Mundo de ficçãoIniciar sessão"— Henrico Vigneto. Você trabalha para ele? — Sim... Mas eu não queria, ele... — Eu disse sem histórias! Você é uma espiã dele. Você entrou nesta casa, manipulou minha filha, me seduziu... tudo para alimentar aquele bastardo com informações. — Não! O que eu sinto por você é real! O que eu sinto pela Luna é real! Eu nunca quis machucar vocês. — Que belo jeito de não nos machucar, não acha? — Eu sinto muito... Eu sinto muito, Dante. Eu sei que não mereço seu perdão, mas por favor, acredite que eu tentei evitar..." Em uma única noite chuvosa, o mundo de Ariel desmoronou. Traída pelo namorado e desesperada para salvar a vida da avó doente, ela acaba salvando uma garotinha de um atropelamento. Mas, em vez de gratidão, ela recebe desprezo. O pai da menina é Dante Velasquez, um CEO frio e arrogante, que a humilha e a acusa de ser uma sequestradora. O destino, porém, é traiçoeiro. Para sobreviver, Ariel aceita trabalhar na mansão de Dante como babá, a única capaz de fazer a filha dele sorrir. Entre as provocações e a convivência forçada, Dante descobre que Ariel esconde um talento brilhante para os negócios e uma beleza que o faz questionar todas as suas regras. Mas o perigo bate à porta. Chantageada por Henrico, um herdeiro da máfia e poderoso inimigo da família de Dante, Ariel é forçada a fazer uma escolha: Ser espiã de Henrico ou assistir sua avó morrer.
Ler maisARIEL MACEY
— Setenta mil dólares, senhorita Macey. — A voz do médico não era cruel, apenas profissional, o que não tornava a situação nada melhor. — A válvula cardíaca da sua avó não vai aguentar mais que algumas semanas. O seguro cobriu a internação básica, mas os especialistas e o procedimento cirúrgico estão fora da rede de cobertura. Precisamos desse depósito para agendar.
Setenta mil dólares. Eu tinha trezentos na conta e um aluguel atrasado.
— Eu... eu vou conseguir. — Minha voz saiu trêmula. — Por favor, doutor, mantenha ela estável. Eu vou arrumar esse dinheiro.
Me despedi antes que ele pudesse duvidar da minha promessa. Minha avó era tudo o que eu tinha. A mulher que me criou. Eu não a deixaria morrer.
Saí do hospital correndo, o céu da cidade já estava escurecendo com aquelas nuvens escuras que prometiam uma tempestada.
Preciso falar com Liam.
Nós morávamos juntos há seis meses em um apartamento no centro. Liam vinha de família estável financeiramente. Ele sempre dizia que "nós" éramos um time. Ele tinha economias e poderia me emprestar, eu pagaria cada centavo com juros, trabalharia em três turnos se precisasse. Mas ele me ajudaria. Ele me amava.
Peguei um táxi, gastando um dinheiro que não deveria, mas era urgente. O trânsito de hora do rush estava um inferno, buzinas e fumaça, mas minha mente estava presa no quarto de hospital e no rosto pálido da minha avó.
Quando cheguei ao nosso prédio, o porteiro nem me olhou, acostumado com minha presença. Subi as escadas de dois em dois degraus. Enfiei a chave na fechadura do apartamento 4C, girando com pressa.
— Liam, amor, eu preciso de voc...
A frase morreu na minha garganta. A sala estava bagunçada, roupas de grife espalhadas pelo caminho até o quarto, cuja porta estava escancarada. Mas não foi a bagunça que me paralisou.
Foi o som. Gemidos. Altos e claros. E uma voz feminina que definitivamente não era a minha, gritando o nome dele.
Avancei porque meu cérebro se recusava a processar a informação sem a confirmação visual.
Parei assim que alcancei a porta e vi Liam por cima de uma mulher loira, as mãos dele apertando os quadris dela com uma possessividade que ele raramente demonstrava comigo ultimamente. Eles estavam frenéticos, suados, a cama rangendo num ritmo obsceno.
— Que porra é essa?!
