DANTE VELASQUEZ
— Até ontem você não tinha onde cair morta, Ariel. Quem pagou a conta?
— Não é da sua conta.
A resposta dela saiu baixa, mas repleta de uma audácia que fez minhas sobrancelhas se erguerem involuntariamente. Antes que eu pudesse processar a insolência ou decidir qual seria a punição adequada para uma funcionária que fala assim com o patrão, Ariel girou nos calcanhares. O rabo de cavalo ruivo chicoteou o ar, deixando um rastro daquele cheiro perturbador de maresia misturado com algo doce, e ela saiu do quarto, marchando pelo corredor em direção à ala onde ficavam seus aposentos.
Fiquei parado no batente da porta, olhando para o corredor vazio onde ela tinha acabado de desaparecer. Meus punhos cerraram-se ao lado do corpo. Ninguém falava comigo daquela maneira e ninguém me dava as costas.
Mas, por alguma razão deturpada que meu cérebro lógico se recusava a aceitar, a raiva não era o único sentimento pulsando em minhas veias.
Respirei fundo, tentando limpar meu