Mundo ficciónIniciar sesiónA Descoberta do Segredo • Livro 1 Durante séculos, as matilhas de lobos viveram sob a proteção da Deusa da Lua e o domínio dos Alfas. Entre elas existe uma antiga lenda: a cada quinhentos anos nasce uma Luna diferente de todas as outras — uma loba branca de poder incomparável, destinada a mudar o equilíbrio do mundo. Mas as histórias também dizem que essas Lunas nunca tiveram escolha. Sempre foram usadas como armas de guerra por aqueles que desejavam poder. Mia Althea cresceu acreditando ser apenas uma Sem-Lua, alguém que nasceu sem lobo, sem magia e sem lugar entre as matilhas. Enquanto sua irmã herdou o poder das bruxas e seu irmão a força dos lobos, Mia vive nas sombras, carregando o peso de ser aquilo que todos consideram um erro da natureza. O que ninguém sabe é que Mia guarda um segredo. Antes de morrer, sua mãe — uma bruxa poderosa — lançou um feitiço para esconder quem Mia realmente é. Protegida por um antigo amuleto de prata, sua verdadeira natureza permanece oculta até mesmo daquele que deveria sentir seu vínculo. Ian Valtheris, o herdeiro do Alfa Rei. Enquanto intrigas entre matilhas, alianças perigosas e antigas profecias começam a despertar, Mia precisará decidir se continuará escondida… ou se enfrentará o destino que sua mãe tentou proteger. Porque às vezes aquilo que o mundo chama de fraqueza pode ser exatamente o poder capaz de mudá-lo. E quando a verdade finalmente vier à luz, as matilhas descobrirão que a garota chamada de Sem-Lua pode ser muito mais do que imaginavam. Ela pode ser a Luna da Profecia.
Leer másQuando a Lua chorar sobre as matilhas,
e o mundo esquecer o poder do amor, nascerá aquela que não pertence a um só sangue. Filha da bruxa e do lobo, forjada não pela guerra, mas pelo amor verdadeiro. A terceira criança, aquela que chamarão de vazia, será a que carrega a Lua em seu espírito. De pelagem branca como a neve da primeira noite, sua força dobrará a dos Alfas, e sua voz poderá acalmar ou destruir reinos. Muitos tentarão usá-la como arma. Muitos temerão o que ela se tornará. Mas somente quando o amor vencer o destino a Loba da Lua despertará. E então as matilhas saberão: a Luna da Profecia retornou. ⸻ — Mia… está tudo bem? — perguntou Kiara, com a voz ainda sonolenta. — Você parecia estar tendo um pesadelo. Mia abriu os olhos devagar. O carro ainda cortava a estrada silenciosa da madrugada. Por alguns segundos, ela ficou parada, tentando afastar os últimos fragmentos do sonho. — Está, sim… — respondeu por fim. — Eu só estava sonhando com a minha mãe… ela estava me contando a lenda outra vez. Kiara virou um pouco o rosto para observá-la. — Você tem sonhado muito com ela ultimamente, não tem? Mia apenas assentiu, olhando pela janela. Do lado de fora, a estrada serpenteava entre montanhas escuras, iluminadas apenas pela lua crescente. Kiara esticou o braço e tocou de leve no ombro da amiga. — Ei… você vai conseguir esconder isso. Eu sei que vai. Mia soltou um pequeno suspiro. — Espero que sim, Kiara. Você sabe o quanto minha mãe sacrificou para que eu conseguisse. A voz dela saiu mais séria do que pretendia. Kiara tentou mudar o clima. — Você estava morrendo de saudades do Vale da Lua. Tenta aproveitar isso pelo menos. Mia forçou um pequeno sorriso. — Vou tentar. Kiara aspirou o ar de repente, como se estivesse sentindo algo distante. — Pois eu já estou sentindo o cheiro da comida da Luna Elowen. Mia riu baixo. — Eu também… — respondeu. — Mas, sabe… vou sentir falta do mundo humano. Ela apoiou a cabeça no encosto. — Aqui nós éramos simplesmente Mia e Kiara. Duas garotas do ensino médio. Kiara deu de ombros. — Você ainda tem uma vantagem. Mia ergueu uma sobrancelha. — Qual? — Para ele… você é apenas Mia. A sem-lua. O sorriso de Mia desapareceu. — Desde que eu consiga manter isso… Ela voltou a ficar tensa. Kiara suspirou. — Eu já disse que sim. Estou aqui para te ajudar. Dessa vez Mia sorriu de verdade. — Eu sei. Não faço ideia do que faria sem você. Houve um pequeno silêncio dentro do carro. Então Mia falou, hesitante: — Mas, Kiara… como está seu