Liam parou seus movimentos, mas não houve susto, nem pulo de culpa. Ele apenas parou o movimento, respirando pesado, e virou o rosto para mim. A mulher embaixo dele soltou um risinho abafado, puxando o lençol para cobrir os seios, mas sem nenhum sinal real de vergonha.
— Você não sabe bater, Ariel? — Liam perguntou. O tom dele era de irritação, como se eu tivesse interrompido algo banal, não uma traição nojenta na nossa própria cama.
— Bater? No meu próprio apartamento? — Entrei no quarto, com as mãos fechadas em punho. — Minha avó está morrendo, Liam! Eu vim aqui pedir sua ajuda, e encontro você fodendo essa... essa vadia na nossa cama?!
A mulher se sentou, apoiando as costas na cabeceira.
— "Vadia" não, querida. Brenda. E pelo visto, o apartamento é mais dele do que seu, já que quem paga o aluguel integralmente há dois meses é ele.
Olhei para Liam, esperando que ele a mandasse calar a boca. Esperando que ele dissesse que foi um erro, um deslize estúpido. Qualquer coisa.
Mas ele apenas saiu de cima dela, pegou a boxer no chão e começou a vesti-la, sem nem olhar na minha cara.
— Ela está certa, Ariel. Você virou um fardo. "Liam, paga a conta de luz", "Liam, preciso de ajuda com as compras". E agora, ia me pedir quanto? Dez mil? Vinte mil dólares? Para aquela velha que já devia ter morrido?
O tapa que eu dei na cara dele foi instintivo. Minha mão ardeu, mas a satisfação durou pouco.
Liam virou o rosto devagar de volta para mim e segurou meu braço com força, apertando até doer.
— Você nunca mais encosta em mim, sua parasita ingrata.
Ele me jogou contra o guarda-roupa. Minhas costas bateram na madeira dura e eu deslizei até o chão, atordoada.
— Sai. — Ele apontou para a porta.
— O quê? — perguntei, tentando recuperar o fôlego.
— Sai do meu apartamento. Agora. Acabou, Ariel.
— Liam... eu não tenho para onde ir... minha avó...
— Problema seu. — Ele foi até a sala, pegou minha bolsa que eu tinha largado no sofá e, sem cerimônia, abriu a porta do apartamento e a jogou no corredor do prédio. — Você tem cinco minutos para pegar suas roupas, ou eu jogo tudo pela janela.
— Você é um desgraçado! — gritei, levantando e indo para cima dele novamente. Eu queria machucá-lo, queria que ele sentisse uma fração da dor que estava me causando.
Mas ele era mais forte. Apenas riu, segurou meus pulsos e me arrastou até a porta.
— Vai chorar suas mágoas em outro lugar. Amanhã suas roupas estarão na porta, busque ou dou aos mendigos.
Ele bateu a porta na minha cara. Fiquei parada no corredor, ouvindo as risadas dos dois lá dentro recomeçarem. Peguei minha bolsa do chão, me sentindo um lixo, e desci as escadas.
Quando pisei na calçada, o céu desabou.
A água gelada encharcou minhas roupas em segundos, colando o tecido no meu corpo, misturando-se com as lágrimas quentes que eu não conseguia mais segurar.
Caminhei sem rumo pelas ruas movimentadas.
Setenta mil dólares. Sem casa. Sem namorado. Sem dignidade.
— O que eu vou fazer? — sussurrei para o nada. — Vó, me perdoa...
Eu estava na orla de uma avenida movimentada, onde os prédios empresárias e condomínios de luxo se amontoavam.
Quando vi do outro lado da rua um vulto pequeno. Uma garotinha. Não devia ter mais de cinco anos. Vestido rosa florido, cabelos molhados pela chuva e correndo.
Não sei o que ela viu, ou talvez estivesse fugindo de algo, mas ela se lançou para a avenida movimentada sem olhar para os lados.
Um carro vinha em alta velocidade, meus pés reagiram antes do meu cérebro e me lancei no asfalto.
Foi um salto desesperado. Meu corpo colidiu com o dela com força. O impacto nos tirou do chão e voamos para o canteiro central. Caímos rolando. A lama fria e suja entrou na minha boca. Tentei proteger a cabeça da menina com meus braços, girando meu corpo para que eu recebesse o impacto do meio fio.
