A Obsessão do Lutador

A Obsessão do LutadorPT

Romance
Última atualização: 2026-04-30
Laura Ivanish  Atualizado agora
goodnovel18goodnovel
0
Avaliações insuficientes
29Capítulos
11leituras
Ler
Adicionado
Resumo
Índice

Damon cresceu sem afeto, marcado pela violência do pai e pela omissão da mãe. Aos 29 anos, é uma lenda invicta do MMA frio, arrogante e consumido pela própria raiva. Melinda, por outro lado, sobrevive entre sacrifícios e esperança, dividida entre o trabalho exaustivo e o sonho de cuidar de quem ama. Quando seus caminhos se cruzam em Las Vegas, ela entra no mundo de um homem moldado pela dor. Entre desejo, cicatrizes e segredos, os dois descobrem que amor e destruição podem caminhar lado a lado e que algumas paixões são tão intensas quanto perigosas.

Ler mais

Capítulo 1

Prólogo

Damon

O cheiro de suor, sangue e couro invade minhas narinas quando o último soco acerta em cheio o queixo do desgraçado à minha frente. O impacto vibra pelo braço e ecoa pelo ombro que ainda arde da lesão anterior, mas não paro. O corpo dele desaba, pesado, inerte, com os olhos revirando.

Eu cuspo o protetor bucal com sangue no rosto do homem caído. É meu carimbo de vitória. Meu sorriso se abre, não de alegria, mas de triunfo e posse.

Assim que o narrador grita no microfone, a plateia responde com urros.

— Cobra invicto! Ele é uma lenda! A lenda segue viva!

Meu nome ecoa como trovão, “Cobra, Cobra, Cobra!”, e cada sílaba me alimenta. Assim que o juiz ergue minha mão, o braço esticado no ar, meu ombro arde como brasa, mas eu os deixo venerarem o que construí. Esse ringue é meu trono.

Desço do octógono em passos lentos, cada músculo do corpo ainda em guerra, mas o rosto em paz, marcado pelo sangue que não é só meu. O barulho continua ensurdecedor, com gritos de adoração e mãos tentando me tocar quando passo pelo corredor. Adorado. Idolatrado. Um deus vestido de cicatrizes e tatuagens.

Ernesto aparece, como sempre, com aquele olhar de preocupação que me irrita só de bater de frente.

— Está tudo bem com o ombro? — ele pergunta, os olhos estreitos, já sabendo minha resposta.

Movo o braço discretamente e sinto a dor percorrer as fibras tensas.

— Estou bem. Quero a fisioterapeuta amanhã, pela manhã, na academia.

— Tem certeza? — Ele arqueia a sobrancelha.

— Tenho. — Dou um meio-sorriso torto. — Hoje é dia de comemorar.

Ele suspira, demonstrando como sempre que não acredita em nada do que eu digo, mas eu deixo pra lá. Sempre deixo, porque devo muito a esse homem. Se Ernesto não tivesse aparecido naquele beco anos atrás, quando eu ainda era só um moleque perdido, quebrando ossos de uns caras e levando uma facada no processo, provavelmente eu não estaria aqui. Talvez nem estivesse vivo. Ele viu o que ninguém viu em mim, me tirou do esgoto e me colocou em um ringue, me mostrando que violência pode ser capital, não só sobrevivência. Então, eu tolero suas falácias, seu jeito de pai mal disfarçado.

Alguns repórteres surgem na saída, com microfones como armas apontadas na minha direção.

— Damon, uma palavra! Cobra, fala da luta! — eles insistem.

Ignoro todos, espantando-os como se fossem mosquitos.

— Você devia dizer meia dúzia de palavras, pelo menos... — resmunga Ernesto.

— Estou sem saco — corto, sem olhar para ele.

Nick surge do nada, o rosto aberto em riso e o corpo quente ainda do esforço. Ele me envolve em um abraço apertado, como se fosse um irmão, mas eu o empurro com força.

— Quantas vezes eu já disse que odeio esse tipo de merda?

— Foi mal, Cobra. — Ele ergue as mãos em rendição, meio sem graça. — Eu esqueço que você é cheio de “não me toque”.

Com a cabeça já latejando de barulho e o corpo pedindo silêncio, entro no camarim e pego a toalha, passando-a pelo rosto e sentindo o gosto do sangue seco nos lábios. No canto, duas figuras me chamam a atenção.

Hina e Sally .

Hina está sentada de pernas abertas, braços cruzados e o olhar cortante, como sempre. A campeã, a única mulher na equipe Cobra. Uma guerreira. Já transei com ela e foi intenso como duas feras se devorando, mas isso ficou no passado. Hoje, ela é o que mais se aproxima de uma amiga verdadeira.

Já Sally ... Sally é problema. Relações públicas da equipe, competente no trabalho, mas com a cabeça cheia de ilusões. O tesão falou mais alto e acabei transando com ela mais de uma vez, então ela acredita que significa alguma coisa além de sexo. Não significa, nunca significou.

