Mundo de ficçãoIniciar sessãoQuando finalmente cheguei ao meu lugar… se é que podia chamar aquilo de lugar. Era literalmente um quartinho bem simples, apertado, de apenas um cômodo e um banheiro minúsculo, mas que era o meu refúgio.
Passei a mão pelos cabelos bagunçados, sentindo o cansaço bater forte. Tudo tinha dado errado. A missão, o plano, a minha vida… E para piorar tudo, Jasper era meu companheiro. A única pessoa que eu deveria odiar mais do que tudo no mundo. Merda! Antes que eu pudesse pensar melhor, ou raciocinar em como iria resolver essa confusão toda, batidas fortes e impacientes na porta interromperam meus pensamentos. Por um momento estúpido, meu coração disparou: pensei que talvez ele tivesse vindo atrás de mim. Mas minha loba não sentiu o cheiro dele no ar, não sentiu a presença dele. Na verdade, um cheiro ruim, forte e repugnante invadiu o ambiente antes mesmo que a porta abrisse. E antes que eu pudesse pegar alguma arma ou me afastar, a porta foi arrombada com um chute violento. Droga! Gregory entrou. Justo o cretino. O agiota infeliz que vinha me cobrar todo mês, sem dó nem piedade. — Espero que tenha o dinheiro do chefe — ele disse, entrando como se fosse dono do lugar, sorrindo de um jeito que me deu ânsia de vômito. O irônico é que o pai dele era o chefe. Gerald era o pior renegado que existia, e entre os da sua laia, ele era o rei deles. Diferente dos Alfas nobres, que pelo menos acolhiam seu povo e os protegiam (com algumas exceções, claro), o rei dos renegados era um monstro que colocava impostos altos demais… até que alguém se tornasse seu escravo para pagar, e quando não servia mais ou não pagava, ele matava o pobre infeliz da forma mais cruel possível. — Não — respondi seca, me afastando um pouco, mas mantendo a postura ereta. — Passe daqui uma semana. Ele me olhou irritado. Quando ele fez menção de avançar e me agarrar pelo pescoço, desviei rápido, esquivando-me como já fizera tantas vezes. — Está aprendendo, cadelinha… — ele riu, de um jeito perverso. — Bem, não importa. Se você me der o que eu quero, posso até cobrir a sua dívida por você. Seus olhos percorreram meu corpo da cabeça aos pés, de forma lasciva, suja, cheia de segundas intenções. Nojento. Senti vontade de vomitar ali mesmo. Gregory poderia até parecer agradável de aparência para algumas pessoas: cabelos castanhos claros bem alinhados, barba bem aparada, traços bonitos… mas seus olhos pretos carregavam tanta crueldade, tanta sujeira, que o tornava feio, horrendo e odioso para mim. Suas atitudes falavam mais alto que qualquer beleza física. — Nunca! — rosnei, sentindo o nojo subir pela garganta. — Prefiro morrer do que tocar um dedo em você! Ele me olhou com ódio, os dentes cerrados, a raiva transbordando. — Então amanhã eu volto — rosnou, ameaçador. — Se não tiver o dinheiro, te mato, cadelinha. E ninguém vai sentir a sua falta. Eu rosnei de volta para ele, mostrando os dentes, desafiando-o. Não deveria provocar. Eu sabia disso. Mas a raiva que eu já carregava de tudo o que tinha acontecido hoje falou mais alto. De fato, eu era uma assassina. Ganhava bem por isso, fazia o que precisava para sobreviver. E quando aceitei o trabalho de matar Jasper, senti algo diferente: senti prazer pela primeira vez. Pela primeira vez, eu realmente quis matar alguém, de verdade, sem ser apenas por dinheiro ou ordens. Mas tudo tinha virado de ponta-cabeça no exato momento em que a minha loba decidiu que ele era dela. Ele ficou me olhando por mais um tempo, como se quisesse me bater ali mesmo, mas acabou se virando e saindo, batendo a porta quebrada atrás de si. — Idiota — falei por fim, sozinha no quarto, deixando toda a minha frustração sair naquela palavra.