Senti uma dor aguda no ombro quando batemos, e paramos.
Fiquei deitada por um segundo, ofegante. A chuva caía impiedosa sobre nós.
— Ei... ei... — Tentei falar, cuspindo terra. Me sentei com dificuldade, sentindo meu ombro pulsar.
A menina estava encolhida nos meus braços, chorando, mas parecia inteira. Suja de lama da cabeça aos pés, o vestido rosa agora marrom, mas viva.
— Você se machucou? — perguntei, passando a mão no rosto dela para limpar a sujeira.
Antes que ela pudesse responder, ouvi pneus cantando. O som de freios travando no asfalto molhado, seguido por uma porta de carro sendo aberta com violência.
— LUNA!
Olhei para cima, limpando a lama dos olhos.
Um homem alto vinha em nossa direção. Vestia um terno de aparência cara, que estava sendo arruinado pela chuva sem que ele parecesse se importar.
Ele era intimidante. Ombros largos, maxilar travado, olhos escuros que pareciam prestes a me engolir. Ele chegou até nós e, sem dizer uma palavra para mim, arrancou a menina dos meus braços. Ele a examinou rapidamente, virando o rostinho dela, checando os braços e pernas.
O homem a abraçou com força, por um segundo um alívio visível relaxou seus ombros, mas durou pouco. Ele a colocou no chão, atrás de suas pernas, protegendo-a com o próprio corpo e então seus olhos se voltaram para mim.
Eu ainda estava sentada na lama. Minha roupa estava destruída, meu cabelo era uma maçaroca suja, meu rosto devia estar irreconhecível sob a sujeira. Eu devia parecer uma sem-teto.
— Senhor, eu só... — comecei a explicar.
— Quem te contratou para sequestrar a minha filha, sua golpista?!
ARIEL MACEY O sol brilhava no céu de Seattle com uma clareza rara e preciosa, como se o próprio universo soubesse que aquele dia não admitia nuvens cinzentas. Olhei o meu reflexo no espelho de corpo inteiro. O vestido que eu havia escolhido não era um modelo de princesa exagerado, coberto de pedrarias ou com uma cauda quilométrica. Ele era feito de seda branca, fluido, com um decote em coração delicado e mangas caídas nos ombros. Era um vestido que me permitia respirar, andar e, acima de tudo, ser eu mesma. Senti duas mãos gentis tocarem os meus ombros. Através do espelho, os olhos marejados da minha avó encontraram os meus. Dante fez questão de enviar o seu jato com uma equipe de apoio apenas para garantir que ela chegasse a Seattle com todo o conforto do mundo. Tê-la ali, de pé atrás de mim, era o maior presente de casamento que eu poderia sonhar. — Você é a noiva mais linda que os meus olhos já viram, minha menina. — Obrigada por estar aqui, vó. — Segurei as mãos dela sobre
HENRICO VIGNETO Era uma manhã de domingo preguiçosa. Eu estava sentado no sofá da sala, com as pernas esticadas, segurando uma xícara de café. A poucos metros de mim, no tapete, duas meninas brincavam em meio a um mar de blocos de montar coloridos. Vittoria ria alto enquanto ajudava Sofia a construir uma torre. Vittoria sempre foi uma criança amorosa, e ter Sofia por perto trouxe uma alegria extra para a nossa rotina. O som de passos suaves me fez desviar o olhar do tapete. Bianca saiu da cozinha. Ela segurava uma pilha de correspondências que o porteiro havia deixado na caixa de correio mais cedo. Ela caminhou até o sofá e sentou-se ao meu lado, entregando a pilha de envelopes. — A maioria é conta e propaganda. — Ela disse, dando um gole no próprio café. — Mas tem um envelope aí que chamou a minha atenção. O calígrafo deve ter cobrado uma fortuna por essa letra. Passei os envelopes de conta e parei no último. Era um envelope branco, espesso, feito de um papel de al
