida se resume a longas jornadas de trabalho e aos cuidados com a mãe, que luta contra um câncer. Sem dinheiro, sem perspectivas e carregando o peso de responsabilidades que jamais deveriam recair sobre alguém tão jovem, ela faz de tudo para manter a única família que lhe resta viva. Até a noite em que vê o que nunca deveria ter visto. Por acaso, Laura testemunha um assassinato cometido por Vincenzo Moretti, o homem mais temido da máfia italiana. Frio, impiedoso e conhecido por eliminar qualquer ameaça sem hesitar, Vincenzo construiu seu império sobre sangue, poder e lealdade absoluta. Para ele, testemunhas não sobrevivem. Mas, ao encarar a jovem aterrorizada, algo muda. Em vez de puxar o gatilho, ele toma a decisão que poderá colocar tudo o que construiu em risco: mantê-la por perto. Agora, presa em um mundo governado pela violência, por segredos e traições, Laura precisará lutar para proteger sua mãe e sua própria vida, enquanto tenta resistir ao homem cruel que desperta nela sentimentos tão intensos quanto perigosos. Entre a inocência de uma virgem e a escuridão de um mafioso sem piedade, nascerá uma paixão proibida capaz de desafiar o destino. Porque, no mundo da máfia, amar pode ser muito mais perigoso do que morrer.
Leer másA madrugada ainda envolvia a pequena cidade italiana quando o despertador antigo, apoiado sobre a cômoda desgastada, rompeu o silêncio da casa com um toque baixo e insistente.
Laura despertou imediatamente.
Não havia espaço para mais alguns minutos de descanso. Havia muito tempo que ela aprendera que a vida não esperava por ninguém.
Sentou-se na cama estreita e respirou fundo por alguns segundos. O corpo ainda reclamava do cansaço acumulado da semana anterior. As costas doíam, as pernas pareciam pesadas e os olhos ardiam pelas poucas horas de sono. Mesmo assim, levantou-se.
A casa era simples.
Os móveis eram antigos, alguns herdados dos avós, outros comprados em brechós ao longo dos anos. As paredes claras já apresentavam pequenas rachaduras, e o piso de cimento conservava o frio característico das primeiras horas da manhã.
Era um lar humilde.
Mas era ali que existiam todas as lembranças felizes que Laura ainda possuía.
Ela caminhou em silêncio até o pequeno banheiro, prendeu os longos cabelos negros em um coque desajeitado, lavou o rosto com água gelada e seguiu para a cozinha.
Colocou a chaleira sobre o fogão.
Enquanto a água aquecia, separou cuidadosamente os comprimidos da mãe em um pequeno recipiente plástico. Conferiu os horários escritos em um caderno, algo que fazia todos os dias, várias vezes ao dia, por medo de esquecer qualquer detalhe.
Quando o chá ficou pronto, colocou tudo sobre uma bandeja.
Respirou fundo antes de seguir para o quarto.
A porta estava entreaberta.
A claridade fraca do abajur iluminava o rosto abatido de sua mãe.
A doença havia roubado quase tudo dela.
Os cabelos, antes longos e castanhos, haviam caído durante o tratamento. O rosto estava magro, a pele extremamente pálida e as mãos, antes fortes, agora pareciam frágeis como papel.
Mesmo assim, quando ouviu os passos da filha, abriu lentamente os olhos e sorriu.
Um sorriso pequeno.
Fraco.
Mas cheio de amor.
— Já acordou, meu anjo? — perguntou com a voz rouca.
Laura retribuiu o sorriso, escondendo toda a preocupação que carregava dentro do peito.
— Já. Trouxe seu chá.
Ajudou a mãe a sentar-se devagar, ajeitou os travesseiros atrás de suas costas e entregou a xícara cuidadosamente.
Esperou até que ela tomasse o primeiro gole.
Depois lhe entregou os medicamentos.
Só então respirou aliviada.
— Dormiu melhor esta noite? Perguntou.
— Um pouco...
Laura sabia que era mentira. As dores aumentavam a cada dia.E isso a consumia por dentro.Sentou-se na beira da cama e segurou delicadamente a mão da mãe entre as suas.
— Hoje recebo o pagamento da semana. Vou passar na farmácia antes de voltar para casa.
— Laura...
A Laura ergueu os olhos.
— Não compre todos aqueles remédios de novo.
Ela sorriu de forma triste.
— A senhora precisa deles.
— Você também precisa viver.