coração? Quer dizer… você sabe… Ela procurava as palavras certas para não machucar a amiga. Kiara manteve os olhos na estrada. — Está tudo bem, Mia. Ela deu um pequeno sorriso. — Se a Deusa da Lua quis assim, nós apenas aceitamos. Não era para mim. Ela respirou fundo. — Você sabe que ele nunca ficaria com alguém que não fosse um lobo. Ian valoriza demais as tradições. Mia bufou. — Meu irmão é ridículo. Para ele tudo são tradições. Kiara lançou um olhar irônico. — Talvez você que não leve as tradições a sério o suficiente. Mia riu alto. — Então é assim? — Sim. Essa é você — disse Kiara, rindo também. Por um instante, tudo pareceu leve outra vez. Depois de alguns minutos, Mia falou novamente: — Kiara… obrigada por ter voltado comigo. Kiara sorriu. — O mundo humano sem as suas loucuras não teria a menor graça. Ao longe, as primeiras linhas da floresta começaram a aparecer. Árvores altas e antigas cercavam a estrada como guardiãs silenciosas. Ali ficava o portal para Lunareth. — Em três horas estaremos em casa — disse Mia. — Então deixa eu dirigir agora — respondeu Kiara. — Você já está cansada. Mia não discutiu. Elas pararam rapidamente na lateral da estrada para trocar de lugar. Alguns minutos depois, Kiara já dormia no banco do passageiro. O restante do caminho seguiu silencioso. Sozinha com os próprios pensamentos, Mia levou a mão até o colar que carregava no pescoço. O pingente em forma de lua fria brilhou levemente sob a luz noturna. Ela apertou o objeto entre os dedos. — Eu prometo que vou proteger o segredo, mãe… — murmurou. Cada um dos três filhos da Casa Althea carregava um pingente como aquele. Era impossível não reconhecê-los. Mas Mia sabia que, se alguém descobrisse o que realmente corria em suas veias, aquele símbolo poderia se tornar muito mais do que apenas um sinal de família. Poderia se tornar uma sentença. Quanto mais Mia se aproximava de sua alcateia, mais sentia que pertencia àquele lugar. A estrada já estava cercada pela floresta conhecida do Vale da Lua. O cheiro da terra úmida e das árvores antigas parecia envolvê-la como um abraço. Ela virou-se para Kiara, que já havia despertado no banco ao lado. — Tenho que confessar… senti muita falta disso aqui. Kiara sorriu, observando a paisagem pela janela. — Eu sabia.Mia terminou de vestir o moletom de Ian e cruzou os braços por um instante, tentando esconder o leve tremor que ainda percorria seu corpo.A água da cachoeira tinha esfriado sua pele.Mas não era só isso.O cheiro do casaco ainda estava ali.Cedro.Pinho.Âmbar.Ela tentou ignorar.— Vamos logo — disse, tentando soar indiferente.Ian apenas assentiu.Os dois começaram a caminhar pela trilha da floresta.A lua iluminava o caminho entre as árvores, criando manchas prateadas no chão coberto de folhas.Por alguns minutos, nenhum dos dois falou nada.O silêncio entre eles era pesado.Ian caminhava um passo atrás dela.E isso não ajudava em nada.O cheiro dela ainda estava no ar.Água da cachoeira.Pele limpa.E algo mais… algo naturalmente dela.O lobo dentro dele estava inquieto.Muito inquieto.Ele respirou fundo, tentando se controlar.Mantenha o foco.— Você costuma aparecer do nada no meio da floresta agora? — Mia disse de repente, sem olhar para trás.Ian soltou um pequeno suspiro.—
Logo após tirar a calça, Mia ficou apenas por um instante parada sob a luz da lua.Então levou as mãos ao cós do top.Sem pressa.Retirou a peça e a deixou cair sobre a pedra junto com o restante das roupas.Por um segundo, permaneceu ali, completamente nua, a pele clara iluminada pela luz prateada da lua e pelo brilho suave da água da cachoeira.Ian prendeu a respiração.Sabia que não devia olhar.Mas simplesmente… não conseguia.Mia levou as mãos aos cabelos.Desfez o coque e jogou a cabeça para trás. Os fios loiros caíram livres pelas costas.Quando inclinou a cabeça para frente, os cabelos deslizaram pelos ombros, revelando a pele da nuca e das costas.Logo abaixo da nuca, entre as escápulas, havia uma pequena tatuagem.Um lobo de perfil, elegante, o focinho erguido como se estivesse prestes a uivar para a lua. Acima dele, três pequenas estrelas.Ian sentiu o peito apertar.O símbolo da linhagem Althea.O lobo dentro dele reagiu imediatamente.Um impulso quente e primitivo percorr
