Damon O cheiro de suor, sangue e couro invade minhas narinas quando o último soco acerta em cheio o queixo do desgraçado à minha frente. O impacto vibra pelo braço e ecoa pelo ombro que ainda arde da lesão anterior, mas não paro. O corpo dele desaba, pesado, inerte, com os olhos revirando.Eu cuspo o protetor bucal com sangue no rosto do homem caído. É meu carimbo de vitória. Meu sorriso se abre, não de alegria, mas de triunfo e posse. Assim que o narrador grita no microfone, a plateia responde com urros.— Cobra invicto! Ele é uma lenda! A lenda segue viva!Meu nome ecoa como trovão, “Cobra, Cobra, Cobra!”, e cada sílaba me alimenta. Assim que o juiz ergue minha mão, o braço esticado no ar, meu ombro arde como brasa, mas eu os deixo venerarem o que construí. Esse ringue é meu trono.Desço do octógono em passos lentos, cada músculo do corpo ainda em guerra, mas o rosto em paz, marcado pelo sangue que não é só meu. O barulho continua ensurdecedor, com gritos de adoração e mãos
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