DANTE VELASQUEZ UM ANO DEPOIS Faz um ano desde aquele beijo arrebatador, quando as nossas barreiras finalmente desabaram. Eu estava na porta da cozinha, segurando uma caneca de café quente, observando a cena à minha frente.Ariel estava no fogão, rindo enquanto tentava virar uma panqueca no ar. Ela usava uma das minhas camisas sociais brancas, que ficava enorme nela e batia no meio das coxas, e os cabelos ruivos estavam presos num coque bagunçado. Na ilha da cozinha, Luna e Vittoria estavam sentadas lado a lado em bancos altos. Luna, agora com dez anos, assumiu o papel de protetora e professora de Vittoria, que tinha quatro. Elas dividiam segredos, brinquedos e até mesmo pequenas conspirações contra mim quando queriam dormir mais tarde. Embora Ariel ainda mantivesse a casa que havia alugado, a verdade é que ela e Vittoria passavam a maior parte do tempo aqui. A escova de dentes dela estava ao lado da minha. As roupas dela ocupavam metade do meu closet. O cheiro de lavanda e bauni
HENRICO VIGNETO O sino do La Vita Café tocou quando eu empurrei a porta de vidro. O lugar cheirava a grãos torrados e pão recém-assado, um aroma que me transportou imediatamente para as manhãs ensolaradas em Florença. O café estava movimentado, cheio de casais e famílias aproveitando a manhã de sábado. Meus olhos varreram o ambiente e pararam na mesa de canto, perto da grande janela que dava para a rua. Bianca estava lá. Ela usava um vestido leve de estampa floral, uma jaqueta jeans por cima dos ombros e os cabelos ruivos estavam soltos, caindo em ondas rebeldes. Quando ela me viu, levantou a mão e acenou, com um sorriso aberto. Caminhei até a mesa. — Bom dia. — Cumprimentei, puxando a cadeira e me sentando de frente para ela. — Bom dia. — Ela respondeu, os olhos verdes analisaram minha roupa. — Você fica estranho sem gravata. Mas é um estranho bom. Eu ri, relaxando imediatamente. Estava usando apenas uma calça jeans e suéter, achei adequado para a ocasião. — Obrigado. Acho
HENRICO VIGNETO SEIS MESES DEPOIS A primavera finalmente havia chegado a Seattle, afastando o cinza constante do inverno. O vento frio tinha dado lugar a uma brisa suave. Eu estava segurando uma xícara de café expresso. Seis meses. Meio ano desde que eu aceitei que a história entre Ariel e eu tinha chegado ao fim. O tempo, como dizem, é o melhor dos remédios. A dor aguda da traição e da perda havia se transformado em uma cicatriz. Eu não sentia mais raiva. Não sentia mais aquele desespero de tê-la de volta. Comprei uma casa em um bairro tranquilo de Seattle, com um quintal enorme para Vittoria brincar. Meus dias com ela eram sagrados. Nós íamos ao zoológico, ao parque, comíamos sorvete no píer e líamos histórias antes de dormir. A relação com Dante Velasquez ainda era pautada por uma trégua fria e distante, mas nós funcionávamos. Pelo bem da nossa filha, nós não nos atacávamos. Vittoria estava crescendo feliz, cercada de amor de todos os lados, e isso era tudo o que me importav
ARIEL MACEY Eu estava agindo como uma adolescente idiota e assustada, e eu sabia disso. Depois daquele quase beijo, ou melhor, daquele selinho roubado na minha sala de estar, eu tinha passado as últimas cinco semanas evitando Dante Velasquez como o diabo foge da cruz. Toda vez que ele vinha buscar ou trazer a Vittoria, eu dava um jeito de estar ocupada. Inventava ligações de trabalho urgentes para a Aria Botanicals, ficava trancada no escritório e mandava a babá entregá-la na porta. Nas poucas vezes em que fomos obrigados a ficar no mesmo ambiente, eu mantinha uma distância de segurança de pelo menos dois metros e respondia apenas com monossílabos. Era sábado. Quase meia-noite. Vittoria estava passando o fim de semana na mansão de Dante. Eu estava sozinha em casa, vestindo um pijama largo de moletom, sentada no sofá com o notebook no colo e uma xícara de chá de camomila que já tinha esfriado. A casa estava silenciosa demais. Eu estava tentando revisar os custos da empresa, mas o





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