Aquelas palavras doeram mais do que qualquer outra coisa.
Viver.
Ela quase havia esquecido como era isso.
Toda a sua rotina girava em torno de trabalhar, cuidar da mãe, pagar contas e torcer para que o dinheiro fosse suficiente até o final do mês.
Não existiam festas .Não existiam viagens.
Não existiam sonhos. Somente responsabilidade.
Laura acariciou o rosto da mãe.
— Quando a senhora melhorar, nós vamos fazer aquela viagem para o litoral de que sempre falou.
A mulher sorriu, emocionada.
— Você ainda acredita nisso?
— Claro que acredito.
Mentiu.
Sabia que o tratamento já não fazia o efeito esperado.
Mas jamais permitiria que a mãe percebesse o quanto tinha medo de perdê-la.
Depois de ajudá-la a deitar novamente, cobriu seu corpo com o cobertor fino e depositou um beijo demorado em sua testa.
— Volto antes do anoitecer.
— Deus te proteja, minha filha.
— E cuide da senhora enquanto eu estiver fora.
Pegou a bolsa surrada, conferiu se havia dinheiro suficiente para a passagem de ônibus e saiu de casa.
O vento frio da manhã fez alguns fios de cabelo escaparem do coque.
Ela caminhava depressa pelas ruas ainda vazias, observando as primeiras lojas abrirem as portas.
Alguns padeiros organizavam os pães nas vitrines.
O aroma de café recém-passado espalhava-se pelo ar.
Por alguns segundos, Laura desejou poder entrar em uma cafeteria, sentar-se tranquilamente e esquecer dos problemas.
Mas esse era um luxo que não podia se permitir.
Seguiu em direção ao hotel mais luxuoso da cidade.
Um lugar frequentado por empresários, políticos, artistas e pessoas que viviam em um mundo completamente diferente do seu.
Assim que entrou pela porta de serviço, vestiu o uniforme impecavelmente passado.
Prendeu novamente os cabelos.
Colocou o crachá.
E, naquele instante, Laura desapareceu.
Ali dentro ela deixava de ser uma jovem cheia de sonhos.
Era apenas mais uma funcionária.
Mais uma entre tantas.
As horas passaram rapidamente.
Ela limpou quartos, trocou lençóis, organizou suítes, serviu café, recolheu bandejas e ouviu inúmeras reclamações de hóspedes que sequer se davam ao trabalho de olhar em seu rosto.
Ainda assim, manteve o sorriso educado durante todo o expediente.
Quando finalmente recebeu autorização para ir embora, o relógio já marcava o início da noite.
Ela caminhava pelos corredores silenciosos dos fundos do hotel, um caminho pouco utilizado pelos hóspedes.
Seu único pensamento era chegar logo à farmácia.
Precisava comprar os remédios da mãe antes que fechasse.
Foi então que um som estranho interrompeu seus passos.
Um som seco e abafado.
Como um tiro disparado através de um silenciador.
Laura parou imediatamente.
Seu coração acelerou, ela olhou para os lados.
O corredor estava completamente vazio.
Por alguns segundos pensou em ignorar.
Talvez tivesse sido apenas algum objeto caindo.
Mas então ouviu outro ruído.Um corpo pesado atingindo o chão.
Seu estômago revirou. Ela respirou fundo.
Sem conseguir controlar a curiosidade, aproximou-se lentamente da porta entreaberta de uma das salas reservadas.
Cada passo parecia mais pesado que o anterior.
Quando chegou perto o suficiente, olhou discretamente pela pequena fresta.
E o mundo pareceu parar. Um homem estava caído no chão.
Imóvel.Uma mancha escura começava a se espalhar lentamente sob seu corpo.
À frente dele, outro homem permanecia completamente parado.
Vestia um terno italiano sob medida.As luvas negras escondiam as mãos que ainda seguravam uma pistola equipada com silenciador.
Uma fina fumaça escapava lentamente do cano da arma.Mas não foi aquilo que fez Laura prender a respiração.
Foi o rosto dele frio, Impassível.
Como se tirar uma vida fosse apenas mais um compromisso de sua agenda.
Não havia culpa.Não havia arrependimento.
Nem sequer um vestígio de emoção.Então, como se percebesse exatamente onde ela estava, ele ergueu a cabeça.
Os olhos cinzentos encontraram os dela através da fresta da porta.O tempo pareceu congelar.
Laura esqueceu como respirar.
