Mundo de ficçãoIniciar sessãoAbigail é uma jovem cheia de sonhos, planos e com uma alma de artista. Mas a relação conturbada que tem com sua mãe a faz se esquecer de quem ela realmente é e de seus sonhos de menina. Desde os quatorze anos Abigail tenta fugir de toda bagunça que é sua vida, então, aos dezesseis após ouvir uma conversa entre sua mãe e seu padastro ela descobre um segredo guardado a anos. Mais uma vez ela decide tentar uma fuga, porém dessa vez ela evitaria os mesmos erros das tentativas anteriores, ela sabia que um deslize e seria encontrada facilmente, que o fato do seu padrasto ser policial foi o que sempre a fez ser descoberta. Agora, após quatro anos fugindo, ela decidiu que já era hora de procurar pelo seu pai biológico, o homem que ela passou grande parte da vida acreditando que não se importava com ela, que abandonou sua mãe grávida e não quis cumprir com seu papel. Ela acreditava nisso pois foi o que sua mãe sempre dizia, mas na verdade, um dia antes de sua última fuga, ela ouviu sua mãe dizer que seu pai não fazia idéia da sua existência, que ele acreditava que ela havia interrompido a gravidez de forma proposital. Então Abigail que já estava cansada de fugir, decidiu que era hora de tentar uma ajuda e dar um novo rumo a sua vida, mas mal sabia ela que a vida reservava para ela algo muito além de apenas uma vida estável.
Ler maisO sol da manhã entrava pelas grandes janelas de vidro, iluminando cada canto do novo escritório. As paredes claras e o aroma de madeira recém-lixada misturavam-se ao perfume suave das flores que decoravam a recepção. No letreiro elegante sobre a porta de entrada lia-se:“Abigail Alvarenga Marino — Arquitetura & Design”Ela percorreu o corredor devagar, passando a mão sobre a superfície lisa das mesas, sentindo cada detalhe como uma pequena conquista. Foram anos de esforço, noites em claro, desafios e superações. E agora, aquele espaço era mais do que um escritório — era a prova viva de que ela havia vencido.Na sala principal, sobre a escrivaninha, havia dois desenhos rabiscados em lápis de cor: um castelo com um sol sorridente e uma árvore com balanço. Assinaturas tortas no canto inferior diziam:“Leonardo” — 7 anos“Estela” — 2 anosAbigail sorriu ao ver os desenhos. Leonardo foi o primeiro a chegar, em meio ao caos e à dor, e se tornou a luz mais intensa da vida dela e de Sérgio.
Seis anos se passaram desde aquela manhã em frente ao prédio de vinte e cinco andares — seis anos de reconstrução, de enfrentamentos, de amor e também de dor.A casa estava cheia. As luzes quentes da sala de jantar refletiam nas taças, e a mesa longa havia sido preparada com carinho para celebrar um marco que, por anos, parecia impossível: a formatura de Abigail Cada detalhe carregava uma memória: o arranjo de flores que Luiza escolhera, os pratos preferidos de Abigail, a toalha cuidadosamente passada que lembrava os pequenos rituais que a família conseguira manter juntos ao longo dos anos.Leozinho corria entre as cadeiras, com os cabelos bagunçados e risadas altas, segurando um pequeno brinquedo de plástico que havia decidido levar para o jantar. Ele se aproximou de Abigail, pulando no colo dela.— Mamãe! Olha o que eu fiz! — disse, orgulhoso, mostrando a construção improvisada de blocos.Abigail riu, abraçando o filho com carinho.— É incrível, meu amor! Você tá quase construindo
