O almoço de domingo tinha o cheiro familiar de lar: arroz soltinho, carne assada e o tempero inconfundível de Luiza. A mesa estava posta com capricho, e o bebê, no colo de Abigail, resmungava baixinho enquanto todos se acomodavam.
Sérgio chegou um pouco atrasado. Cumprimentou Luiza com um beijo no rosto, cumprimentou Marcos com um aperto de mão discreto e, por fim, trocou um olhar demorado com Abigail.
— Está tudo lindo — disse ela, sorrindo.
Ele respondeu com um aceno tímido, como quem carrega algo guardado no peito. Quando todos começaram a se servir, Sérgio pigarreou e apoiou as mãos na mesa.
— Antes de começarmos… posso falar um minuto?
Luiza ergueu os olhos, surpresa, mas com um sorriso gentil. Marcos cruzou os braços, em silêncio.
— Eu… venho pensando nisso há algum tempo — começou Sérgio. — A vida da gente mudou muito. Tivemos dias difíceis, e por pouco não perdemos o que mais amamos. Mas, no meio de tudo, eu entendi o que realmente importa.
Abigail o observava, o coração apert