E, naquele instante, sem dizer uma única palavra, Vincenzo Moretti soube que havia uma testemunha.
E Laura compreendeu, tarde demais, que sua vida jamais voltaria a ser a mesma.
A chuva caía sobre a propriedade, cobrindo os jardins da mansão com um véu prateado.Do lado de dentro, o silêncio era absoluto.Vincenzo permaneceu diante da janela do escritório, segurando um copo de uísque intacto. Não havia bebido um único gole.Seu olhar estava perdido na escuridão.Não porque se importasse com a garota.Mas porque odiava perguntas sem respostas.Laura Bianchi.Uma simples camareira.Uma mulher comum que, por um acaso infeliz, cruzara o caminho do homem mais perigoso da Itália.Ela deveria estar morta.Era o procedimento.Era a regra.Testemunhas não sobreviviam.Nunca.Então por que ainda respirava?A resposta era simples.Porque Vincenzo ainda não havia decidido o que fazer com ela.Enquanto existisse a menor possibilidade de aquela garota ter sido colocada em seu caminho por algum inimigo, ela permaneceria viva.Sob vigilância.Até que deixasse de ser útil.Ou até que se tornasse uma ameaça.Ele não cometia erros.Muito menos confiava em coincidências.Coincid
O escritório de Vincenzo ocupava a ala mais reservada da mansão.As paredes revestidas em madeira escura, as estantes repletas de livros antigos e a iluminação discreta conferiam ao ambiente uma imponência silenciosa. Diante da ampla janela, era possível contemplar os jardins perfeitamente alinhados, agora banhados pela chuva fina que caía sobre Verona.Vincenzo permaneceu imóvel.As mãos repousavam atrás do corpo, enquanto seu olhar se perdia na escuridão da noite.Qualquer pessoa que o visse naquele momento acreditaria que ele estava concentrado nos negócios da família Moretti, nos carregamentos que chegariam ao porto na manhã seguinte ou na reunião com os caporegimes marcada para o amanhecer.Mas não era nisso que pensava.Sua mente insistia em voltar para a mesma pessoa.Laura Bianchi.Ele fechou os olhos por um breve instante.A imagem da jovem surgiu com uma nitidez irritante.Os cabelos negros parcialmente soltos, o rosto banhado em lágrimas e aqueles olhos castanhos cheios de
Laura sentiu o chão desaparecer sob seus pés.As últimas palavras de Vincenzo ainda ecoavam em sua mente, viva por enquanto.Era como se sua vida tivesse sido reduzida à vontade de um único homem.Os seguranças se aproximaram, mas desta vez ela não tentou correr. Sabia que seria inútil.As pernas mal conseguiam sustentá-la, e o desespero já havia consumido toda a força que restava em seu corpo.Matteo parou diante dela.Ao contrário dos outros homens, havia certa discrição em seu semblante.— Venha.Laura permaneceu imóvel.— Eu... eu preciso voltar para casa.Sua voz saiu quase inaudível.— Minha mãe...Matteo desviou o olhar por um instante.— Não torne isso mais difícil.Ela sentiu as lágrimas voltarem.— Ela está sozinha...Nenhuma resposta veio.Dois homens abriram caminho até o elevador privativo.Laura foi conduzida entre eles.Quando as portas se fecharam, o silêncio tornou-se sufocante.Ninguém dizia uma palavra.O elevador começou a descer lentamente.Ela encarava seu reflexo
Laura não conseguiu se mover.Seu corpo enrijeceu por completo, como se todo o calor tivesse abandonado seus membros em um único instante. O ar tornou-se pesado demais para entrar em seus pulmões, e seu coração batia com tanta força que ela podia ouvi-lo ecoando dentro do peito.Os olhos cinzentos daquele homem permaneciam fixos nos seus.Havia algo neles que a paralisava. Não era apenas medo. Era a certeza de que ele era capaz de decidir sobre a vida e a morte de alguém com a mesma serenidade de quem escolhia um vinho para acompanhar o jantar.O silêncio que se instalou no corredor pareceu interminável.Ninguém ousava respirar alto.Então, Vincenzo inclinou levemente a cabeça e, sem alterar a expressão impassível, deu a ordem em um tom baixo, firme e inquestionável:— Tragam a moça.Como se já estivessem esperando por aquele comando, dois homens surgiram das sombras do corredor.Laura despertou do estado de choque.O instinto de sobrevivência falou mais alto.Sem pensar, virou-se e s
Último capítulo