Mundo ficciónIniciar sesiónSem pensar, fui até ele. Querendo vê-lo. Querendo tocá-lo. Querendo senti-lo. Mas, quando estendi minha mão trêmula para tocar a pele quente do seu abdômen… ele segurou meu pulso no ar, firme. Possessivo. Seus olhos dourados, ardentes como fogo, prenderam-se aos meus, como se fossem capazes de enxergar cada parte da minha alma. — Eu sabia que você viria, minha companheira. — sua voz rouca deslizou pelos meus ouvidos como uma promessa perigosa. Jasper é um Alfa marcado por perdas, escuridão e um passado cruel. Scarlett é uma assassina implacável, treinada para matar sem hesitar. Ela só não esperava que o destino fosse cruel o bastante para unir sua vida justamente ao homem que jurou odiar… e matar. LIVRO 2 - Instintos Sombrios - Dark Romance
Leer másPOV — JASPER
A noite estava iluminada por tochas e luzes pendidas entre as árvores; o som de música alta, risadas e vozes eufóricas ecoava por todo o território. Era o grande evento anual do meu clã, em celebração à dádiva da lua. Todos bebiam, dançavam e comemoravam a prosperidade que eu havia garantido para eles. Para eles, era uma noite de glória. Para mim… apenas mais uma noite qualquer. Vesti uma camisa social vinho e calça preta — nada extravagante, mas suficiente para marcar minha posição. Arregacei as mangas até os cotovelos e coloquei um relógio de ouro pesado no pulso. Algumas mechas úmidas do meu cabelo caíam sobre a testa, bagunçadas de propósito. Coloquei os óculos escuros. Não queria que ninguém percebesse meu estado. Meus olhos podiam dourar a qualquer instante; meu lobo ainda estava instável, inquieto, carregado de uma raiva e um luto que pareciam não ter fim, mesmo com toda aquela alegria ao meu redor. Quando subi ao palco e olhei para o meu povo — e para os convidados de outros clãs —, vi os olhares cobiçosos das fêmeas jovens. Todas sorriam, se ofereciam com o olhar, desejando a atenção do Alfa no auge da comemoração. Eu poderia ter qualquer uma. Bastava estalar os dedos. Irritado com meus próprios pensamentos, balancei a cabeça. Por que não? Depois de fazer um discurso simbólico para meu clã, finalmente desci do palco, caminhando calmamente, alheio a tudo ao redor. Bebi. Aproveitei… na medida do possível, embora nada ali me agradasse de verdade. Me chamavam de grande líder, de Alfa poderoso… mas tudo parecia distante, abafado, sem cor. Uma loira se aproximou enquanto eu me afastava um pouco da multidão. Bonita, confiante, corpo curvo delineado pelo vestido justo. — Alfa… — disse ela, inclinando-se levemente para deixar o decote evidente, enquanto me entregava uma taça de vinho. Ergui o copo, analisando-a com calma, completamente desinteressado por dentro. “Quer satisfazer seu Alfa?” — perguntei diretamente, usando o elo mental, com a voz rouca e baixa. Ela corou até a raiz do cabelo, mas sorriu, satisfeita com a atenção. “Sim… seria uma honra. Especialmente numa noite como esta… ” — respondeu, como se estar comigo fosse o maior prêmio da festa. Soltei um suspiro lento, sentindo o gosto amargo da própria decisão. “Então vá para o meu quarto. Me espere lá… sem roupa.” Ela corou ainda mais, sorriu abertamente e saiu apressada, abrindo caminho entre os convidados. Observei enquanto se afastava, sentindo apenas vazio. Eu não fazia isso. Nunca fiz. Mas precisava ocupar a mente. Calar as vozes do passado. Apagar as lembranças que me assombravam todas as noites — especialmente agora, quando a felicidade alheia só me lembrava do que eu perdi. Era idiota? Sim. Por anos fui praticamente um celibatário. Desde Caroline… E depois… Celine. Talvez fosse hora de quebrar esse