O avião pousou no início da tarde, e uma brisa quente os recebeu assim que saíram do terminal. O destino escolhido por Sérgio era uma pequena cidade litorânea, afastada dos grandes centros — tranquila, charmosa, quase escondida do mundo.Ele havia cuidado de cada detalhe em segredo, querendo que Abigail tivesse alguns dias em paz, longe de tudo.Durante o trajeto de carro até a pousada, eles ficaram em silêncio boa parte do tempo. Não era um silêncio desconfortável, mas cheio de antecipação. De vez em quando, Sérgio lançava olhares de lado, observando o perfil dela pela janela.Abigail, com o cabelo solto e o vestido leve, parecia absorver cada detalhe da paisagem, talvez tentando se acostumar com a ideia de que agora… eram marido e mulher.Quando chegaram à pousada, foram recebidos por uma senhora sorridente, que os conduziu até o chalé reservado.A construção, cercada por árvores e com vista direta para o mar, tinha um ar acolhedor e romântico — flores frescas sobre a cama, uma garr
Os preparativos para o casamento tomaram a casa de uma energia diferente — viva, cheia de expectativa.Cada canto parecia respirar essa nova fase: flores em teste sobre a mesa, listas penduradas na geladeira, telefonemas animados, risadas misturadas a debates sobre decoração.Sérgio estava mais envolvido do que qualquer um poderia imaginar. Ao lado da irmã ele coordenava detalhes do buffet e da música.Os dois trabalhavam juntos de forma leve — ele com sua praticidade, ela com o olhar atento aos detalhes que só alguém com o coração envolvido saberia ter.Luiza, que sempre tratara Abigail como filha desde que ela entrou para a vida de Marcos, acompanhava cada etapa com emoção.Para ela, ver Abigail casar-se era como acompanhar o casamento de uma filha de verdade. Às vezes, entre um arranjo de flores e outro, seus olhos se enchiam de lágrimas discretas.Abigail, por sua vez, equilibrava os preparativos com os cuidados do bebê, que dormia tranquilo no bercinho ao lado da cama dela.Entre
O almoço de domingo tinha o cheiro familiar de lar: arroz soltinho, carne assada e o tempero inconfundível de Luiza. A mesa estava posta com capricho, e o bebê, no colo de Abigail, resmungava baixinho enquanto todos se acomodavam.Sérgio chegou um pouco atrasado. Cumprimentou Luiza com um beijo no rosto, cumprimentou Marcos com um aperto de mão discreto e, por fim, trocou um olhar demorado com Abigail.— Está tudo lindo — disse ela, sorrindo.Ele respondeu com um aceno tímido, como quem carrega algo guardado no peito. Quando todos começaram a se servir, Sérgio pigarreou e apoiou as mãos na mesa.— Antes de começarmos… posso falar um minuto?Luiza ergueu os olhos, surpresa, mas com um sorriso gentil. Marcos cruzou os braços, em silêncio.— Eu… venho pensando nisso há algum tempo — começou Sérgio. — A vida da gente mudou muito. Tivemos dias difíceis, e por pouco não perdemos o que mais amamos. Mas, no meio de tudo, eu entendi o que realmente importa.Abigail o observava, o coração apert
O avião desceu suavemente no aeroporto, cortando as nuvens sob o manto escuro da noite. Lá fora, as luzes da pista cintilavam como pequenos faróis, refletindo no vidro da janela e iluminando os rostos cansados, mas serenos, dos que voltavam para casa.Quando o avião pousou, um leve tremor percorreu a cabine, seguido por um silêncio respeitoso. Era como se cada um ali compreendesse que aquele pouso não era apenas o fim de uma viagem, mas o início de algo novo.Do lado de fora, o ar noturno estava fresco, com um aroma leve de chuva distante. Henrique os aguardava próximo à saída principal, com o carro pronto e o semblante tranquilo de quem sabia a importância daquele momento.— Boa noite, doutor Marcos — cumprimentou, abrindo a porta do carro com um sorriso discreto. — Seja bem-vindo de volta.— Obrigado, Henrique — respondeu Marcos, colocando uma mão no ombro do motorista. — Esta noite é especial.Henrique olhou para Abigail e Sérgio com respeito e gentileza, ajudando-os a acomodar o b
Último capítulo