Mundo de ficçãoIniciar sessãoDamon cresceu sem afeto, marcado pela violência do pai e pela omissão da mãe. Aos 29 anos, é uma lenda invicta do MMA frio, arrogante e consumido pela própria raiva. Melinda, por outro lado, sobrevive entre sacrifícios e esperança, dividida entre o trabalho exaustivo e o sonho de cuidar de quem ama. Quando seus caminhos se cruzam em Las Vegas, ela entra no mundo de um homem moldado pela dor. Entre desejo, cicatrizes e segredos, os dois descobrem que amor e destruição podem caminhar lado a lado e que algumas paixões são tão intensas quanto perigosas.
Ler maisDamonO vento da noite sopra leve, trazendo o cheiro de carvão queimando e carne assando lentamente na churrasqueira. As risadas do pessoal da Cobra ainda ecoam lá fora, altas, bagunçadas, vivas. Alguém grita alguma piada idiota, outro reclama do jogo de cartas, e Ernesto provavelmente está exagerando alguma história como sempre faz. O som mistura com música baixa vindo da área externa, criando aquela sensação estranha de normalidade que eu nunca imaginei fazer parte da minha vida.Mas aqui dentro, na varanda iluminada apenas pela luz amarelada que escapa da cozinha, tudo parece mais calmo. Mais lento.Melinda dorme no sofá, encolhida de lado, a cabeça apoiada em uma almofada macia, uma das mãos repousando sobre a barriga arredondada, onde nossa filha se mexe preguiçosamente de vez em quando. Fico parado observando as duas por alguns segundos longos demais, incapaz de desviar o olhar. É impossível não sorrir.Ela é o lar que eu nunca pensei que teria.Por tanto tempo, achei que o pass
Dois anos. Dois anos se passaram, e às vezes ainda é difícil acreditar que tudo isso é real.Um ano em que Damon me pediu em casamento e nos casamos no mesmo dia. O sol de Las Vegas está se pondo devagar, tingindo o céu com tons de laranja e rosa, enquanto o cheiro de churrasco invade o quintal da nossa nova casa. A risada de Hina ecoa do outro lado, enquanto ela e Sally discutem sobre quem faz o melhor, as duas completamente competitivas, como sempre. Ernesto e Natalie estão se beijando descaradamente perto da piscina, e Elliot tenta convencer Frank a pular na água vestido. Eu observo tudo com uma mão sobre a barriga já arredondada, sentindo a nossa garotinha se mexer. Damon diz que ela chuta quando sente cheiro de comida, o que, segundo ele, é um traço meu.Sinto o calor, o barulho, a vida pulsando ao redor e me pego sorrindo sozinha. Há dois anos, eu nunca imaginaria estar aqui, cercada de pessoas que se tornaram a minha família. Pessoas que viram o pior e o melhor de mim e,
DamonEnquanto caminho para o corredor que leva ao octógono, ouço o som da torcida aumentar em um rugido coletivo. O ar é quente, pesado e vivo. O chão vibra sob meus pés, e por um instante, fecho os olhos de novo.Penso nela. Na Melinda que sobreviveu, que enfrentou monstros, que ainda encontrou espaço para me amar. E penso que prometi que nunca mais ninguém a machucaria. As luzes estouram sobre mim. O som da multidão é ensurdecedor, vibra nos ossos, pulsa dentro da cabeça como um segundo coração. O nome dele ecoa junto com o meu, Roger Tigger . O desgraçado entra sorrindo, o mesmo sorriso cínico de sempre. Mas hoje… hoje é diferente.O árbitro nos chama para o centro, as luvas se tocam e eu encaro aquele rosto com a calma de uma fera paciente. Sinto o sangue circular quente, o ar frio queimando por dentro. A campainha soa e tudo desaparece.Ele vem primeiro, rápido. Um cruzado de direita que passa raspando o meu queixo. Eu desvio e ouço o zunido do golpe no ar. Respondo com um
Damon As luzes do vestiário são fortes demais, quase ofendem. Fico olhando para o reflexo distorcido no espelho, o suor já escorrendo mesmo antes de subir para o octógono. A adrenalina começa a bater, mas hoje ela vem misturada com algo que parece calma. Não é paz, exatamente. É foco.O som distante da torcida chega abafado, como se houvesse algodão nos meus ouvidos. Respiro fundo e penso em tudo o que aconteceu nos últimos meses, em cada merda, cada queda, cada erro. Penso em como quase perdi tudo. E em como, de alguma forma, encontrei ela no meio do caos. Melinda. Fecho os olhos e vejo o sorriso dela. Vejo o jeito que ela olha para mim, não como se eu fosse um lutador, ou um cara invencível, mas como se eu ainda tivesse conserto. E, caralho, talvez eu tenha. Por ela, eu tenho tentado.A terapia… nunca pensei que fosse dizer isso, mas não é tão ruim quanto imaginei. Não é fácil, também, eu sangro por dentro toda vez que abro a boca para falar das coisas que enterrei, mas o dia





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