Vejo as duas discutindo baixo, os gestos carregados. Hina não tem paciência para drama, e Sally vive mergulhada neles. Se Sally continuar achando que pode passar da linha, eu dou um jeito de tirá-la da equipe. Não importa quão útil ela seja com a imprensa, tenho dezenas querendo ocupar o seu lugar.

Hina e Sally se levantam ao mesmo tempo, como se tivessem ensaiado. O contraste das duas me arranca um meio-sorriso. Hina vem confiante, com passos firmes e olhar direto. Sally , por outro lado, ajeita o cabelo, dá um sorriso forçado, tentando se enfiar no que não pertence a ela.

— Bela luta, Cobra — Hina diz, batendo no meu braço, sem frescura.

— Como sempre — Sally emenda, a voz melosa e os olhos brilhando com uma expectativa que me irrita.

— O que você está fazendo aqui? — pergunto, seco, encarando Sally .

— Eu... — Ela se engasga, mexe no celular como se estivesse tentando pensar em uma desculpa. — Eu só achei que...

— Já que você está aqui, então faz o que tem que fazer. Vai falar com a imprensa e diz que estou feliz por mais uma vitória — corto, passando a toalha no rosto.

A expressão dela murcha, vejo o brilho sumir como se tivesse apagado uma lâmpada.

— Eu pensei que você... que a gente fosse comemorar.

— Vou comemorar. — Dou um riso curto, sem humor. — Mas não vai ser com você. Faça seu trabalho e seja útil, já que resolveu aparecer sem ser chamada.

Nick leva a mão à boca para segurar o riso, enquanto Hina só cerra os lábios, tentando não se meter. Sally respira fundo e engole em seco.

— Está bem. Eu falo com a imprensa.

Ernesto se aproxima, sempre no papel do bom samaritano.

— Eu vou com você, Sally .

Reviro os olhos.

— Tanto faz.

Eles saem juntos, e o silêncio no camarim me dá espaço para respirar. Pego uma lata de energético, abro com um tchhh e tomo um gole longo, sentindo o líquido gelado descer queimando a garganta. Hina dá uma risadinha, acendendo a faísca no clima.

— Estou sem paciência para essa mulher. Agora, ela cismou que eu tenho que aproximar vocês dois.

Olho para ela, a fumaça da minha irritação crescendo.

— Nem ouse.

— Relaxa, Damon. — Ela ergue as mãos, zombando. — Eu não preciso nem de meio segundo para cortar essa ideia. Posso te dar um conselho? Procura uma nova relações públicas antes que essa merda manche sua imagem.

— Eu te disse, não disse? — Nick entra, ainda rindo. — Eu avisei que não era uma boa transar com Sally .

— Desde quando eu faço o que você diz?

Ele dá de ombros, sorrindo. Pego a toalha outra vez, passo no rosto e estendo a mão.

— Me dá o celular.

Com o aparelho na mão, desbloqueio a tela e abro as mensagens. Elliot mandou fotos e vídeos do apartamento lotado de mulheres, gargalhando, com seus corpos prontos. Todas desconhecidas. É exatamente isso que preciso depois de mais uma vitória − foder até minha raiva dissolver no suor delas.

Termino a lata de energético, amasso com uma mão e a jogo no lixo.

— Vou para o apartamento comemorar. Vocês vêm?

— Passo — Hina responde, tirando um cigarro do bolso e acendendo. — Marquei corrida com uma amiga amanhã cedo.

— Amiga, é? — Nick ironiza com um sorriso sacana.

Ela ergue o dedo do meio para ele e eu rio baixinho.

— Me dá um cigarro também — peço a Hina .

Ela j**a o maço, eu pego um e acendo com isqueiro emprestado. Trago fundo, sentindo a fumaça rasgar a garganta e espalhar pelo peito. É um veneno, eu sei, mas é o único que eu permito. Bebi veneno demais quando era moleque, já vi drogas e garrafas destruírem mais do que punhos. Jurei nunca me enfiar nessa merda.

Pego uma camiseta preta da equipe, com a serpente vermelha estampada no peito como bandeira, e me visto como quem coloca uma armadura, com o cigarro ainda preso entre os dedos e a fumaça ao meu redor.

— Vai ou não vai? — Olho para Nick.

— Não vou perder essa festa por nada. — Ele sorri como criança diante de doce.

Junto as minhas coisas e depois jogo a mochila em cima dele.

— Carrega aí.

Saio do camarim sem olhar para trás, com Nick me seguindo e Hina soltando fumaça pelo corredor. Fãs gritam meu nome e jornalistas tentam empurrar microfones no meu rosto. Ernesto ainda fala com repórteres como se fosse meu porta-voz. Eu não escuto nada. Nada importa além de mim, do meu ego, da minha imagem, da certeza absoluta de que eu sou rei aqui dentro.

E quem ousar me desafiar, eu esmago.

Mais
Próximo Capítulo
Baixar

Último capítulo

Mais Capítulos

Também vai gostar

Novelas relacionadas

Nuevas novelas de lanzamiento

Último capítulo

Não há comentários
29 chapters
Prólogo
Capítulo Um
Capítulo 2
Capítulo 3
Capítulo 4
Capítulo 5
Capítulo 6
Capítulo 7
Capítulo 8
Capítulo 9
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App