Seis anos se passaram desde aquela manhã em frente ao prédio de vinte e cinco andares — seis anos de reconstrução, de enfrentamentos, de amor e também de dor.
A casa estava cheia. As luzes quentes da sala de jantar refletiam nas taças, e a mesa longa havia sido preparada com carinho para celebrar um marco que, por anos, parecia impossível: a formatura de Abigail
Cada detalhe carregava uma memória: o arranjo de flores que Luiza escolhera, os pratos preferidos de Abigail, a toalha cuidadosamente passada que lembrava os pequenos rituais que a família conseguira manter juntos ao longo dos anos.
Leozinho corria entre as cadeiras, com os cabelos bagunçados e risadas altas, segurando um pequeno brinquedo de plástico que havia decidido levar para o jantar. Ele se aproximou de Abigail, pulando no colo dela.
— Mamãe! Olha o que eu fiz! — disse, orgulhoso, mostrando a construção improvisada de blocos.
Abigail riu, abraçando o filho com carinho.
— É incrível, meu amor! Você tá quase construindo