ARIEL MACEY
— Pode me explicar o que estava fazendo na rua a essa hora, Srta. Macey?
O ar no quarto parecia ter sido sugado. Minhas costas estavam pressionadas contra a madeira da porta, a única barreira entre mim e a liberdade do corredor.
O cheiro dele invadia minhas narinas, competindo com o cheiro de óleo e maresia que eu trazia impregnado nas roupas.
Rezei para que ele estivesse congestionado. Se ele sentisse o cheiro do porto em mim, a mentira do hospital desmoronaria antes mesmo de ser construída.
— Eu fiz uma pergunta, Srta. Macey. — A voz dele era baixa, um estrondo subterrâneo que fazia o chão vibrar sob meus pés descalços. — O que fazia na rua, sozinha, a essa hora da noite?
Meu cérebro, ainda em curto-circuito pelo terror que passei no galpão com Henrico, lutava para encontrar a marcha certa. Eu preciso mentir. Preciso ser convincente. A vida da minha avó dependia da minha capacidade de enganar esse homem.
Umedeci os lábios secos, sentindo o gosto metálico d