ciclo. Deixar de ser o homem que vive de memórias. Já tinha bebido o suficiente. Não para ficar bêbado… mas o bastante para relaxar o corpo e amortecer a dor no peito. De repente, meu lobo se agitou. Forte. Violento. Inesperado. Olhei em direção ao corredor que levava aos meus aposentos, onde a loira tinha acabado de entrar. Algo me puxava para lá. Intenso. Errado. Franzi o cenho, confuso com a reação súbita da minha fera. — Animado demais para uma noite só? — murmurei, irônico comigo mesmo, e comecei a caminhar para longe da multidão. Abri os botões da camisa no caminho, revelando o tórax marcado. Desafivelei o cinto, sentindo o ar da noite bater na pele, deixando para trás a música alta e os brindes. Mas havia algo de estranho. Meu lobo não estava apenas interessado… Ele estava agitado. Faminto. E ansioso. Meus olhos douraram por trás das lentes escuras, o brilho revelando a fera prestes a escapar. Quando abri a porta pesada de madeira, o quarto estava escuro, iluminado apenas pela luz da lua que entrava pela janela. Silêncio absoluto, diferente da algazarra do lado de fora. Mas o cheiro… Me atingiu como um golpe no peito. Forte. Viciante. Perigoso. Meu lobo praticamente ronronou de satisfação dentro de mim. “Deliciosa…” — Ele rosnou, sentindo algo que minha mente ainda não conseguia processar. Algo estava errado. Muito errado. Aquilo não era o cheiro da loira. E então— Uma adaga veio na minha direção. Rápida. Silenciosa. Mortal. Mas não o suficiente para mim. Desviei o corpo no último segundo, ouvindo o metal cortar o ar, e avancei com força, segurando quem quer que fosse contra a parede antes que pudesse tentar de novo. — Me solta! — ela rosnou. Uma voz rouca, firme, carregada de ódio. Ela se debatia com força, chutando, tentando se livrar. Uma mulher. E não qualquer mulher. Mesmo sem ver seu rosto, eu senti. O cheiro. A energia elétrica que parecia sair da pele dela. A tensão. E… algo mais. Algo que abalou a estrutura inteira do meu ser. Droga. Meu coração disparou dentro do peito, batendo forte, descontrolado. Segurei-a com mais força para imobilizar seus braços e a joguei sobre a cama larga, prendendo-a contra o colchão com todo o peso do meu corpo. Estendi a mão e acendi o abajur na cabeceira, iluminando o ambiente com uma luz quente e fraca. — Me solta, seu desgraçado! Ela tentou me arranhar, lutar, escapar. Selvagem. Indomável. Diferente de tudo que eu já tinha visto. Meu lobo rosnou alto, uma ordem clara ecoando na minha cabeça: — Marque ela. Agora. É nossa. Ignorei a voz. Por enquanto. Prendi os pulsos dela acima da cabeça com uma das minhas mãos, mantendo-a imóvel, mas ela continuava se debatendo como um animal acuado, pronta para atacar na primeira brecha. E então… Eu a vi. Cabelos vermelhos. Intensos. Vivos. Tão indomáveis quanto ela, espalhados pelo travesseiro como fogo. Olhos cinzentos. Afiados. Perigosos. Queimando de raiva e desafio. Eles me prenderam no mesmo instante. Nada mais existiu ao meu redor. Nem a festa, nem o barulho, nem o passado. Meu lobo uivou dentro de mim, dizendo que ela lhe pertencia, que sempre pertenceu. Que ela era a razão de tudo. E meu único pensamento, enquanto eu olhava para aqueles olhos cinzentos que me encaravam sem medo algum, foi: — Que merda…POV — SCARLETT Depois de finalmente respirar fundo, enchendo os pulmões de um ar que parecia sempre faltar dentro de mim, tomei uma decisão e saí do quarto. Não ficaria presa naquele castelo como uma donzela à espera de nada. E muito menos... não seria a cadelinha de Jasper. Foi o que eu repeti para mim mesma, como um mantra, várias vezes seguidas, para tentar