Mia voltou para o quarto e fechou a porta atrás de si.Por alguns segundos ficou parada, respirando fundo, como se estivesse tentando deixar tudo o que aconteceu no luau do lado de fora.Mas não conseguiu.As palavras de Ian ainda ecoavam na cabeça dela.Ela se jogou na cama, pegou o celular e abriu as mensagens.Havia uma nova mensagem de Adrian.Oi. Como você está?Queria te ver.Direto.Mia suspirou antes de responder.Oi… vou sobreviver, rs.Mas preciso me preparar para a segunda humilhação.Amanhã é a cerimônia de transformação.Podemos nos ver outro dia?A resposta veio rápido.Claro.E… vai ficar tudo bem amanhã.Mia ficou alguns segundos olhando para a tela antes de sair da conversa.Ela abriu outra.Elara.Ligou.A chamada foi atendida quase imediatamente.— Me diz que é mentira — disse Mia, sem nem esperar o cumprimento. — E que você vai aparecer aqui amanhã.Do outro lado da linha, a voz de Elara saiu calma, mas cansada.— Meu amor… as coisas aqui estão complicadas. Você sa
Mia acordou tarde.A luz do sol já entrava pelas cortinas quando ela finalmente abriu os olhos.O corpo estava pesado, como se não tivesse descansado nada.Na verdade, não tinha.Ela havia chorado por horas antes de finalmente pegar no sono.Depois de um banho rápido e de vestir roupas simples, desceu as escadas.O cheiro de café fresco preenchia a casa.Na cozinha, Lucca e Ian estavam sentados à mesa.Lucca falava alguma coisa enquanto mexia distraidamente na xícara.Ian bebia café em silêncio.Quando Mia apareceu na porta da cozinha, os dois levantaram os olhos ao mesmo tempo.Por um segundo, Ian esperou a provocação de sempre.Mia sempre implicava com ele.Sempre tinha algum comentário sarcástico sobre ele estar ali tão cedo ou sobre como parecia mais um guarda da casa do que um convidado.Mas nada veio.Mia apenas caminhou até a mesa.Pegou uma xícara.Serviu café.— Bom dia.A voz saiu calma.Educada.Fria.Lucca respondeu automaticamente.— Bom dia.Ian apenas assentiu.— Bom di
O caminho de volta para casa foi silencioso.Mia entrou no carro de Lucca sem dizer nada. Kiara se sentou no banco de trás.Por alguns minutos, apenas o som do motor e do vento passando pelas janelas preenchia o espaço.Lucca lançou um olhar rápido para a irmã.— Mia…Ela continuou olhando pela janela.— Quer falar sobre isso?Nenhuma resposta.Kiara também permaneceu em silêncio, respeitando o momento.A estrada que levava até a casa dos Althea parecia mais longa naquela noite.Quando finalmente chegaram, Mia saiu do carro antes mesmo que o motor desligasse.Entrou na casa sem olhar para trás e subiu direto as escadas.Lucca suspirou e fechou a porta do carro.Assim que entrou na casa, Darian apareceu no corredor.— O que aconteceu?Lucca hesitou.— Nada demais… só um desentendimento no luau.O pai estreitou os olhos, desconfiado.— Mia parecia bem quando saiu.— Ela só ficou chateada com algumas coisas que foram ditas.Lucca deu de ombros.— Amanhã ela vai estar melhor.Darian obser
A música do luau continuava tocando ao longe, mas agora parecia distante.A festa havia perdido completamente o clima leve de antes.Vários lobos caminhavam pela praia em pequenos grupos, chamando o nome de Mia ou olhando entre as dunas e as rochas.Kiara estava visivelmente irritada.— Eu juro que se eu encontrar aqueles dois antes da Mia…Ela respirou fundo, tentando se controlar.Foi quando viu Lucca se aproximando rapidamente pela areia.— Kiara! O que aconteceu?Ela passou a mão pelos cabelos, nervosa.— Ian puxou o Adrian no meio da pista. Disse aquelas coisas horríveis sobre a Mia na frente de todo mundo… eles quase saíram no soco.Lucca arregalou os olhos.— E a Mia?— Sumiu.A voz dela saiu carregada de culpa.— Quando eu fui ver… ela já tinha ido.Lucca passou a mão pelo rosto.— Merda…Mais adiante na praia, Adrian caminhava rápido, olhando ao redor.Seu lobo estava inquieto.Mas era Ian quem parecia saber exatamente para onde ir.Ele caminhava sem hesitar, como se algo den
Último capítulo