A Obsessão do Alfa Sombrio
A Obsessão do Alfa Sombrio
Por: M.D.A. PIMENTEL
CAPÍTULO 1

POV — JASPER

A noite estava iluminada por tochas e luzes pendidas entre as árvores; o som de música alta, risadas e vozes eufóricas ecoava por todo o território. Era o grande evento anual do meu clã, em celebração à dádiva da lua. Todos bebiam, dançavam e comemoravam a prosperidade que eu havia garantido para eles.

Para eles, era uma noite de glória. Para mim… apenas mais uma noite qualquer.

Vesti uma camisa social vinho e calça preta — nada extravagante, mas suficiente para marcar minha posição. Arregacei as mangas até os cotovelos e coloquei um relógio de ouro pesado no pulso. Algumas mechas úmidas do meu cabelo caíam sobre a testa, bagunçadas de propósito.

Coloquei os óculos escuros. Não queria que ninguém percebesse meu estado. Meus olhos podiam dourar a qualquer instante; meu lobo ainda estava instável, inquieto, carregado de uma raiva e um luto que pareciam não ter fim, mesmo com toda aquela alegria ao meu redor.

Quando subi ao palco e olhei para o meu povo — e para os convidados de outros clãs —, vi os olhares cobiçosos das fêmeas jovens. Todas sorriam, se ofereciam com o olhar, desejando a atenção do Alfa no auge da comemoração.

Eu poderia ter qualquer uma.

Bastava estalar os dedos.

Irritado com meus próprios pensamentos, balancei a cabeça.

Por que não?

Depois de fazer um discurso simbólico para meu clã, finalmente desci do palco, caminhando calmamente, alheio a tudo ao redor.

Bebi. Aproveitei… na medida do possível, embora nada ali me agradasse de verdade. Me chamavam de grande líder, de Alfa poderoso… mas tudo parecia distante, abafado, sem cor.

Uma loira se aproximou enquanto eu me afastava um pouco da multidão. Bonita, confiante, corpo curvo delineado pelo vestido justo.

— Alfa… — disse ela, inclinando-se levemente para deixar o decote evidente, enquanto me entregava uma taça de vinho.

Ergui o copo, analisando-a com calma, completamente desinteressado por dentro.

“Quer satisfazer seu Alfa?” — perguntei diretamente, usando o elo mental, com a voz rouca e baixa.

Ela corou até a raiz do cabelo, mas sorriu, satisfeita com a atenção.

“Sim… seria uma honra. Especialmente numa noite como esta… ” — respondeu, como se estar comigo fosse o maior prêmio da festa.

Soltei um suspiro lento, sentindo o gosto amargo da própria decisão.

“Então vá para o meu quarto. Me espere lá… sem roupa.”

Ela corou ainda mais, sorriu abertamente e saiu apressada, abrindo caminho entre os convidados.

Observei enquanto se afastava, sentindo apenas vazio.

Eu não fazia isso. Nunca fiz.

Mas precisava ocupar a mente. Calar as vozes do passado. Apagar as lembranças que me assombravam todas as noites — especialmente agora, quando a felicidade alheia só me lembrava do que eu perdi.

Era idiota?

Sim.

Por anos fui praticamente um celibatário.

Desde Caroline…

E depois… Celine.

Talvez fosse hora de quebrar esse ciclo. Deixar de ser o homem que vive de memórias.

Já tinha bebido o suficiente. Não para ficar bêbado… mas o bastante para relaxar o corpo e amortecer a dor no peito.

De repente, meu lobo se agitou.

Forte. Violento. Inesperado.

Olhei em direção ao corredor que levava aos meus aposentos, onde a loira tinha acabado de entrar.

Algo me puxava para lá.

Intenso.

Errado.

Franzi o cenho, confuso com a reação súbita da minha fera.

— Animado demais para uma noite só? — murmurei, irônico comigo mesmo, e comecei a caminhar para longe da multidão.

Abri os botões da camisa no caminho, revelando o tórax marcado. Desafivelei o cinto, sentindo o ar da noite bater na pele, deixando para trás a música alta e os brindes.

Mas havia algo de estranho.

Meu lobo não estava apenas interessado…

Ele estava agitado.

Faminto.

E ansioso.

Meus olhos douraram por trás das lentes escuras, o brilho revelando a fera prestes a escapar.

Quando abri a porta pesada de madeira, o quarto estava escuro, iluminado apenas pela luz da lua que entrava pela janela. Silêncio absoluto, diferente da algazarra do lado de fora.

Mas o cheiro…

Me atingiu como um golpe no peito.

Forte. Viciante. Perigoso.

Meu lobo praticamente ronronou de satisfação dentro de mim.

“Deliciosa…” — Ele rosnou, sentindo algo que minha mente ainda não conseguia processar.

Algo estava errado.

Muito errado. Aquilo não era o cheiro da loira.

E então—

Uma adaga veio na minha direção.

Rápida. Silenciosa. Mortal.

Mas não o suficiente para mim.

Desviei o corpo no último segundo, ouvindo o metal cortar o ar, e avancei com força, segurando quem quer que fosse contra a parede antes que pudesse tentar de novo.

— Me solta! — ela rosnou.

Uma voz rouca, firme, carregada de ódio. Ela se debatia com força, chutando, tentando se livrar.

Uma mulher.

E não qualquer mulher.

Mesmo sem ver seu rosto, eu senti.

O cheiro.

A energia elétrica que parecia sair da pele dela.

A tensão.

E… algo mais. Algo que abalou a estrutura inteira do meu ser.

Droga.

Meu coração disparou dentro do peito, batendo forte, descontrolado.

Segurei-a com mais força para imobilizar seus braços e a joguei sobre a cama larga, prendendo-a contra o colchão com todo o peso do meu corpo.

Estendi a mão e acendi o abajur na cabeceira, iluminando o ambiente com uma luz quente e fraca.

— Me solta, seu desgraçado!

Ela tentou me arranhar, lutar, escapar.

Selvagem.

Indomável.

Diferente de tudo que eu já tinha visto.

Meu lobo rosnou alto, uma ordem clara ecoando na minha cabeça:

— Marque ela. Agora. É nossa.

Ignorei a voz.

Por enquanto.

Prendi os pulsos dela acima da cabeça com uma das minhas mãos, mantendo-a imóvel, mas ela continuava se debatendo como um animal acuado, pronta para atacar na primeira brecha.

E então…

Eu a vi.

Cabelos vermelhos. Intensos. Vivos. Tão indomáveis quanto ela, espalhados pelo travesseiro como fogo.

Olhos cinzentos.

Afiados.

Perigosos. Queimando de raiva e desafio.

Eles me prenderam no mesmo instante.

Nada mais existiu ao meu redor. Nem a festa, nem o barulho, nem o passado.

Meu lobo uivou dentro de mim, dizendo que ela lhe pertencia, que sempre pertenceu. Que ela era a razão de tudo.

E meu único pensamento, enquanto eu olhava para aqueles olhos cinzentos que me encaravam sem medo algum, foi:

— Que merda…

Continue lendo este livro gratuitamente
Digitalize o código para baixar o App
capítulo anteriorpróximo capítulo
Explore e leia boas novelas gratuitamente
Acesso gratuito a um vasto número de boas novelas no aplicativo BueNovela. Baixe os livros que você gosta e leia em qualquer lugar e a qualquer hora.
Leia livros gratuitamente no aplicativo
Digitalize o código para ler no App