convencer o meu coração burro que insistia em doer, em bater forte, em lembrar. Como ele mesmo tinha dito, com aquela voz fria, cortante e indiferente, que me deixou gelada: "Só uma noite de prazer e depois fingimos que nada aconteceu." E era exatamente isso que eu faria. Aquela noite... toda aquela entrega, todo aquele amor escondido, todo aquele prazer avassalador que me fez perder o juízo... tinha sido um erro. Um erro enorme, terrível, que eu jamais deveria ter cometido. E agora eu agiria como se não tivesse acontecido. Eu seria mais forte que isso, mais forte que ele, mais forte que qualquer sentimento idi
POV - JASPER Saí do palácio com passos firmes, mas tudo o que eu mais queria era poder dar meia-volta, correr de volta para dentro, subir as escadas, entrar no quarto dela e trancar a porta. Queria voltar logo. Queria estar lá, com ela, senti-la, tê-la de novo nos meus braços, sentir o calor do seu corpo contra o meu. Vi a confusão nos olhos de Scarlett enquanto comíamos. Vi a dor, a dúvida, a tristeza… Mas eu estava apenas fazendo aquilo que ela mesma pediu. Não queria que eu tocasse no assunto. Estava cumprindo a minha promessa, como sempre faço. “Só uma noite… amanhã fingimos que somos inimigos, fingimos que nada aconteceu…” — foi o que eu prometi. E eu sou um homem de palavra. Sempre fui. Mas, merda… só de lembrar do corpo dela, da pele macia, do gosto único da sua boca, do som da sua voz chamando o meu nome, eu já estava desejando sentir tudo de novo. Uma noite não foi o suficiente. Nunca seria. Nem mil noites seriam. Ela me tocou de um jeito que ninguém nun
Jasper comeu em silêncio. Ele não levantou o olhar para mim nem uma vez sequer. Ficou lá, imóvel, calmo, cortando a comida, levando à boca, mastigando... como se eu não estivesse sentada bem ali, a poucos centímetros dele, despedaçada por dentro, sangrando em silêncio. Na verdade, ele ficou em silêncio absoluto o tempo todo, não disse mais nada além daquela frase fria que tinha me deixado gelada até a alma. Eu, ao contrário, não consegui comer direito. A comida tinha gosto de nada, parecia areia seca na boca. Eu mexia com o garfo, tentando engolir qualquer coisa, mas o nó na garganta era tão grande e apertado que nada descia. Cada segundo ao lado dele era um sofrimento novo, uma dúvida que crescia, uma dor que apertava o peito cada vez mais forte. Ele se levantou da mesa devagar, arrumando o casaco com calma, como se fosse apenas um dia normal de trabalho, como se nada de extraordinário tivesse acontecido entre nós na noite anterior. Parou ao meu lado por um segundo, apena
Quando acordei... Pisquei os olhos devagar, ainda confusa, a cabeça leve, como se eu tivesse flutuado a noite toda, perdida em um sonho bom. Senti um leve desconforto, uma sensação estranha e deliciosa ao mesmo tempo na minha intimidade, uma dor gostosa que lembrava cada movimento, cada toque, cada momento da noite anterior, marcando-me de forma única. Lembrei dele. Lembrei de tudo. Lembrei de Jasper. Lembrei de cada palavra rouca, cada beijo faminto, cada vez que ele me chamou de sua, cada vez que ele foi fundo e me fez sentir coisas que eu nem sabia que existiam dentro de mim. Sentei-me abruptamente na cama, com o coração disparado e a respiração falhando. Mas parei, surpresa. Eu estava no meu quarto. No quarto em que sempre dormi, não no quarto dele. Estava vestida com um pijama limpo, diferente do que usava antes, e senti que também estava com roupa íntima nova, tudo arrumado, tudo no lugar, como se nada tivesse abalado aquelas paredes. Será que... será que
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